Distrital
Ontem fui a um parque aqui da Mooca que conheço pelo nome de Distrital. O Distrital foi o parque da minha infância: lembro de freqüentá-lo, principalmente, com meu pai. Lembro do parquinho, de andar de patins com minhas primas, das brincadeiras com bola com minha irmã, das caminhadas com meu pai, de ficar de cabeça para baixo no trepa-trepa, do vô Rubens dizendo que isso não fazia bem e de acreditar nisso até pouco tempo (até me apaixonar pelo circo e adorar contrariar a gravidade).
Muito bem. Pois foi o circo que me levou de volta ao local. Fiquei sabendo que o Distrital oferece aulas de circo de graça pela manhã. Então, buscando melhorar minha performance circense e fazer aulas também no período da manhã, lá fui eu em busca da lona e sonhando com o picadeiro.
Quando cheguei no Distrital… Meu Deus! Tudo veio à tona! Lembrei do meu pai jogando bola por lá… Vi o trepa-trepa! Tantos lugares que ficaram na minha memória… Tantos outros que não me recordo…
Enfim, a experiência foi incrível. Apesar do alto teor sentimental do lugar, achei tudo com cara de abandonado. O parquinho, os jardins, os espaços, as quadras.
Quando entrei na administração, então! Pensei que tivesse voltado uns 30 anos no tempo. Atrás do balcão, uma senhora muito gorda datilografava em uma máquina de escrever antiga enquanto fumava compulsivamente. A decoração do lugar, seus arquivos com cara de poeira: tudo denunciava o abandono. Um senhor magro (bem magro) e simpático me recepcionou e melhorou minha impressão.
Mas voltei pra casa indignada: tanta coisa boa por lá, por que tudo está tão abandonado? Será que foi só impressão minha? Fiquei com vontade de ajudar, trabalhar lá (acredita?), pensar em projetos para o local…
Quanto ao circo, estou esperando as aulas de lá voltarem. Mas não vejo a hora de voltar a freqüentar meu parque da infância.
Oito anos
Hoje na Ilustrada saiu uma matéria sobre uma pesquisa que afirma que o espectador brasileiro prefere filmes dublados. Vi um comentário espantado num blog e pensei nisso durante o dia. Também não gosto de filmes dublados, mas me lembrei da primeira vez que assisti a um filme legendado.
Eu tinha oito anos e assisti ao filme “Minha vida”. Pelo que me recordo, conta a história de um homem que luta contra o câncer enquanto sua mulher está grávida. Temendo não conhecer o filho, ele faz um vídeo para que, um dia, mostrem a ele. Adorei o filme e me emocionei que nem gente grande, apesar da pouca idade.
Na época do VHS você escolhia alugar um filme legendado ou dublado. Este, meus pais alugaram legendado e, como eu estava na sala, eles me encorajaram a assistir e lá fui eu, morrendo de medo.
Este foi o marco, por isso me lembro até hoje. O fato é que fiquei pensando… Oito anos de idade. Algumas crianças são alfabetizadas nesta idade! Isto não diz nada, já que muitos educadores consideram importante que a criança amadureça antes de ser alfabetizada. Mas confesso que me espantei: oito anos e eu consegui entender e ler um filme, sem pausas, conciliando imagem, som e legenda? Uau. Estou orgulhosa dos meus oito anos de idade!
Esse tal…
Meu namorado que me desculpe, mas eu tenho alguma coisa com esse tal de Ivam Cabral…
Ele postou em seu blog um texto com o título: “Sou ou não sou um cara feliz?”. Apenas comentei, tiete que sou:
[isabella] ora, ivam…! eu é que sou feliz! veja só: sou chamada de linda pelo meu ídolo… ! sou sua fã… já disse isso? grande beijo… 27/08/2008 00:50
RESPOSTA: isabella, você é incrivelmente linda e disse antes: sou teu fã.
RESPOSTA: isabella, você é incrivelmente linda e disse antes: sou teu fã.
Ai, alguém me segura: primeiro “linda”, depois “incrivelmente linda”… E agora ele é meu fã? Mas ele é o IVAM CABRAL…
Ai.


