A salvação da menina má
Quem assiste à novela das oito certamente conhece. Ela começou como uma mera criança prodígio, dessas que as novelas das seis, sete e oito têm aos montes na esperança de que alguma emplaque. Filha de Dora (Giovanna Antonelli), Rafaela, vivida por Klara Castanho, é o capeta em forma de gente. Uma versão moderna, antenada e interesseira de Chucky, o brinquedo assassino.
Rafaela apareceu em Búzios (um dos cenários da novela) com a mãe a tiracolo. Ou vice-versa. Uma menina um tanto quanto sincera e engraçadinha. Nada fora do comum para sua idade. Acontece que ela foi se meter no Leblon com a mãe e agora está querendo espalhar pelos quatro cantos a infidelidade de Helena (Taís Araújo), a mocinha da trama.
Se faz tempo que você não liga a televisão, está pensando que… Mocinha até certo ponto, não é mesmo? Porque, afinal, estamos no Brasil. E que mocinha que se preste nesta sociedade moralista é infiel?
Pois é. O autor de Viver a Vida tentou de tudo. Taís Araújo não convenceu o público como modelo famosa, nem como mulher de empresário galã (José Mayer), nem como pessoa simpática, nem como habitante do planeta Terra. Talvez o erro tenha sido do autor ao contextualizar a personagem, talvez da própria atriz ao interpretar.
Acontece que há algum tempo as novelas estão transformando suas mocinhas em pessoas reais para atraírem o público. Mocinhas do estilo antigo, daquelas que apenas sofrem e esperam pelo príncipe encantado não fazem mais a cabeça do espectador. Mocinha também tem que ser gente.
Taís Araújo começou bem gente e não emplacou. Pareceu arrogante. Aí, a solução foi fazer dela uma coitada. Foi traída, levou um tapa da ex-mulher do marido, se sentiu culpada por um acidente, tentou salvar seu casamento, perdeu o bebê que esperava etc e tal.
Aí, adivinhou? Sim, caiu no protótipo anterior. Boazinha demais. Arrogante e humilhada. O público odeia essas duas características.
A solução encontrada para o romance que não convenceu foi mostrar que Helena é tão gente como a gente, que sofre com o marido e que também vai buscar a felicidade. Tudo bem contido, né? Uns beijinhos no Thiago Lacerda e não se fala mais nisso – só se paquera.
Aí é que entra a menina má. Ela presenciou os beijos, vive de favor na casa da protagonista e agora lança olhares ameaçadores o dia inteiro sobre ela. O público vê o sofrimento de Helena (casamento falindo, romance surgindo e chantagem dentro da própria casa) e ela consegue parecer mais gente e menos personagem de novela. Agora, seu sofrimento é embasado e sua irritação com a menina é legítima.
Temos, pois, uma vilã à altura. A menina má que caiu no gosto do povo e, o melhor, que conseguiu salvar a imagem da mocinha. Uma ótima solução para o caso.
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3 comentários




Poizeh, a novela ficou mais interessante mesmo! Só que passo raiva demais com essa menina, nossa, ela é muito ruim e tb morro de raiva do Marcos, que cara chato e prepotente!!! Mas fazer o quê? Eu não deixo de assistir! Ainda mais agora que a Luciana tá se rendendo ao Miguel, ai ai!!
Beijosss!
Vou começar dizendo que assisto esta novela, é um pequeno link que tenho com o Brasil. Dito isto, acho esta novela de uma chatice tremenda. Os personagens vivem gritando (alo? existe microfone para quê?), a trama é chata, os personagens superficiais, até a cronologia é ruim, hora é manhã, depois pula para meio da tarde, depois é hora do almoço… Enfim tecnicamente ruim, história ruim, atores assim-assim, quem salva é a grande Lilia Cabral, mas coitada, dá pena ver tanto talento desperdiçado. Espero que a próxima seja melhor.
adoro essa novela,mas agora com as aulas não posso mais assistir ,então acompanho pela internet.
acho que agora vai pegar fogo principalmente quando o Bruno descobrir quem e o marido da Helena…
cintia