Alimentação saudável: você sabe o que é?

Desde pequena tenho tendência aos vegetais. Nunca fui de recusar comida e experimentava de tudo: de jiló a queijo gorgonzola. Não sei se posso citar algo que não comia naquela época.

Ah, sim: galinha. Não comia frango porque eu brincava dentro do galinheiro do meu avô, muito feliz. Era a dona da fábrica de ovos de lá e amava muito minhas funcionárias – apesar de temer quando o gerente (o galo) se estressava com minhas peripécias e batia as asas enquanto o galinheiro todo se unia num complô para me rodear e me intimidar. Nossos policias deveriam aprender com a sabedoria milenar das galinhas.

"E então, amiga, me conte: como foi seu dia?"

Sim, naquela época parei de comer galinha. Poderia dizer poeticamente que foi porque eu era muito ligada às bichinhas, mas apesar de gostar muito delas, a ponto de dar nome a cada uma: não. Eu parei de comer galinhas porque vi uma comendo uma barata. Poderia ter ido até lá e dito: tira isso da boca, menina, mas não. Fiquei quieta, com nojo e saí correndo, antes mesmo de perceber que o inseto em questão era um besouro (o que certamente aliviaria minha tensão). Avisei a casa inteira que eu nunca mais comeria galinha. E nunca mais.

Aí, então, muitos anos se passaram, era uma sexta-feira do ano de 2007, eu estava em casa sem fazer nada quando decidi (pois é!) pesquisar sobre o vegetarianismo. Um documentário, algumas pesquisas acadêmicas e meia dúzia de sites mais tarde, eu já estava convencida a nunca mais colocar qualquer bichinho na boca. E assim foi tranquilamente até eu ler o livro do Dr. Carlos Braghini Junior.

O Braghini é um cara que convence de cara. Seu livro é bonito, bem editado e o convite à leitura, na contracapa, é tentador. Apesar do título “Ecologia celular” não ser um grande atrativo para quem tem como referência de ecologia as aulas chatas de Ciências da sétima série e tem a palavra celular diretamente relacionada à mitocôndria (que, aliás, não faço a menor ideia do que se trata), o livro é para leigos e te ganha já na introdução.

Calmo e convicto, página por página ele te leva a conhecer um universo de alimentação saudável que nenhum Globo Repórter, que nenhuma revista e até que nenhum nutricionista já te contou. Confesso que demorei mais do que o usual para terminar o livro. Mas é que, entre tantas informações, a gente prefere deixar para depois, continuar comendo industrializados, chocolate e bebendo refrigerante (o grande vilão da minha vida).

Capa do livro e alguém que se esconde por não conseguir parar de beber aquele famoso refrigerante

E se até aqui você entendeu que o livro trata de alimentação, reitero: o livro fala sobre medicina. Não sobre essa que nos acostumamos em consultórios, prontos-socorros, crises de rinite e antibióticos. A medicina que Braghini explica é muito mais inteligente: corrige hábitos alimentares para não fazer adoecer. Muito mais simples, não?

No meio de tudo isso, o livro quebra mitos. Um deles: o da soja.

Você sempre achou a soja um alimento saudável, não é mesmo? Não é nisso que te fizeram acreditar? Você passa por uma loja de produtos naturais, vai a qualquer restaurante do tipo e vê uma infinidade de produtos e alimentos que têm como base a soja. Pois saiba que não é bem assim.

A soja, além de também ser consumida através de alimentos altamente processados (proteína texturizada, leite, suco etc – tudo horrível para nossa saúde), contém substâncias que causam doenças na tiróide e predispõem à coagulação do sangue e ao derrame cerebral. Não é à toa que este grãozinho é consumido há séculos, mas sempre na forma fermentada (como no missô e no shoyo) – já que esta é a única maneira segura de consumi-lo, de neutralizar sua ação.

E não é só isso: a soja não previne o câncer e a osteoporose, nem reduz a menopausa, como é dito por aí. E apesar de conter certos nutrientes e vitaminas, também contém antinutrientes, que inibem a absorção de minerais e de proteínas e um certo tipo isoflavona (a genisteína) que bloqueia a função da tiróide. Ou seja: fomos (e continuamos sendo) enganados por mais esta indústria. A soja é uma grande ação de marketing.

Mas se você ainda não confia nas palavras do Braghini, sugiro uma rápida pesquisa no Google sobre o assunto. Fiquei comovida com minha ignorância a respeito.

Como não como carne, minha alimentação nestes últimos anos foi baseada na soja. Resultado: não tenho outro substituto protéico à altura e revejo meus conceitos alimentares. Ou seja: de dieta de criança feliz que come de tudo, para a de que para de comer galinha porque ela come o que bem entende, para a de vegetariana pela saúde, para a de quem não sabe mais nada sobre alimentação!

No livro, muitas outras questões que nunca vieram à tona mesmo para mim, consumidora voraz de tudo relacionado à saúde: a ineficiência do leite pasteurizado, o horror do açúcar, a indústria dos grãos, os males dos agrotóxicos, as toxinas dos industrializados… E no final, um planejamento nutricional passo a passo para quem decide sair da teoria e começar a praticar. É, ele dá as coordenadas.

Enfim, Braghini fez tudo direitinho para te deixar de cabelo em pé, pensando que a galinha tinha razão: comer baratas (ou besouros) é sair no lucro.

Related Posts with Thumbnails

Compartilhe...

 

Receba o próximo texto


23 comentários

  1. Excelente essa foto!

    Mas cade seu texto pro PapodeHomem?

    Beijo.

    E saudades (coisa que digo aqui com um “I miss her”, que as vezes diz mais e as vezes diz menos).

  2. Muito bom este post Isabela! Gostei bastante, da maneira como você, sendo leiga, falou da alimentação saudável. Trabalho nessa área, e vou ler este livro!

  3. Caramba! Estou estatelado em frente ao computador num misto de pasmo e felicidade. Isabella, você além de captar como poucas o espírito do livro, foi generosa e abundante em seu texto. Brilhante, por sinal! Parabéns!

    • Braghini, você por aqui!

      Imagina! Relutei muito para dar uma pequena explicação sobre os males da soja (por exemplo), pq sou REALMENTE leiga, a ponto de não saber o que significa uma isoflavona. hahaha. Mas achei necessário, pq eram informações que eu desconhecia totalmente e que a maioria dos vegetarianos também desconhece… Fiquei cheia de dedos pq vc explica perfeitamente no livro.

      Então, é isso, pessoal, chega de blá blá blá e leiam o livro do Braghini que ele explica tudo!

      Que bom que gostou!

  4. Isa, adorei o seu texto!

    Sempre me senti um pouco perdida em como comer direito! Eu tbm sempre fui daquelas que come de tudo, experimenta de tudo.

    Parei de tomar refrigerante a algum tempo atrás. Algumas vezes até me permito, mas não me sinto bem e meu corpo reclama. Já parei de comer carne e frango. Voltei a comer frango e me disseram que injetam hormônios nos coitadinhos e que isso fazia muito mal. Acreditei e voltei a comer carne e parei de comer frango de novo.

    Vou ler o livro e me informar… porque ando sentindo muita falta de comer direito, seja lá o que isso signifique!

    Um beijo com saudades!

  5. Muito bom! Eu, como representante oficial dos consumidores de junkie food, até começo a querer pensar no assunto (que costumo adiar até uma próxima crise de consciência ou de saúde). Defensora dos animais e “odiadora” dos alimentos verdes e saudáveis, até pensava em um dia ser vegetariana (sobreviveria?), mas preciso refletir melhor…
    Indicarei o texto e o livro aos vegetarianos de plantão!
    Beijos!

  6. Aiê! Vegetariar ou não vegetariar, eis a questão! ;)

    Eu a-d-o-r-o comer uma porcaria, confesso, e refrigerante então… Me esforço para não tomar! Mas ainda ontem, quando sentei com meu sócio para almoçar, eu pedi uma daquelas pretas que a gente toma com gelo e limão pq eu PRECISAVA, sabe?

    Em contrapartida tenho um filhos desses… tipo… tipo Isabella! Ele come legumes (que eu, em criança, não comia nem morta! Hoje até gosto) mas tem uma coisa melhor que essa Bella aí: ele não tolera refrigerantes. A nova turminha já vem com upgrade, eu acho!

    Mas eu gosto de comer bem também – e como de tudo – e acredito que é importante, sim. O único problema que vejo é que não somos preparados para isso e as opções orgânicas são muuuuito caras! Isso desestimula, né?

    Gostei da dica e adorei o texto. Você está melhor nisso, a cada dia que passa!

    E para te lembrar Gustavo Gitti: Congratulations!

    • Mari, que maravilha seu filho não gostar de refigerante! Pois se eu tiver um, nem apresentarei o líquido preto a ele!

      Olha, como diz o Braghini, alimento orgânico é mais caro, sim, mas investir neles é reduzir a conta da farmácia. Parece exagero, mas lendo o livro dá para perceber como a alimentação é a causa de muitas doenças que achamos normal controlar com “remedinhos”: enxaqueca, diabetes, pressão, inflamações… E a lista é extensa…

  7. Lembro quando saía de mais de três anos de Amazônia, envenenado por mercúrio, chumbo e alumínio (de 84 a 150% ACIMA do máximo tolerável pelo corpo) e conheci o Braghini que diagnosticou tudo de cara, me mandou fazer os exames e comprovou suas suspeitas…
    Pouco mais de um ano depois (e sem conseguir fazer tudo do jeito que ele orientou – solteirão é Flórida!) me vejo limpo dos metais pesados, com sono regulado, praticando esporte e voltando a correr, algo que meus joelhos me proibiam faz tempo! (+ de 20 anos).
    Recomendo acompanharem quaisquer comentários sobre eletromagnetismo, vacinas e seus riscos, bem como o site http://www.mercola.com onde compro muito do que o Braghini me prescreve.
    Se querem sentir mais da vida, experimentem um bom “Flush de Fígado”. Vocês vão voltar a sentir o aroma e o sabor das coisas…inclusive das galinhas que comem baratas…rs
    Abração a todos!
    E bem-vindos ao mundo dos Subversivos da Saúde!!!
    Francisco-RJ/DF

  8. Ah, sim!
    Envenenamento por mercúrio DE OBTURAÇÃO DENTÁRIA MAL-FEITA!!!
    Esqueci de mandar os sites do Braghini prá vocês…
    http://www.ecologiacelular.com.br e http://www.quiropraxis.com.br
    Mudando de assunto: Isabela, visite http://www.portalmonroebrasil.com da pessoa que me indicou o Braghini.
    Talvez julgues interessante…
    Abração de novo!
    Francisco

  9. É muito legal ver um post tão bem escrito, histórias tão bem contadas, livro tão bem resenhado, informação tão bem transmitida. Mais legal ainda é saber deste texto pelo resenhado, que já conhecia, e a surpresa de ver que foi escrito pela Isabella, uma menina elétrica com quem convivi por poucos minutos em um lançamento de livro, uma menina que conquista a todos com sua energia para o bem.

    Deu pra notar que adorei o texto, adorei o assunto e adorei o livro :-)

  10. Olá Isabella!

    Realmente brilhante o seu texto e pelo que percebi o livro já fez uma revolução na sua vida. Que bom!
    É realmente esse o efeito do livro: se você captar o espírito da coisa, a sua vida nunca mais será a mesma. Sou suspeita para falar, mas esse Braghini é o máximo!! hehehe Um grande beijo e parabéns!

  11. Aí está um texto que realmente faz a gente pensar…alimentação é um desses assunto nos quais você acaba sendo levado pelo que ouve, vê e lê. E claro, também levado pela promoção do KFC aqui ao lado do trabalho, que é rápido e serve aquelas coxas de frango que parecem ter sido expostas à radiação de plutônio.

    E vou tentar prometer a mim mesmo rever os meus conceitos de alimentação…mas só depois das férias, porque sei que vou me encher de besteira na viagem…

    (Me sinto quase um visionário por sempre ter odiado soja e considerado que ela só serve como molho, mas acho que eu não estava lá pensando muito no aspecto saúde)

  12. Oi Isabella! Onde encontro esse livro? Achei o tema interessante, mas estou tendo dificuldade para encontrá-lo. Ja estou sofrenod as consequencias de uma alimentação nada saudável. Bjos

  13. Mas aí você voltou a comer carne?

    [sou vegetariana há exatos 3 meses – não ainda da maneira que gostaria, mas pelo menos a carne eu não como mais. – e tenho muitas dúvidas sobre esse assunto!!]

  14. Olá! gostei do texto, você escreve muito bem. Eu não sei se conseguiria ser vegetariana, mas acho que as pessoas devem ser respeitadas pelas suas escolhas alimentares. Sempre achei engraçado como as pessoas ficam enojadas com comidas “diferentes”, mas não percebem que mais sem noção é o que comem no dia-a-dia, não sabem de onde vem, como foi feito… Fazer leituras como essas que você fez é importantissímo, seria bom se todos fossem atrás de informações sobre o que comem!!

  15. Estou muito feliz de ter encontrado alguém que pensa como eu penso! Faz algum tempo que pesquiso sobre isso e também faz algum tempo que foquei minha alimentação na saúde e no bem estar. Vou comprar meu livro do Carlo Braghini agora, sem dúvidas. E para ti, Isabella, deixo a indicação do livro de Michael Pollan, Em defesa da comida.

  16. Ou seja: de dieta de criança feliz que come de tudo, para a de que para de comer galinha porque ela come o que bem entende, para a de vegetariana pela saúde, para a de quem não sabe mais nada sobre alimentação! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…..parabéns Isabella, curti muito seu blog, mas poxa que enganação da indústria meu, fiquei incrédulo sobre a soja…gostava tando da Ades….

  17. Lendo de novo! Que legal,eu também sou apauxonada pelo livro do maridão. Vou compartilhar!! Um abraço. Saudades 1000

Quem linkou este post

  1. 5 dilemas de uma quase ex-vegetariana | Papo de Homem – Lifestyle Magazine - [...] os malefícios da soja e não encontrar substituto proteico à altura. Ando revendo meus hábitos e lendo sobre alimentação…
  2. A água e a merda | Isabellices - [...] que, dia desses, doutor Braghini – aquele que me explicou diversas coisas sobre alimentação – contou em seu site tudo o…
  3. Bonita a todo custo? | Supremas - [...] faz muito passei a ler mais sobre alimentação saudável e sobre uma medicina bem diferente desta que vemos por…

Deixe seu comentário