Desde os quinze anos eu brinco de teatro. Começou de leve, aos catorze anos, no colégio de freiras em que estudei, do qual guardo muitas boas lembranças. No último ano, a professora de Educação Artística propôs que montássemos uma peça, numa atividade extra-curricular. E lá fui eu. Nenhuma grande montagem, nenhum personagem relevante. Éramos todos figurantes. O teor? Ah, sim: alguma coisa religiosa (era a condição imposta pelas freirinhas). E eu bem que gostava, viu? Era uma espécie de musical mal entendido , mal interpretado e mal cantado, mas eu me esbaldava na música da cena dois: “Misericórdia, Senhor, Misericórdia! Misericóoooooordia!”. Tenho um gosto estranho por músicas de igreja até hoje.
Muito bem. Foi nesta “peça” que eu aprendi que não se deseja boa sorte antes do espetáculo. Se diz MERDA. E não se agradece. Mas, como éramos de um colégio de freiras e a professora era doida mas nem tanto, ela nos dizia: “Ême!”. Ême. E era ÊME pra tudo quanto é lado. Bom pras freirinhas que não sabiam o significado, bom pros alunos que se deliciavam e bom pra professora que fez sua parte. Com uma espécie de transposição didática, digamos – mas fez.
Como neste colégio não tinha ensino médio, mudei de escola. Ah, mas qual não foi minha alegria ao descobrir (na verdade, eu já sabia, tô floreando só) que o grupo de teatro deste colégio era sensacional? Para quem se contentava em decorar meia dúzia de frases para dizer num salão caidinho, eu estava na Broadway brasileira. Palco italiano, coxia, cortina, camarim e o melhor: um diretor sisudo.
Penamos (eu e Gabi, minha companheira teatral desde os primórdios) para conseguir entrar no grupo. Na primeira semana de aula, chegou a ficha de inscrição dos cursos extra-curriculares oferecidos e, por engano, o teatro não estava lá. Gabriela e eu fomos até a sala do diretor do teatro, Eduardo Hajjar. Na sala dele, uma reação exacerbada da Gabi enquanto eu sorria, apavorada, querendo dizer: “Deixa a gente entrar?”. Deixou, claro.
E desde 2001 estou lá pelos palcos. De sisudo, o diretor passou a ser amigo. E hoje fazemos teatro de brincadeirinha como se a gente fosse gente grande. A gente, digo, eu e Gabi – porque o diretor é dos grandes. Escolhemos o texto, pesquisamos, dividimos personagens, buscamos por exercícios, sacrificamos manhãs, tardes, noites, nos maquiamos, emprestamos nossas casas para os cenários e nossas almas para as peças.
Tudo isso para contar que, nesta semana, especialmente, voltei a criar borboletas no estômago. Minha estreia será sexta-feira, numa cidade do interior. E é nessas horas que dá pra ver que faço teatro amador mesmo. Com medo de errar, cheia de inseguranças nas mãos, nos gestos, nos tipos. Mas vou. Com amor.
“Quarta-feira, sem falta, lá em casa”
Texto: Mario Brasini
Direção: Eduardo Hajjar
Maquiagem: Natália Tomaz Vianna
Elenco: Gabriela Ravanhani e Isabella Ianelli
Quando? Dia 31 de julho, às 21 horas
Onde? Em Bragança Paulista: NAPA – Núcleo de Apoio ao Professor e ao Aluno (Rua São Bento, Vila Aparecida)
Quanto? De graça
por Isabella Ianelli em 28/07/2009 | arte e cultura, cotidiano, educação | 10 comentários
Hoje, no início da noite, recebi um livro em pdf em meu e-mail. O livro foi enviado pelo autor para jornalistas, formadores de opinião e blogueiros famosos, sensatos e influentes. Como não sou nem uma coisa nem outra, o livro veio parar na minha caixa de entrada por outras vias que não cabe aqui citar. Mas. Mas…
Despretensiosa, comecei a ler. Despretensiosa mesmo. O que esperar de um livro com o título: “Mulher de um homem só”? Eu pensei em: 1) prostituição; 2) drogas e prostituição; 3) um romance. Tudo clichê, claro.
E na primeira página já voltei para a capa: “É um homem que tá escrevendo isso aqui? Corajoso…”. É. O autor se chama Alex Castro. Mas não me perguntem como ele conseguiu. Como ele sabe destas incertezas e inseguranças tão femininas. Nem sei onde ele aprendeu estes tantos detalhes. Aliás, onde?
Pois bem. Vou dizer do que se trata. Quem conta a história é Carla, a esposa de Murilo. Carla conta a história dela, dele e de Júlia, a melhor amiga de Murilo. A melhor amiga, claro, permanece grudada na vida do casal e provoca ciúme, ódio e (por que não?) amor na esposa insegura. Não, Carla não é louca. Nem maluca de ciúme. Todas suas neuras são as neuras de todas as mulheres que conheço. Coisas que aposto que Murilo nem sonha.
Carla conta sua história com Murilo, sua história com Júlia e, como se não bastasse, conta a história de Murilo e Júlia. Como é que ela sabe o que aconteceu nos mínimos detalhes, tantos anos antes de conhecer os dois? Ah, sabe. A gente sempre sabe. Não sabe?
E é esta maneira de narrar os detalhes, as pausas, os gestos e os olhares, quando nem ao menos se estava presente na cena, que faz com que a gente entenda Carla. Quem não é Carla? Vocês, homens, não são. Nem entenderiam. Só Alex.
Por fim, não posso deixar de citar o que mais me passou pela cabeça enquanto o lia. Mulheres, quando alguém escreve que parece que é a gente, com quem comparamos? Sim, com ele: Chico Buarque. E foi esta frase que encontrei no final do livro, quando Alex (tô íntima) explica tudo: “Uma leitora chegou a dizer que, ao lado de Chico Buarque e Miguel Paiva, eu era o homem que mais entendia de mulher do Brasil. Não sou, claro, até porque gente não se entende, mas foi bom de ouvir.”.
Não sei se entender é a palavra certa. Mas só o fato de fazer eu me sentir tão confortável lendo os dilemas daquela mulher, vendo-a colocar os acontecimentos de forma tão delicada, tão observadora e perspicaz…
Enfim. Escrevo isto aqui para pedir perdão para o autor por ter me deliciado com seu pdf. O livro é, realmente, muito bom e já sei até quem vou presentear com um exemplar impresso e bonito que nem o da foto. O lançamento será aqui em São Paulo, dia 1 de agosto e parece que o livro já esta à venda pela internet. Aqui você encontra tudo direitinho.
Preciso dizer que recomendo?
PS: E, no final, não é que adorei o título? Muito sutil.
por Isabella Ianelli em 23/07/2009 | arte e cultura | 3 comentários
Na caixa de entrada, um e-mail não lido. Você clica e lê sua relação desmoronando. Assim foi com a artista francesa Sophie Calle. Como tantas outras mulheres, ela recebeu um e-mail de rompimento. A diferença: fez disto arte e graça.
Como todas, Sophie não entendeu o motivo. Entre algumas razões e frases que a superestimavam, ele queria é dar um ponto final no relacionamento. Como tantos, usou a velha tática de você é boa demais pra mim. E terminou com a frase que dá nome à exposição no Brasil: Cuide de você.
Sophie queria entender a carta, destrinchar frase por frase, cada palavra, cada expressão, cada uso das aspas. Queria todas as interpretações possíveis para aquele escrito. Então, conseguiu 107 mulheres para tanto (entre “elas” uma papagaia e duas marionetes).
Na exposição, entre vídeos, fotos e interpretações por escrito, as explicações sinceras e peculiares de mulheres que poderiam ser qualquer uma de nós: uma professora, uma menina de nove anos de idade, uma criminologista, uma adolescente, algumas atrizes, uma bailarina, uma cartunista, a própria mãe de Sophie e mais um mundo feminino que pode ser visto lá no Sesc Pompeia.
Não sei se a exposição será familiar para alguns homens. Mas eu garanto que entrei e me senti em casa. Afinal, que envie o primeiro spam aquela que nunca imprimiu o e-mail de um caso qualquer para reler na cama. Ou que nunca teve que ajudar a amiga a interpretar frase por frase do e-mail recebido. Prática comum entre as mulheres, na exposição me senti apoiando Sophie. Só me fez falta um papel, para deixar também minha interpretação do caso.
Diante de tanto descaso dele, a valorização dela de cada palavra ali colocada. Quase trágico, quase cômico: exatamente como acontece na vida real. Como se cada vírgula dali tivesse um peso que, na verdade, não tem, Sophie, não tem. Ele queria um ponto final, por isso, juntou alguns pretextos. Tudo prático, por e-mail. Enviar. E ela ficou ali, na frente do computador, juntando os cacos.
Num dos vídeos, a própria Sophie lê o e-mail pra gente. Faz graça. Comenta. Em outro, uma mulher, sentada na cama, lê o e-mail impresso. Lê, relê, volta o parágrafo, sussurra, articula bem as palavras, sorri inconformada, dobra o papel e deita para dormir. A cena que provavelmente Sophie protagonizou.
(E quem nunca…?)
por Isabella Ianelli em 13/07/2009 | arte e cultura | 4 comentários
“… o amor nasce nos olhos de quem é feliz…”
Era uma vez uma menina encantada e boba por um grupo (uma banda? uma trupe?) chamado O Teatro Mágico. Ela gostava, gostava muito, cantarolava as músicas em casa, tentava contatos, site, downloads, e-mails. Até que um dia… Um dia, um amigo seu foi a um show e trouxe um cd pra ela. Ah, a menina ficou muito feliz. Muito! Cantava mais ainda, mas ainda não tinha ido a um show deles. Por quê? Vai saber, a menina era também muito estranha! Nem ela sabia.
Um dia, decidiu: olhou a agenda da trupe, respirou fundo, comprou um ingresso e foi encarar seus medos. “E se eu não gostar?”, pensava. “Saio de fininho, por isso, vou sozinha”. A menina era tão estranha, mas tão estranha que não queria ninguém ao seu lado para não ser “influenciada”. É, a menina era também influenciável.
E foi. E amou. E, no fim do show, ficou num misto de timidez e alegria. Foi quando um cara, que fazia parte do grupo, veio conversar com ela. Ela conversou com ele, assim como falou com quase todos e pegou autógrafos e comprou dvds, cds e ganhou (!) um outro. E assim foi embora.
Alguns shows se passaram, a menina já estava curada de seu trauma de não querer ir a shows do grupo e de só querer ir sozinha e, então, passou a convidar pessoas para irem com ela. Nos shows, ela nunca mais viu o cara. Quer dizer, viu sim. Via sempre lá no palco, com seu violino. Ele nunca aparecia para conversar.
Um dia, ele apareceu. A menina, encantada, boba, estranha, influenciável e (também) tola, foi se apresentar novamente. Foi quando o cara disse: “Eu lembro, claro. Conversamos no seu primeiro show. No Sesc Ipiranga, não foi?”. A menina quase não acreditou. Como ele lembrava? Por que ele lembrava? E percebeu que este cara também devia ser estranho…
No show seguinte (sim, foram milhares), ela e o cara sentaram para conversar. Ele falava e ela tentava entender tudo. Ele falava de música, da indústria, contava sua história e a menina lá: toda encantada, boba, estranha, influenciável, tola e atenciosa. Não queria deixar passar uma vírgula. Ela percebeu que, além de tudo, ele era também muito inteligente.
E em meio a muitos shows, muitas conversas, alguns livros trocados, um carnaval “pulado”, uma virada cultural da pesada, três worksaraus, belas músicas, Octopus, muitas histórias, lindos contos, alguns segredos e outras tantas parcerias, a menina viu nascer uma amizade. Por isso, ela se sentiu no direito de pagar o mico de escrever para seu ídolo maior um monte de palavras desconexas só para registrar: FELIZ ANIVERSÁRIO.
Para Galdino, o maior artista que conheço. Um grande amigo que O Teatro Mágico me trouxe. Milhões de motivos mais para continuar sorrindo. E fazendo arte.
Minha eterna admiração… E um imenso “obrigada”! Por tudo.
Bella, Cruella, “True”, ela.
por Isabella Ianelli em 1/07/2009 | arte e cultura | 2 comentários
Neste fim de semana, eu e meu companheiro de aventuras fomos conferir o X Moradias, que o Sesc SP e o Goethe-Institut São Paulo realizaram por aqui. Primeiro ele (o companheiro) comprou os ingressos. Marcado: sábado, às 17 horas, no Sesc Consolação. Como já esperávamos, recebemos crachás de identificação e um detalhado percurso para seguir pelos arredores da Consolação. Como não esperávamos, chovia e não recebemos guarda-chuva. Oito visitas pela frente, nós dois, um roteiro, uma chuva. O que esperar disto? Tudo. Ou nada. Lá fomos nós.
No primeiro apartamento, uma freira nos recebeu com mais duas ajudantes. Estava depilando o buço. Sim, tudo para fazer com que a gente se sinta exatamente dentro da intimidade de alguém que não conhecemos (mas parece que sim), que não sabemos se é real (será uma atriz?), exatamente num lugar de São Paulo por onde passamos quase todos os dias. Um lugar tão público e (agora) tão privado. A freira nos contou sua história e nos sugeriu que vestíssemos hábitos e posássemos para algumas fotos. Topamos, claro. Eu me identifiquei com a vestimenta, mas quase terminei o namoro quando olhei pro lado… Já na porta, recebemos da freirinha uma lembrancinha, um Deus te abençoe e um discreto aperto no traseiro. Interessante.
Chegamos na segunda casa. Um casarão abandonado. Uma mulher, Juliana e seu filho de, no máximo, sete anos, nos receberam. Visitamos o casarão. Várias famílias divididas em quartos. Ela nos contou que acolhe por lá quem não tem casa e que prioriza mulheres com crianças. Entramos numa sala em que, na tevê, Juliana contava sua história e citava a morte do marido no casarão. Um homem mal encarado passou pela gente. Será? Será que é real, que é ficção? Que ele foi contratado pra ficar encarando os “espectadores”? Será que a Juliana é atriz? Que o Mateus não é seu filho, mas sim um desses talentos precoces? Que o menininho calcula todos seus movimentos, que foi contratado para deixar o chinelo cair de seu pé de vinte em vinte segundos?
Chegamos na terceira casa e eu me espantei. Didi nos recebeu. Simpática, disse que o Gui tinha dito que estávamos chegando (?), que era pra ficar à vontade. Uma república. Entramos no quarto de um dos meninos. Ele estava no orkut, Didi nos contou que eles estavam escrevendo um artigo sobre Pedagogia Libertária e nos convidou para assistir a um documentário, Terráqueos. Depois de alguns minutos, outros papos e algumas pessoas a mais no quarto, entre elas uma menina grávida, Didi disse que a gente já podia ir, que o Gui não ia, que sei lá o que. Sim, eu tive a certeza de que ela ia com a gente: se preparou, nos chamou.“Talvez seja parte do percurso, passar numa casa real e andar com uma pessoa para quem tudo será supresa também…”, pensei. Em menos de dez minutos ela tinha se tornado minha amiga: vegetariana, simpática, bonita, pedagoga. Eu já cogitava a possibilidade de frequentar semanalmente aquela república repleta de adesivos pró-vegetarianismo, roupas penduradas em varais improvisados e estudantes revolucionários. Foi quando a grávida passou mal. Desespero, pânico. Didi nos expulsou. Disse que era pra gente ir, que eles iam ficar bem. Meu namorado tentou: “Posso ajudar?”. “NÃO! NÃO! Vai, vai, vai…”, berrava minha quase amiga de infância. Saímos boquiabertos. Sem chão. Uma estrutura se ergueu e foi destruída em doze minutos. Mas era tudo tão real… Olhamos no programa: era a casa em que estavam os atores do CPT. Ah, entendemos tudo. Minha casa predileta.

Uma flor, não? Conheci como Didi, mas descobri que se chama Nara Chaib Mendes: danada, me enganou direitinho!
Na quarta casa, um escritório, um homem que falava alguma língua incompreensível nos atendeu na porta. Pediu nossas identidades e entregou para um outro homem, este mascarado. Nos pediu para pegar um ovo cada um e marcar nossas digitais ali. Tudo compreendido por meio de mímicas, esforços e deduções. O mesmo homem, muito simpático, nos levou para uma sala lá atrás. Algumas instruções estavam escritas: escrever nas paredes nome, idade, e-mail, profissão, cidade etc. Quando terminamos, ele apareceu. Tinha fritado os ovos, um para cada um e trouxe um pão. Colocou a mesa, nos serviu vinho. Sentamos, comemos e conversamos numa língua comum a todos que ali estavam. Uma língua qualquer.
Quinta parada. Uma academia de boxe. Não uma qualquer: uma academia embaixo de um viaduto. Conhecida como Projeto Viver ou Cora Garrido Boxe, aulas de boxe são dadas gratuitamente ali, num lugar em que nunca alguém poderia imaginar. Um lugar que passou por transformações sociais depois desta iniciativa e que eu nem sabia existir em São Paulo. Assistimos a um trecho de um documentário e fomos para a próxima etapa.
Entramos no sexto apartamento, fomos para o quarto. Muitos copos de plástico dispostos numa mesa e no chão, todos com nomes. Uma moça dentro do quarto. Não nos dirigiu uma palavra, apontou a cama. Sentamos. “Querem água?”, perguntou. Aceitamos. Pegou dois copos, encheu de água, nos deu. Disse: “Vou contar uma história.” e deu o play no computador. Ouvimos a história de um cara. Acabou. Ela nos pediu para contar também. Contamos. Meu namorado ganhou uns dois mil pontos comigo ao contar a história de como nos conhecemos. Ela gravou. Anotou nossos nomes em pedaços de fita-crepe, colou nos copos, tirou um sarro da história que ele contou e nos dispensou.
Na sétima casa, uma instalação no andar de baixo. Projeções de uma mulher em diversas posições em cima de um sofá. Subimos. No quarto, a mesma arrumava o armário, separava as coisas do marido e os presentes recebidos: acabou o casamento de oito anos. O motivo não foi muito bem explicado. Aconselhei a tentar mais uma vez, mas ela não quis ouvir. Vai entender…
Por fim, a última parada. Uma pessoa me colocou na porta da frente da casa, um sobrado lindinho numa rua com cara de bairro, no centrão de São Paulo. A mesma pessoa orientou meu companheiro de aventuras a entrar pela porta dos fundos. Recebi um celular tocando. Juliana, denunciava o aparelho. Uma mulher com um forte sotaque falava do outro lado da linha e disse que, a partir daquele momento, aquela era a minha casa e eu era a Juliana. Então eu entrei na casa, conheci minha vida e, quando não entendia, perguntava a ela: “Tem uma revista em alemão em cima da cama. Eu leio alemão?”, “Massss ê claro, Xu! Você ê alemã!”. A Juliana original foi conduzindo meus passos enquanto o Gui, marido da Juliana, conduzia os passos do meu namorado. “Coloque o CD para tocar”, o Gui dizia. “Passe a mão no cabelo dele”, falava a Juliana. E então, neste teatro de marionetes, nos olhamos, dançamos, olhamos pela janela e o Gui e a Juliana contaram: três, dois, um. Puf. Acabou a música. Ligação encerrada. Como um sonho.
Tudo isso para dizer: o que é real, o que é inventado? Serviu para mostrar que “life is not but a dream”, como ele sempre diz. As pessoas na rua: quem monitorava nossos passos? Sim, tinha gente fazendo isso. Mas quem? Como saber? Parece um sonho. Porque é. Não é? Os atores do CPT me colocaram no universo mais real do mundo. A história que contei para a menina da água podia ter sido inventada. Ela não perguntaria. Porque já sabe: é um sonho! Este povo sempre sabe.
por Isabella Ianelli em 30/06/2009 | arte e cultura, cotidiano | 13 comentários
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