Neste fim de semana, eu e meu companheiro de aventuras fomos conferir o X Moradias, que o Sesc SP e o Goethe-Institut São Paulo realizaram por aqui. Primeiro ele (o companheiro) comprou os ingressos. Marcado: sábado, às 17 horas, no Sesc Consolação. Como já esperávamos, recebemos crachás de identificação e um detalhado percurso para seguir pelos arredores da Consolação. Como não esperávamos, chovia e não recebemos guarda-chuva. Oito visitas pela frente, nós dois, um roteiro, uma chuva. O que esperar disto? Tudo. Ou nada. Lá fomos nós.
No primeiro apartamento, uma freira nos recebeu com mais duas ajudantes. Estava depilando o buço. Sim, tudo para fazer com que a gente se sinta exatamente dentro da intimidade de alguém que não conhecemos (mas parece que sim), que não sabemos se é real (será uma atriz?), exatamente num lugar de São Paulo por onde passamos quase todos os dias. Um lugar tão público e (agora) tão privado. A freira nos contou sua história e nos sugeriu que vestíssemos hábitos e posássemos para algumas fotos. Topamos, claro. Eu me identifiquei com a vestimenta, mas quase terminei o namoro quando olhei pro lado… Já na porta, recebemos da freirinha uma lembrancinha, um Deus te abençoe e um discreto aperto no traseiro. Interessante.
Chegamos na segunda casa. Um casarão abandonado. Uma mulher, Juliana e seu filho de, no máximo, sete anos, nos receberam. Visitamos o casarão. Várias famílias divididas em quartos. Ela nos contou que acolhe por lá quem não tem casa e que prioriza mulheres com crianças. Entramos numa sala em que, na tevê, Juliana contava sua história e citava a morte do marido no casarão. Um homem mal encarado passou pela gente. Será? Será que é real, que é ficção? Que ele foi contratado pra ficar encarando os “espectadores”? Será que a Juliana é atriz? Que o Mateus não é seu filho, mas sim um desses talentos precoces? Que o menininho calcula todos seus movimentos, que foi contratado para deixar o chinelo cair de seu pé de vinte em vinte segundos?
Chegamos na terceira casa e eu me espantei. Didi nos recebeu. Simpática, disse que o Gui tinha dito que estávamos chegando (?), que era pra ficar à vontade. Uma república. Entramos no quarto de um dos meninos. Ele estava no orkut, Didi nos contou que eles estavam escrevendo um artigo sobre Pedagogia Libertária e nos convidou para assistir a um documentário, Terráqueos. Depois de alguns minutos, outros papos e algumas pessoas a mais no quarto, entre elas uma menina grávida, Didi disse que a gente já podia ir, que o Gui não ia, que sei lá o que. Sim, eu tive a certeza de que ela ia com a gente: se preparou, nos chamou.“Talvez seja parte do percurso, passar numa casa real e andar com uma pessoa para quem tudo será supresa também…”, pensei. Em menos de dez minutos ela tinha se tornado minha amiga: vegetariana, simpática, bonita, pedagoga. Eu já cogitava a possibilidade de frequentar semanalmente aquela república repleta de adesivos pró-vegetarianismo, roupas penduradas em varais improvisados e estudantes revolucionários. Foi quando a grávida passou mal. Desespero, pânico. Didi nos expulsou. Disse que era pra gente ir, que eles iam ficar bem. Meu namorado tentou: “Posso ajudar?”. “NÃO! NÃO! Vai, vai, vai…”, berrava minha quase amiga de infância. Saímos boquiabertos. Sem chão. Uma estrutura se ergueu e foi destruída em doze minutos. Mas era tudo tão real… Olhamos no programa: era a casa em que estavam os atores do CPT. Ah, entendemos tudo. Minha casa predileta.

Uma flor, não? Conheci como Didi, mas descobri que se chama Nara Chaib Mendes: danada, me enganou direitinho!
Na quarta casa, um escritório, um homem que falava alguma língua incompreensível nos atendeu na porta. Pediu nossas identidades e entregou para um outro homem, este mascarado. Nos pediu para pegar um ovo cada um e marcar nossas digitais ali. Tudo compreendido por meio de mímicas, esforços e deduções. O mesmo homem, muito simpático, nos levou para uma sala lá atrás. Algumas instruções estavam escritas: escrever nas paredes nome, idade, e-mail, profissão, cidade etc. Quando terminamos, ele apareceu. Tinha fritado os ovos, um para cada um e trouxe um pão. Colocou a mesa, nos serviu vinho. Sentamos, comemos e conversamos numa língua comum a todos que ali estavam. Uma língua qualquer.
Quinta parada. Uma academia de boxe. Não uma qualquer: uma academia embaixo de um viaduto. Conhecida como Projeto Viver ou Cora Garrido Boxe, aulas de boxe são dadas gratuitamente ali, num lugar em que nunca alguém poderia imaginar. Um lugar que passou por transformações sociais depois desta iniciativa e que eu nem sabia existir em São Paulo. Assistimos a um trecho de um documentário e fomos para a próxima etapa.
Entramos no sexto apartamento, fomos para o quarto. Muitos copos de plástico dispostos numa mesa e no chão, todos com nomes. Uma moça dentro do quarto. Não nos dirigiu uma palavra, apontou a cama. Sentamos. “Querem água?”, perguntou. Aceitamos. Pegou dois copos, encheu de água, nos deu. Disse: “Vou contar uma história.” e deu o play no computador. Ouvimos a história de um cara. Acabou. Ela nos pediu para contar também. Contamos. Meu namorado ganhou uns dois mil pontos comigo ao contar a história de como nos conhecemos. Ela gravou. Anotou nossos nomes em pedaços de fita-crepe, colou nos copos, tirou um sarro da história que ele contou e nos dispensou.
Na sétima casa, uma instalação no andar de baixo. Projeções de uma mulher em diversas posições em cima de um sofá. Subimos. No quarto, a mesma arrumava o armário, separava as coisas do marido e os presentes recebidos: acabou o casamento de oito anos. O motivo não foi muito bem explicado. Aconselhei a tentar mais uma vez, mas ela não quis ouvir. Vai entender…
Por fim, a última parada. Uma pessoa me colocou na porta da frente da casa, um sobrado lindinho numa rua com cara de bairro, no centrão de São Paulo. A mesma pessoa orientou meu companheiro de aventuras a entrar pela porta dos fundos. Recebi um celular tocando. Juliana, denunciava o aparelho. Uma mulher com um forte sotaque falava do outro lado da linha e disse que, a partir daquele momento, aquela era a minha casa e eu era a Juliana. Então eu entrei na casa, conheci minha vida e, quando não entendia, perguntava a ela: “Tem uma revista em alemão em cima da cama. Eu leio alemão?”, “Massss ê claro, Xu! Você ê alemã!”. A Juliana original foi conduzindo meus passos enquanto o Gui, marido da Juliana, conduzia os passos do meu namorado. “Coloque o CD para tocar”, o Gui dizia. “Passe a mão no cabelo dele”, falava a Juliana. E então, neste teatro de marionetes, nos olhamos, dançamos, olhamos pela janela e o Gui e a Juliana contaram: três, dois, um. Puf. Acabou a música. Ligação encerrada. Como um sonho.
Tudo isso para dizer: o que é real, o que é inventado? Serviu para mostrar que “life is not but a dream”, como ele sempre diz. As pessoas na rua: quem monitorava nossos passos? Sim, tinha gente fazendo isso. Mas quem? Como saber? Parece um sonho. Porque é. Não é? Os atores do CPT me colocaram no universo mais real do mundo. A história que contei para a menina da água podia ter sido inventada. Ela não perguntaria. Porque já sabe: é um sonho! Este povo sempre sabe.
por Isabella Ianelli em 30/06/2009 | arte e cultura, cotidiano | 13 comentários
Ou: por qual motivo as pessoas entram neste blog?
Futricando as estatísticas deste blog, cheguei à conclusão de que as pessoas entram aqui por motivos diversos. Podemos, inicialmente, separar dois casos. O primeiro é o abrangente grupo de familiares, amigos, conhecidos e semi-conhecidos, que entra neste blog pelo orkut, através de um link no twitter ou em um blog em que estou linkada ou digitando o endereço e – pronto! – chegou.
O segundo caso é o de pessoas que caem por aqui porque procuravam por alguma coisa no google. O top six das procuras, as que mais atraem leitores para este humilde blog são:
1) O que significa liberdade. Preciso confessar: eu também não sei! Escrevi alguma bobagem por aqui, eu sei, aí vocês olham no google, pensam que pode ser a última esperança de tirar 10 naquele trabalho de Ética e Cidadania e leem. Mas eu também não sei. Sugiro que todos que procuram pela resposta deixem um comentário no texto. Podemos publicar um livro com grandes asneiras dentro em breve.
2) O que significa Isabela. Sim, meu nome é com dois L, eu sei, mas a procura é, quase sempre, pelo nome assim. Eu poderia escrever o que sei do meu nome. Enfim, o que eu sabia até os dezessete anos, porque depois fiquei confusa. Fui aluna de Jean Lauand na universidade e ele me deu uma aula sobre a bíblia, citando cada aspecto do meu nome. Creio que ele disse, depois de uma longa história, que Isabella significa: Deus cumpriu sua promessa. Acreditei, claro, ele me deu muita base. Até que conheci o padre Líbero, grande amigo da minha família, que toda vez que aparece na casa dos meus avós me dá outra resposta. Diz que Isabella é consagrada a Deus, de Deus, presente de Deus. Enfim. Antes mesmo de conhecer o padre, dei esta explicação para Lauand e ele (gentilmente) riu da minha cara. O que importa para vocês, futuros papais que aqui caem: Isabella (assim, com dois L) é o nome que mais é colocado em meninas. Seguido de Giovanna, Ana e Maria, segundo um levantamento que a revista Veja publicou. Não achei o link, mas confirmei os dados trabalhando com educação infantil. Minha dica: procurem por outro nome.
3) Música eu tava triste, tristinho. Coloquei esta frase da música como título de um texto que escrevi para falar sobre o primeiro worksarau do Galdino. Mas, então, não tem mais nada, nadinha da música. Ajudo: é do Zeca Baleiro. Aposto que na mesma pesquisa já aparece a letra. Então, por que vocês entram aqui?
4) Leandro de Lajonquière. A primeira coisa que eu fazia (faço ainda) quando vou começar a ter aulas com alguém é jogar o nome da pessoa no google. Opa. Claro. Quero saber tudo o que a pessoa fez, quero ler referências formais, informais, documentos, textos em blogs: tudo. Então, se você entrou aqui para saber dele, o post está bem completo: ele é o máximo. Ah, a propósito, se você é o próprio Leandro, só acrescento: a parte dos “olhares, casamento, filhos e uma casa com horta” foi escrita para dar mais emoção ao texto. Espero que compreenda.
5) Como amarrar tecido acrobático. Eu amarro do jeito que vi que eles fazem no circo. Não tem um grande truque nem como eu detalhar. Quando fui explicar para meu pai, ele riu. Disse que é óbvio, que é o mesmo jeito de amarrar sei lá o que da pescaria. Então, observe a foto. É simples, não tem erro. E se você nunca viu um tecido acrobático amarrado de perto, pra que vai querer amarrar um na árvore mais próxima? Hein?
6) Mulé burra. Mulé burra é um site ótimo, cheio de relatos incríveis e tal. Escrevi um texto pequeno sobre e, pasmem, sempre tem pesquisa do google caindo aqui. Como assim, gente? Eu procuro por Mulé burra no google, acho o site e entro. O que esse povo vem fazer aqui?
Aguardo ansiosa por mais casos bizarros.
PS: Duas procuras curiosas:
1) Alguém de Portugal procurou no google por “Isabela burra” e caiu aqui. Achei justo.
2) Outro alguém procurou por “homens comendo cadelas” e caiu neste post. Tenho a impressão de que ele não achou exatamente o que procurava…
PS2: Caros meia dúzia de leitores, consegui! Deixei meu blog mais “gordinho”, notaram? Algumas horas de briga com o html, mas consegui. Sozinha. Sou uma gênia!
por Isabella Ianelli em 24/06/2009 | cotidiano | 9 comentários
Estava hoje na academia, concentrada em quantos pesos colocar em tal aparelho, quando noto um rapaz ao meu lado. Sem tirar os fones do ouvido, ouço-o dizer: “Posso te dar meu orkut?”. “Ai, Zizuis…”, pensei, mas não falei. “Ahm, pode…” e ele me deu um papel amarelo, dobrado, em que já tinha escrito tudo. E a cara, né? Que cara a gente faz quando uma coisa dessas acontece? Eu agi naturalmente, claro, coloquei minha melhor cara de: “Imagina, gente, pode continuar a treinar, tô acostumada a trocar orkut na academia…”.
A pessoa saiu, eu terminei de colocar os pesos no aparelho e sentei na cadeira adutora. Sim, esta aqui, em que a gente tem que ficar com as pernas abertas. Fantástico. A cadeira fica estrategicamente localizada em frente à janela da academia. Uma coisa linda: as pernas abertas pra toda rua do Acre ver. E, então, enquanto me posicionava no aparelho (ou seja: abria as pernas), notei que a pessoa estava em seu carro, bem em frente à janela, tentando estabelecer algum tipo de comunicação surdo-muda comigo. Com cara de dor de barriga, fiz que sim com a cabeça sem nem imaginar o que a pessoa disse. E agora tenho um papel amarelo nas mãos e uma decisão a tomar. Me ajudem. Vocês acham que eu devo:
1) Rasgar o papel e mudar de horário na academia;
2) Rasgar o papel e dizer que não tenho orkut ou que meu computador está quebrado (o que é verdade, juro!);
3) Adicioná-lo no orkut, ficar amiga dele e me irritar diariamente por ter que abandonar o Ipod para bater papo durante minhas suadas horas na academia;
4) Dar uma chance ao rapaz, afinal, ele tem as tardes livres, coisa que meu namorado não tem;
5) Adicioná-lo no orkut, marcar de ver alguma peça no Sesc Avenida Paulista, me apaixonar e trocar de namorado.
Conto com vocês.
PS: Agora me ocorreu que não posso adicioná-lo no orkut porque ele vai achar este blog, ler este post e eu vou ficar encabulada.
PS2: É claro que eu escrevi tudo isto com a única e exclusiva intenção de enciumar meu namorado.
PS3: É claro que eu sei que não vai dar certo.
por Isabella Ianelli em 18/06/2009 | cotidiano | 6 comentários
“Da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo…”
Toda vez que ouço esta música, me sinto transportada para o Rio de Janeiro. Mais especificamente: para o bairro do Leblon, dentro de uma novela do Manoel Carlos, Laços de Família. A novela que me fez fã (por pouco tempo, juro!) da Vera Fischer como atriz.
Eu tinha catorze anos e assisti à novela desde o primeiro capítulo. Aquela coisa mpb, bossa nova, livraria, praia, vida calma, voz da Bebel na abertura, poesia recitada,
Gianecchini... Essa coisa toda me consumia.
Lembro pouco do que fiz naqueles meses. Vivi para a novela, tenho a impressão. Comprei a piranha que a personagem da Carolina Dieckmann (que eu odiava, por sinal) usava no cabelo. Já que não conseguia ter os cabelos louros e lisos dela, recorri à outra personagem (bem feinha, por sinal, coitada), que tinha os cabelos enrolados e empastados de creme. Eu fazia igual. Pelo menos alguém daquela novela eu tinha que ser.
É, não vai pensando que é fácil ter cabelo enrolado. A pior parte está aí, aos catorze anos. Até então meus cabelos eram lisos e, de repente, eles resolveram se rebelar.
Como assiiiim, não façam isso comigo, pelamordedeus, não agora que tá passando essa novela em que todo mundo que é bonitinho tem cabelo liso – implorei. Nada. O jeito era assumir. Passava creme, muito creme, quanto mais, melhor. Não dava certo. Também, enquanto a juba o cabelo tentava secar do monte de creme, eu passava as mãos, os dedos, mais creme, enfim, tudo o que uma pessoa com cabelo enrolado jamais deve fazer. Fica a dica para as mocinhas. E para os mocinhos também. Nada de mexer no cabelo ruim da namorada se quiser vê-la bonita. E nada de ver novelas se você está passando por uma fase de transição.
Voltando, eu queria mesmo era ser a Vera Fischer. Bonitona, bem-sucedida, loira, linda, numa vida meio bossa nova e
rock´n roll mpb, a concretização da personagem principal de qualquer livro da Danielle Stell. Isso sim é que é mulé: conquistou o meninão da trama e ainda o cedeu para sua filhota chata.

Linda até sangrando, Veroca! Por isso que eu nem reparava na interpretação…
E, então, toda vez que ouço essa música, lembro deste universo todo. O Leblon em que eu nunca estive, mas sou íntima, meus catorze anos, os dilemas da novela, meu cabelo empastado de creme, o Gianecchini cantando apaixonado e de braços abertos na sua mansão: “Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama…”. Quem aguenta?
PS: Preciso escrever a parte mais bonita da música. Sério, não vou conseguir dormir sem isso: “E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade, meu amor…”. Ai.
por Isabella Ianelli em 17/06/2009 | arte e cultura, cotidiano | 1 comentário
Minha família decidiu passar o feriado em Monte Verde. Muito bem. Eu conheci a cidade quando, em 2005, fomos todos (pai, mãe e irmã) e passamos alguns dias comendo, comprando, comendo e comprando. Não sou muito chegada a compras, mas, sim, sou bem chegada a comidas, então, resolvi ir de novo. Só que desta vez com pai, mãe, primos e respectivas. Ou seja: a vela do grupo.
Em 2005, malandrona no teco-teco e…
…neste feriado: me sobrou um anão.
Logo nos primeiros dias me fiz esta questão: por que é que eu inventei de vir? Sim, a turma é bem animada. Sim, comer é uma delícia. Chocolates aos montes, centrinho lindo, pousada bonitinha, wireless etc. Mas eu odeio frio. Odeio! Meu nariz escorre, não consigo sair da cama nem passear pela cidade sem repetir irritantemente a insuportável frase no mesmo tom: “Ai, que friiiio!” (para mim mesma, claro, já que os casais não me ouviam).
Está certo que fui para Monte Verde com a certeza de que iria conhecer todas as trilhas da região. Assim como os montes, as montanhas, os vales, os rios… Queria estar bem cansada para ir para a cama às 22 horas, felicíssima. Só não pensei que poderia chover durante (quase) o feriado inteiro e isto impossibilitar (quase) todos os meus planos.
Com as trilhas fora da agenda (só fiz uma!), o que nos resta é passear pelo centrinho. Passear e comprar. Eu não tenho muita paciência para compras e sempre acho que posso achar tudo pela metade do preço no Brás. Aí, decido ficar no hotel lendo e sou taxada de antissocial pelo grupo. Pode?
Minha gente, não nasci para fazer excursão. Odeio essa de: vem comprar gorros com a gente, depois compramos luvas para ela, depois meias para ele e blusas pro outro e, então, vamos tomar chocolate com você. Ahhh, não mexam com meu chocolatinho. Gosto assim: galera, cada um no seu quadrado pra um lado e nos encontramos tal hora.
Como se não bastasse, em meio a uma crise de o que é que eu vou ser quando crescer e estando numa fase de férias e balanço de lucros e expectativas, não é que eu encontro, na menor loja da minúscula cidade, minha ex-chefe? Olhando nas prateleiras luvas e cachecóis e roçando (sem querer, hein?) o bumbum com ela, ouço um “Iiiisa?“, com aquela voz que eu bem conheço. Virei já preparada para o golpe.
Ok, absolutamente nada contra a pessoa, muito simpática, educada e tal. Mas eu pedi demissão e ver seu antigo emprego sendo esfregado na sua cara durante a viagem ociosa não é uma coisa muito agradável. É mais ou menos assim: “Saí de lá faz um mês para pensar na vida, você já ganhou mais um salário e eu continuo pensando…”.
Apesar de tudo, Monte Verde é uma graça. Não coma fondue (os dois que já comi por lá são péssimos), escolha bem uma pousada, cuidado para não atolar o carro quando chover (meus dois primos tiveram a proeza de atolar dois carros), não vá sem um par (essa é pra eu não esquecer), leve um livro bom, umas botas para sujar, muita roupa de frio e uma família animada.
No fim das contas, posso dizer que foi bom. Nada paga diversão em família. Valeu a pena o fondue ruim, o frio exagerado, a dona da pousada, a estrada horrível, as irritações que os grupos causam etc e tal. Mas, por favor, me lembrem de não querer voltar para lá tão cedo.
por Isabella Ianelli em 15/06/2009 | cotidiano | 2 comentários