Sobre nomes

Olívia, Valentina, Manuela, Eduarda, Júlia. Pedro, Elias, Antônio, José, João. Clara, Ana, Maria, Elisa, Luísa, Laura…

Um destes certamente pode ser o nome de sua avó ou de seu avô. Ou de uma tia, ou de um parente mais distante. No entanto, com poucas exceções, acredito que estes nomes não eram de seus primos ou estavam tão presentes quando você se formava na escola. Da educação infantil (ou da pré-escola) ao ensino médio (ao colegial), os nomes que te cercaram devem ter sido outros.

Na minha trajetória escolar, sempre fui a única Isabella do colégio – inteiro! Quem precisava do sobrenome para completar a identificação eram as Gabrielas, Julianas, Carolinas, Fernandas, Danielas, Lucianas… Assim como os meninos com os nomes de Bruno, Rafael, Gabriel, Rodrigo, Tiago… Isabella agora é um nome da moda, mas há uma crescente mudança para nomes mais – digamos – antigos, como os citados lá em cima.

Hoje, alguns destes nomes que eram comuns quando eu estava no colégio, continuam nos cartórios e nas escolas de educação infantil, no entanto, em menor escala. Aliás, é através do meu trabalho com crianças que, informalmente, acompanho os nomes da moda. Não sei por que, mas gosto do assunto. Tanto que, aos oito anos de idade, fiz minha mãe comprar o livro Que nome darei ao meu filho? e o estudei minuciosamente. E se você também tem curiosidades acerca, não precisa se precipitar e comprar um livro feito para gestantes, pode conferir este ranking de nomes registrados, dividido pelo período que você escolher.

É difícil saber exatamente qual nome está na moda, porque estes tipos de ranking nos dão os nomes mais comuns levando em conta várias classes sociais de vários locais do país. E, na prática, não é bem assim que a coisa funciona.

Faz pouco tempo, li o livro Freakonomics, que trata de diversos assuntos de uma maneira curiosa, com um ar de economia excêntrica para leigos.

Em um dos capítulos, os autores do livro, através de uma longa pesquisa, constataram que quem dita a moda no mundo dos nomes não são os mesmos que ditam a moda na nossa vida. Por isso, no auge da carreira de Michael Jackson, o registro pelo nome de Michael não cresceu nos Estados Unidos. Trazendo isto aqui para terras brasileiras, podemos lembrar do nascimento da filha de Xuxa, Sasha. Um nome estranhíssimo, escolhido por uma super estrela do nosso povão, que cogitamos que poderia virar moda. E não virou.

Que tal Madonna?

Mas por que isso? Quem dita a moda dos nomes? Os autores explicam que não são as celebridades. São aqueles que têm emprego, carro do ano, vida confortável e que estão próximos a você. Logo, quem dita a moda dos nomes é a classe média, dita alta.

E como a coisa funciona? Simples. A classe média elege alguns nomes para sair do comum. Olívia, Valentina, Eduarda, Antônia. No início, a coisa não pega para todo mundo. Estes nomes ficam sendo mais elitizados. Após dez anos, como num passe de mágica, eles são vistos na lista dos nomes mais registrados pelas outras classes sociais.

O livro exemplifica tudo com listas de nomes mais comuns nos Estados Unidos. Não dá aquele clique na gente, porque não estamos em contato com estes nomes cotidianamente, mas é muito simples passar esse raciocínio pra cá.

O engraçado é que, quando a moda pega para as outras classes, a classe média alta perde o interesse pelos nomes e procura por outros para batizar seus pimpolhos. Exatamente como acontece com todas as outras coisas da vida.

Eu não sei escrever

Todo fim de texto é uma delícia. Checo tudo, coloco a imagem, releio e pronto. Hora de apertar o botão mais esperado da semana: publicar.

Aí é como terminar de fazer as provas semestrais e emendar as férias de julho. Sem nem saber o resultado, já me sinto de férias.  A diferença é que esta sensação de alívio, de trabalho cumprido e de tempo para viver dura apenas cinco dias.

E não é porque tenho muitos leitores, porque ganho dinheiro com este pobre blog (aliás, ei, mídias sociais, me deem uma chance!), porque me cobram, porque me mandam e-mail dizendo que sentem minha falta, porque tenho que inaugurar a cara nova do blog. Não. É pelo mesmo motivo que sinto culpa toda tarde que saio do colégio no meu intervalo e vou tomar um café digno na mesma rua, com um super bolo de chocolate ou alguma coisa doce que seja super.

Por alguma razão desconhecida, meu inconsciente associou que toda vez que saio para tomar café (aliás, um super café), eu boicoto corpo e alma com cafeína, açúcar, gordura e conservantes. É, eu sei, seria mais fácil e saudável comer uma manga na sala dos professores, mas eu não consigo. E isso complica ainda mais o caso, porque além de culpada, me sinto incapaz de reverter a situação.

Assim, além de que não necessito de cafeína, açúcar e gordura (o que é uma tremenda mentira), meu inconsciente decidiu também que eu tenho que escrever um post por semana. Acontece que tem dias (e tem semanas também) que as ideias surgem e somem, que nada se conecta, que textos começam e nunca terminam, que as palavras parecem fazer complô contra as minhas ideias. Nada sai de dentro da minha mente. Aliás, sai sim e, na tela do computador, fica sofrível.

É por isso que, às vezes, eu não posto. Não, não é porque eu estou fechando negócios milionários, nem porque as dezenove crianças durante a tarde andam consumindo boa parte da minha energia (bem, neste caso, é…). Enfim, também não é porque estou bolando um texto incrível e  muito menos porque não quero cansar meus três leitores assíduos (pai, mãe e namorado – ooooi, gente! Namorado? NAMORADO?).

Não. Saibam que é, simplesmente, porque eu não sei escrever. E durante este tempo, a ausência de um texto neste blog toma conta da minha mente. Penso em ouvir conversas alheias e nada de interessante sai, tento ver um filme e ele até é ótimo, mas as palavras fogem assim que tento formalizar qualquer pensamento.

Aí, uma novela mexicana se instaura em minha mente e eu começo a pensar em como vou explicar para as pessoas o abandono do blog. Meu próprio inconsciente (canalha!) sugere desculpas: diga que está focando em outras coisas, fale que o design era muito infantil, diga que a onda agora é Twitter, fale que você não é deste tipo de gente que se expõe na Internet.

A boa notícia é que, geralmente, a crise passa e eu volto a escrever – mediocremente. Mas volto.

PS: Agradecimentos eternos ao Gustavo Gitti, vulgo meu namorado, que arduamente trabalhou como web designer deste blog e terminou colocando lá em cima uma das fontes do projeto Unique Types, que apoia a AACD. As fontes são grátis e, utilizando-as, você ajuda a divulgar a instituição!

Ovo surpresa

Eu quebrei um ovo. E o que vi logo em seguida não foi o comum: clara e gema. Vi um pintinho. Parece absurdo, mas sim: era o feto de um pintinho. Um feto que, quando te pega despreparada, te faz repensar o fato de você comer óvulos de galinha e até mesmo a questão do aborto feito em nós, seres humanas.

Eu estava fazendo um brigadeirão e acabei fazendo um aborto. Na verdade, na geladeira há dias, é quase certo que o projeto de galo ou de galinha que eu despejei num copo (como parte da minha política de segurança para não estragar a receita toda) já estava, digamos assim… Inviabilizado.

Já passava das onze horas da noite, eu tinha jantado há pouco e, ao ver uma lata de leite condensado no armário, bem ao lado de uma caixinha de creme de leite, não tive dúvidas e botei a Amélia para funcionar. Em alguns segundos, já tinha apanhado estes ingredientes mais o achocolatado e… Sim, os ovos.

Foi o segundo. Eu quebrei e vi o feto. Queria ter fotografado, para dividir a cena aqui. Mentira, não dividiria. Não era um embrião, já estava consideravelmente formado e era do tamanho de uma gema. Eu queria era ter filmado meu rosto no momento exato da quebra do ovo e da surpresa para entender a reação que tive, porque foi muito cruel. Contraí todos os músculos da face ao mesmo tempo – tenho quase certeza. Não tive tempo de ponderar em qual lixo jogar o ser ali em formação. Ou devia ter enterrado o pobre?

A explicação para o caso vem para te deixar com menos receio de se meter com ovos na cozinha. Os ovos da minha casa vêm todos da casa do meu avô, no interior. E apesar de ter brincado boa parte da minha infância dentro do galinheiro dele, eu não entendo nada deste sistema complexo instaurado por Seu Chiquinho, Dona Ina e todos os criadores de galinha deste mundo. Algumas galinhas (escolhidas pelo meu avô) chocam seus ovos. Das que não chocam, os ovos são retirados dos ninhos. Diariamente.

Eu não consigo entender muito bem como meu avô faz o controle de fecundação do galinheiro. Aliás, eu imagino que ele não o faça. Tem como controlar galos e galinhas o dia todo? Não, né? Logo, deduzo que comemos, sim, alguns ovos fecundados. Porém, que não foram chocados.

Enfim, o episódio aconteceu porque meu avô está passando uns dias aqui em São Paulo e seu galinheiro está sendo tratado por outra pessoa que, provavelmente, não tem a mesma familiaridade com as galinhas e seus ninhos. Certamente a pessoa foi pegar os ovos para mandá-los pra cá e pegou também os que estavam sendo chocados.

Ok, eu achei um. A moça que trabalha aqui em casa me contou que achou três – coitada. Mas meu avô disse que nove ovos estavam sendo chocados. Logo, ainda temos cinco surpresinhas na geladeira da minha casa. Alguém se habilita?

Enquanto os ovos desta leva não se acabam, ando procurando poesia em ovos para não me traumatizar, já que, em receitas, não consigo nem pensar. Andei frequentando o Flickr alheio e vi muita coisa boa por lá. Tem fotógrafo que ama ovo, corre lá: busque por “egg” e dê uma olhadinha na arte alheia enquanto tira esta história da cabeça.

A arte de bisbilhotar

Estava eu me preparando para o início de mais uma aula no curso em que estou fazendo.

Aliás, começo de curso é um desespero, não é? Você ainda não achou sua turma, teme ter sentado ao lado daquelas pessoas estranhas e passar a fazer parte da turma delas etc e tal. No entanto, eu não tenho medo de não pertencer a turma nenhuma. Prefiro chegar e ler ao invés de tentar resumir minha vida em quinze palavras para a colega da mesa do lado.

Além da leitura, tenho um hobby muito interessante e que me rende boas gargalhadas internas: gosto, adoro, amo prestar atenção nas conversas alheias. Assim, deste jeito que você também faz: faço cara de paisagem, foco o olhar no livro à minha frente, viro páginas. Sou tão boa atriz que, vez ou outra, paro, olho para frente e suspiro, enquanto murmuro algo incompreensível fingindo me referir à minha leitura.

Tenho técnicas porque, realmente, o resultado de se empenhar para ouvir a conversa que acontece ao lado sempre rende boas lições. Mas é preciso ter persistência, um ouvido apurado e a capacidade de transmitir o diálogo com fidelidade aos seus futuros ouvintes — sim, às vezes, reconto a história ouvida, o que torna a coisa ainda mais interessante.

Eu daqui a alguns anos...

Muito bem, eu estava sentada na primeira fileira, quando ouvi uma destas tentativas incessantes de amizade na fileira de trás. Eram três mulheres que tentavam resumir suas vidas (e parecer interessadas nas vidas alheias) e que, a cada quatro frases, tinham que repetir: “Qual seu nome mesmo?”.

Até aí, tudo bem, eu não me intrometeria por pouco nessa história, não é mesmo? O papo passou de aula para professor, depois para professor que tem “voz de travesseiro” e chegou à experiência de uma das três do grupo. Ela contou sobre um professor que teve na ECA (plim!, fez um sino dentro de mim), muito velhinho (plim, plim!), que era ótimo, mas que às vezes tinha “umas piadinhas de velho” (?).

O ponto é, caro amigo leitor que gosta de forçar amizade no começo do curso: ela nem conseguiu elaborar uma argumentação. Colocou o pobre do professor ali, no meio da conversa, só para registrar na cabeça das colegas um acontecimento: ela fez ECA.

Eu já estava atenta às características do professor que fazia “umas piadinhas de velho”, quando ela continuou a descrevê-lo:

— Ele tem uma biblioteca particular e empresta livros pros alunos! — Nada de novo, pensei, afinal, qualquer professor da USP tem uma biblioteca particular e facilmente empresta seus livros aos mais interessados.

— Ah, eu sei quem é! Ele morreu e doou seus livros pra USP, não é esse?

Neste exato momento, posso afirmar que já imaginava qual desfecho a conversa teria. Sim, porque quem morreu e doou sua biblioteca pessoal para a USP e tornou este fato uma grande notícia no ano passado, foi o bibliófilo José Mindlin, que era velhinho e que, por sinal, nunca foi professor da universidade.

Tirei o cabelo das orelhas, me aconcheguei na cadeira e continuei mais concentrada do que nunca em minha árdua tarefa de bisbilhoteira. Foi quando veio a resposta da ECAna:

— Nossa, não acredito! O CLÓVIS GARCIA MORREU?

Internamente, eu ri. Minha alma se contorcia por dentro. Em respeito ao Clóvis Garcia, grande personalidade teatral (que não, não morreu, nem doou seus livros), me contive e esperei o engano ser explicado:

— Morreu, morreu sim! Não sei o nome, só sei que era bem velhinho e tinha uma biblioteca particular…

— Deve ser ele…

— Ele tinha coisas do tipo… Machado de Assis manuscrito…

— Ai, olha, pode ser, viu? Porque ele contava cada história… De vezes que saiu pra conversar e beber com Nelson Rodrigues!

Muito bem, a partir deste momento, nossa ECAna passou a se referir ao Clóvis Garcia no passado. Começou a contar como ele era um ótimo professor. Tudo sofrido, lamentado, afinal, ele morreu ali, na conversa dela. E o plim, plim, plim! do sino que ressoava dentro de mim passou a fazer BLEN, BLEN, BLEN!

Eu tinha que interferir naquela história, tinha que dizer que o Clóvis Garcia está vivinho da Silva, que quem doou os livros foi um grande empresário, tinha que perguntar se elas não liam jornal, tinha que dizer que o Clóvis Garcia foi jurado na apresentação de uma peça de teatro que eu fiz e tinha que contar que ele disse que o autor da peça não merecia meu talento — desculpa aí, Miguel Falabella!

Eu tinha, eu bem que poderia. Porém, a arte de bisbilhotar requer discrição. Requer fidelidade ao seu papel: não assumir nunca que estava futricando e, principalmente, não envolver pesquisador com pesquisados. Se você se envolve, não tem post para escrever.

Eu poderia ter feito um parenteses e ter deixado as garotas da fileira de trás mais informadas. Poderia, sim. Mas, como sou antissocial, não fiz. Como sou bisbilhoteira nata, não fiz. Como gosto de ver o circo pegar fogo, não fiz.

Deixei as três lamentando a morte de alguém que está vivinho da Silva.

Isabellices no PapodeHomem

Sim, nesta semana, eu apareci no PapodeHomem para dar pitaco em como você tempera sua Guacamole.

A minha Guacamole

Não, eu não entendo muito do assunto, mas já andei amassando muito abacate na vida e aprendi alguns truques básicos e uma receita ótima. Aí, meu namorado, que é editor daquele blog repleto de homens esfomeados, sugeriu a pauta, tirou foto e me convenceu a fazer um texto animadinho.

É claro que o texto foi manipulado pelo editor engraçadinho. Basta ler o título, que obviamente não condiz com minha realidade  e observar atentamente minha expressão ao experimentar a Margarita feita por ele (está na última foto do post de lá, que eu me recuso a reproduzir aqui porque realmente não me favorece).

Isabella escolhe: abacate comum ou avocado?

Além de ter me feito passar uma grande vergonha, o texto serviu para mostrar meus dotes culinários, pouco apreciados neste espaço. Veja aqui minha pose versão Amélia e não vá para o blog do PapodeHomem se quiser manter esta versão pura e ingênua em sua mente:

Eu que fiz!

O resultado da receita eu garanto que é muito bom. Tanto que minhas próximas ambições na cozinha são aprender a fazer um ótimo Frijoles e, finalmente, começar a produzir meus próprios Nachos. Uma mexicanazinha, praticamente.

PS: Esta semana também participei do blog Frases de crianças, descrevendo uma situação com um aluno meu. É só a primeira de muitas aparições por lá, porque criança tem cada pérola… Aliás, leia o blog e se divirta.

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