Posts de Isabella Ianelli

"Quarta-feira, sem falta, lá em casa"


Duas senhoras se encontram todas as quartas-feiras para um tradicional chá da tarde. Pode parecer inusitado, mas estas senhoras são Gabriela Ravanhani e eu.


Depois de algumas apresentações fechadas, chegou a hora de dar a cara a tapa em São Paulo.

Então, fica aqui o convite. Convite mesmo porque não é necessário pagar nada para entrar.

“Quarta-feira, sem falta, lá em casa”

Quando? Dias 22 e 23 de outubro (quinta e sexta)

Que horas? Às 20h30min

Preço? De graça!

Preciso de convite pra entrar? Não!

Preciso ir? Sim!


Onde? No teatro do Colégio João XXIII

Ahm? Rua José Zappi, 87

Mapa aqui.


Espero por vocês lá…

Por que assistir a Up, Altas Aventuras?

Eu sei, você não tem mais dez anos de idade e não vê desenhos animados desde Shrek – que te insistiram pra assistir. Mas Up, Altas Aventuras quase que não é um desenho animado. Quase que é vida real.

Dirigido por Pete Docter, Up foge do que costumamos ver em desenhos animados. Em primeiro lugar, esqueça aquele ritmo frenético de filmes que não querem perder a atenção dos pequerruchos. Importante, claro. Mas muito melhor é oferecer a crianças, adultos e idosos uma outra forma de narrativa. Ora calma, ora agitada. Cenas sem falas, nas entrelinhas. Tempo para a tristeza, tempo para o sofrimento. Simplesmente: tempo.

Os personagens centrais não são, digamos, mocinhos. Tudo bem que esta fórmula já foi repensada há um tempo nos desenhos. Mas cabe ressaltar: no centro da trama estão um senhor e um menino. Duas gerações separadas e agora unidas.

Carl, Russel e um GPS

Duas pontas da sociedade: criança e idoso tratados com respeito. Não são passivos, dependentes ou infantilizados. Mas também não são heróis disfarçados. O filme se preocupa em manter o idoso como idoso, a criança como criança e até o animal como animal (cena rara nessas áreas). O idoso apegado às suas coisas, sua casa, seu passado. A criança que dá chilique porque quer ir ao banheiro. O animal que não se mete no meio da briga para ajudar seu defensor porque, ora, é um animal.

E como todo bom desenho, Up toca no tema do amor. No amor romântico, sim, mas vai além: o amor nasce entre os protagonistas com a aventura. Uma nova amizade, um novo sentido para viver. Uma cena em especial representa o rompimento de Carl com seu passado. Sua nova missão.

Só pelos motivos citados, eu já assistiria ao filme mais umas três vezes. Mas tem mais: Up toca em um tema delicado para um filme infantil e em que poucos se arriscam a entrar, a morte. Sem religiosidade ou misticismo, as decepções e a morte são tratadas, simplesmente, como parte da vida.

Agora se você já está achando Up, Altas Aventuras um desenho racional demais, não acredite em nada do que eu escrevi aqui em cima. Imagine um sonho, uma casa, balões e a cena que toda criança já quis viver na vida.

Na cabeça ou na mochila

Quando você para de conviver diariamente com crianças, passa a ter menos coisas engraçadas para contar. Mas de uma história eu não me esqueço.

No ano passado, dei aula para crianças de quatro anos de idade. Metade do ano fui estagiotária professora auxiliar e na outra metade peguei a bomba assumi a sala.

Todos os dias, as crianças chegavam na sala de aula e tiravam da mala a agenda, o copo (com a escova de dente dentro) e penduravam a lancheira.

Em um dia frio, um dos meus alunos, Arthur, chegou todo encapotado e com um gorro na cabeça. Arrumou seus pertences e, no meio da brincadeira com os amigos, tirou o gorro e o colocou na mesa, ao lado do seu copo com sua escova de dente.

Arthur e o Bidu de massinha

Caro leitor, aqui faço uma pausa para um comentário: se você nunca viveu um dia na educação infantil, não sabe o que é administrar uma sala com 17 crianças de quatro anos de idade. Não imagina o que é rezar diariamente para uma convivência pacífica. Para ninguém chutar, morder, bater, arranhar e para ninguém retrucar. E também nunca se viu pedindo aos céus para que todos consigam controlar seus esfincteres até a chegada ao banheiro. Se você tem filhos, sabe do que estou falando. Agora multiplique por 17. Tranque numa sala. E jogue uma louca dentro. Por isso e por otras cositas más eu passei o ano passado inteiro descabelada.

Pois bem, tudo isto para dizer que, muitas vezes, no calor da coisa, esquecemos que são crianças. E que sempre têm uma visão peculiar. E que são criativas, inocentes e obedientes até. Teoricamente, nós, pedagogos, estudamos para (entre muitas outras coisas) aprender a lidar com as peculiaridades do ensino. Mas é que com dois pendurados no lustre, três correndo ao seu redor, um com febre, uma puxando o cabelo da outra e cinco formando uma quadrilha de tráfico de batom da Xuxa, fica realmente muito difícil. Você esquece até que é gente.

Então, ali estava eu, jogada no meio da muvuca, quando a professora que trabalhava comigo, ao sair da sala, viu o gorro do Arthur ao lado do copo da escova de dente dele. Apontando para a mesa, disse: “Arthur, coloca na cabeça ou guarda na mochila!”. Saiu da sala e eu fiquei por lá, tentando administrar a galera.

Depois de alguns minutos, olho para o lado e vejo o Arthur segurando o copo (com a escova de dente dentro) em cima da cabeça.


- Arthur, o que foi?

- A professora disse pra eu colocar na cabeça ou guardar na mochila, mas eu ainda não escovei os dentes…

- O gorro, Arthur!

- Ah…

E ele fez a cara que eu mais queria ter registrado na minha vida. Uma mistura de “entendi” com “envergonhei”. Arthur um menino tão carinhoso e tão esperto, me mostrou que, realmente, é tão simples e tão complexa essa terra de gigantes.

O caso da sexta-feira

Depois de uma semana de quatro horas de sono por noite, idas e vindas Uspianas, leituras, notebook quebrado e grandes olheiras, decidi gastar minha sexta-feira com uma oficina de ciranda, na USP. Isso. Oficina de ciranda, você leu bem. Quem no mundo vai numa coisa dessas? Prazer, Isabella.

Às cinco e meia da manhã estou de pé, pronta para o combate trânsito, chego às sete e pouco, capuccino, broa de milho e corro para a sala de aula.

É claro que, nerd pontual que sou, passei os oficineiros e cheguei antes na sala. Oito e meia eles chegam. Só eu. Mais duas gatas pingadas.

Após a resolução de inúmeros problemas e a chegada dos alunos, a oficina começou (em dicas da Usp, esqueci de uma valiosa da Feusp: a vida só começa por lá à partir das nove da manhã, acredite).

O projeto é muito legal. A criadora contou sobre. Musicalmente, teatralmente, enfim, artisticamente falando, eles são muito ruins. Muito. Mas a parte social que eles desenvolvem é, sem dúvidas, muito bacana.

O problema de quem faz trabalho legal com crianças, é que eles querem reproduzir o que fazem com elas com os adultos. Sim, comigozinha. Que tive que entrar em 156 tipos diferentes de ciranda e ver três montagens toscas de teatro improvisado.

O que valeu da oficina foi ver um trecho de um dvd que contava sobre o trabalho do projeto. Depois que assisti, pensei: “Ah bom, é isso que vcs fazem? Trabalho social! Era só explicar!”.

Enfim. Depois do almoço, mais um percurso de oficina. Tudo bem, né? – pensei. Nada bem quando vi que eles queriam me colocar em mais 140 cirandas. Tipo, gente: ok, já entendi que é maravilhoso ensinar cirandas, que as crianças amam. Já sei disso.

Além disso, muito me estressou o fato da criadora desmerecer o estudo acadêmico. Claro que não assim, diretamente. Mas, enfim. Me estressou. Fora aquele bando de professora pela sala exaltando o trabalho dos oficineiros. E achando que relatório de prestação de contas para o governo é a mesma coisa que pesquisa, estudo, reflexão e dissertação de mestrado. Aham.

Enquanto os oficineiros convidavam todos para uma nova ciranda, eu olhava os dez reais de texto que eu havia acabado de pegar no xerox. Dez reais. Dez. Reais. Tudo para ser lido, devorado, entendido e gerador de um novo texto até quarta-feira.

Num impulso, peguei minhas trouxas e me mandei de mansinho, enquanto todo mundo formava mais uma roda. Aliviada, fui para a sala de estudos fazer alguma coisa útil ler meus textos em paz.

Uma hora depois, o senhor que estava sentado na mesa ao lado, chega na minha mesa com um caderno nas mãos e diz:

- Vo’ê ‘abe corri’ir portu’ês?

Lembrei do Rob Gordon imediatamente. Jurei pra mim mesma nunca mais rir de um causo dele.

- Oi?

Repetiu. E eu, por alguma obra do destino, consegui entender a questão. Pensando que ele queria saber a grafia correta de exceção, gorjeta, vernissagem, concessão, ingenuamente respondi:

- Sim. Por quê?

- Vo’ê corri’e daqui até aqui? – apontou para duas folhas de um caderno com letra de criança de doze anos.

- Mas o que você quer saber?

- Por ‘avor! Eu ‘ô ‘heio de traba’o pra entre’ar ho’e!

Não me contive, comecei a rir impiedosamente. Como uma figura desse tipo pode dar aula em algum lugar do mundo e eu estar desempregada? Devo ser muito estranha mesmo, pensei. Foi quando ele deu a cartada de mestre. Fanho safado:

- Vo’ê é árabe?

- Não!

- Vo’ê é linda!

Ri mais um pouco e tentei compreender o árabe na história. Ele roubou meu raciocíno quando começou a me cobrar a correção voluntária. Só faltava esfregar o caderno no meu nariz árabe, como se fosse uma obrigação minha fazer o trabalho dele.

Disse que não obrigada apontei para os meus textos, mas ele insistiu:

- ‘e cada um da ‘ala de e’tudos corri’ir um caderno, eu con’igo termina’ todo o trabalho.

Você não, né, meu bem? Nós. Encarnei meu melhor personagem de estudante ferrada e contei uma coisa mais triste ainda: daqui a pouco começa minha aula, tenho que ler todos estes textos.

A figura ficou um tanto quanto chocada. Folheou meus texto (fiquei com medo, confesso) e disse que eu seria diretora de escola. Pensou melhor e concluiu que o rock era o meu destino. Gostei mais.

Melhorei minha cara de cadela cão sem dono e ele passou pra próxima vítima: a menina da mesa ao lado.

Juntei novamente minhas trouxas e saí de fininho. Não antes de levar uma bronca do senhor fanho preguiçoso e safado:

- Ei! Vo’ê não di’se que ia e’tudar?

Ui, e agora? Disse que minha aula já ia começar. Ele caiu:

- Ah! Me pa’sa seu telefone, então…

Cara burro, que aula na USP começa às 17:30h? Meu telefone? Respondi que não. Já era demais. Meu dia já havia superado as expectativas. Tchau.

A verdade nua e crua

Quais são as regras da sedução? Existe uma fórmula para a conquista? Onde termina a lógica e brota o sentimento?

A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth) é uma dessas histórias que você já conhece. Abby Richter (Katherine Heigl) é produtora de um programa matutino: loira, linda, inteligente e alguém que acredita no amor. Na espera por um companheiro que complete os dez itens da sua criteriosa lista de exigências, ela encontra, na janela ao lado, um novo vizinho. Um primeiro encontro atrapalhado e a mocinha da trama já está apaixonada.

Enquanto isso, Abby descobre que o novo comentarista do seu programa é um conselheiro sentimental peculiar. E que, para vencer a espontaneidade estrondosa do galanteador no ar, colocará a conquista do seu futuro namorado em jogo.

Com dicas baseadas no pensamento masculino, o terrível Mike Alexander (Gerard Butler) mostra a ela como conquistar um homem. Aponta os erros na imagem, nas ações e apresenta soluções infalíveis. Nada que as mocinhas já não imaginem. Mas muito interessante quando apontado ferrenhamente. Ainda mais para a bela Katherine Heigl, que consegue ser linda até de ponta-cabeça. Mesmo.

E entre tantos passos e poses planejados, ligações perdidas, encontros marcados e desmarcados, ele mostra como seduzir. Teoria e prática. Como se o amor fosse resultado de uma conquista eficiente (e vai dizer que não?).

Sim, o amor pode acontecer depois de tudo isso. A conquista pode ter regras mais ou menos eficientes. Mas existe um jeito de racionalizar e se envolver? Ou, racionalizando a conquista, estamos sempre à parte destes seres mortais que se apaixonam por ligações, encontros e beijos? Como explicar quando nasce o amor por quem faz tudo errado? Como se apaixonam por caretas, sorrisos, vestidos, gostos, bilhetes, jeitos, vontades, mãos? Como se apaixonam por pessoas?

Por fim, a verdade nua e crua: qual é a graça de conquistar senão ser também conquistado?

Vai lá ver: o filme estreia nesta sexta-feira, dia 18 de setembro. O trailer legendado aqui.