Eu comecei, de verdade, neste mundo dos blogs há pouco tempo. E leiga que sou, para mim, não existia uma hierarquia. Muito menos os(as) blogueiros(as) famosos(as) e o top dez dos(as) blogueiros(as) mais gatos(as). Até então, para mim, blogueiro famoso era o Tico Santa Cruz. E blogueira gata era a Luana Piovani. Assim: primeiro famoso, depois blogueiro. Antes gata, depois blogueira. Até aqui, tudo bem?
E eu comecei este blog sem propósito algum. Como ele continua. Sem linha editorial, bom gosto ou leitores. Sem nada. Eu apenas tinha um blog para escrever o que me desse na telha.
Até que… Bem, como vou explicar? Minha mãe explicaria melhor. Ela diria (não com estas palavras, claro!) que eu tenho a síndrome do palquinho. É, sempre namoro alguém mais ou menos famosinho. Com dezesseis anos, foi o cantor. Cantor da igreja e de uma banda de pop rock, famoséeeeerrimo por aqueles lados (leia-se: conhecido na cidade de oito mil habitantes). O outro famoso foi um ator. Em constante ascensão, claro, mas nada que não o deixasse ser parado na Augusta e no centro o tempo todo: “Ei, você: não fez aquele filme…?”. Fez.
Aí, então, comecei a namorar um blogueiro. Não qualquer um. Um blogueiro famoso. Não, não é um famoso blogueiro. Ao contrário, entende? Antes blogueiro, depois famoso na blogosfera. Pois é, gente, eu nem sabia que isto existia. Juro. Fiquei chocada quando vi a proporção da coisa. Encontros, debates, top dez, concorrências, amizades, pegações.
Querido, só não me esmague, tá?
Depois do início do meu namoro, meus problemas começaram. O que era para ser uma brincadeirinha, virou coisa séria. Afinal, ele passa oito horas produzindo um texto fantástico, vem a sabichona aqui e escreve uma besteirinha pra ninguém ler? Cobrança própria. Depois de concluir que eu não tenho nenhum conhecimento sublime para dividir com ele e com os leitores dele, começou a cobrança dele.
“Isso é feio!”. Isso o que, meu bem? “Letra grande aqui, letra pequena ali. Tem que padronizar…”. Poxa! E eu que achava tão divertido escrever ora com letras pequenas, ora grandes… Fui podada. “Blogspot, argh…”. Mas por que ARGH? Sempre achei tão bom. “Por que não muda para o…?”. Não cedi, claro. Ainda.
Aí, outro problema. As top blogueiras gatas. Eu percebi que muitas não são gatas blogueiras. São blogueiras gatas. Confuso? Assim: algumas nem são tão bonitas. Mas, entre as blogueiras destacadas, são as mais gatas. Resumindo – que eu posso ser sincera neste meu cantinho pouco visitado: algumas são bem mais ou menos. Assim, para serem parte da lista VIP. Mas você acha que eu posso falar isso assim, livremente? Nem tentei para não levar um: “Mas ela é linda…!”. Nem vou tentar.
Fora isso, ah, claro, as leitoras, como não? Mil e duzentas, todas encantadas. Todas caidinhas, como eu pelo Dr. House, eu pelo Leandro, eu pelo… Enfim. Nem ligo. Vira e mexe tem alguma buscando pelo nome dele aqui neste blog. Aqui? Justamente aqui? Aqui só entra isabellice. Nenhum conhecimento sublime, definitivamente.
Por estas e por outras, ando cautelosa nos posts aqui. E feliz dia dos namorados!
por Isabella Ianelli em 11/06/2009 | cotidiano | 4 comentários
O que dizer de alguém que detalhou passo a passo o processo de impeachment do então presidente para a neta? Para a neta de seis anos de idade. O que falar de quem me colocava no carrinho de feira para me levar para a escola? Que me ensinou a gostar de Vargem, de política, de conversar e de ficar quieta? O que dizer de um avô ranzinza o suficiente para fechar a cara quando alguma coisa sai do seu controle e molenga o bastante para chorar por qualquer coisa?
Francisco Tacito. Ele que colocou na minha cabeça que eu seria médica. Ele que nem se importa mais com isso. E que formou uma ranzinzinha no mundo (além da minha mãe): eu. Eu que, quando pequena, saía apagando as luzes da casa. Eu que conto moedinha por moedinha. Que tenho dinheiro guardado, que não gasto com besteira. Que gosto de Demônios da Garoa e de música italiana. Que, às vezes, podo as plantas da casa dele. Não ficam boas, eu sei, mas ele diz que sim. Pega a tesoura e conserta tudo.
Ele que compra berinjela toda semana para mim. Que acorda antes das galinhas. Que adora doces. Que cochila sentado depois do almoço. Que mexe nas sobrancelhas. Que sai espantando os cachorros de dentro de casa. Que ensinou a todos os netos o mesmo batuque: “quem-qué-pão, quem-qué-pão”. Que senta com os joelhos para cima. E que, sem saber, me ensinou a sentar assim também.
Feliz aniversário para o dono do controle remoto! Parabéns, vô Chico!
por Isabella Ianelli em 5/06/2009 | cotidiano | 1 comentário
Não sai daí, minha bonitinha…
Toda quarta-feira janto na companhia de Ronnie Von. Não que eu ache isso adorável. E não que eu o deteste, não é isso. Acho ele agradável, simpático. Tenho a certeza de que seríamos bons amigos. Mas prefiro sempre as segundas-feiras, quando mastigo com o CQC. É que a tevê da cozinha não tem muitas opções e, como estou sozinha, vai este bonitinho da foto mesmo.
Ele e mais um cara, um especialista, que fica na poltrona ao lado da dele falando sobre a programação da televisão. Acho engraçado. É um papo sonso. Enredos das novelas, cenários, fofocas, ibope e e-mails de telespectadores. Fico me perguntando qual é a formação deste cara. Porque se eu passar o dia todo vendo televisão, também consigo falar tudo aquilo que ele fala.
O mais engraçado é que o programa se passa numa das menores emissoras da tevê aberta. E é justamente por isso que eles podem falar abertamente quem tem mais ibope, quem tem menos e o que devia ser feito na programação da tarde dos canais. Como se eles não estivessem na jogada. De certa forma não estão, pois são bem menores. Mas ligue a tevê à tarde neste canal que você notará que tem por lá as mesmas abobrinhas que eles tanto criticam.
por Isabella Ianelli em 4/06/2009 | cotidiano | 2 comentários
- Oi.
- Oi. Esse óculos tá na moda?
- (Risos) Por quê?
- Esse óculos, assim… Grande… Vermelhão… Tá na moda?
- Não sei, por quê?
- Ah, tá na moda, sim. É pra pegar os gatinhos…
- (Risos assustados) …
- Em mulher feia, fica feio. Em você, ficou legal.
- Obrigada!
Confesso que esse diálogo não foi tão bom quanto poderia ter sido. Afinal, assim que vi o mesmo cara no estacionamento, sabia que ele ia dizer alguma pérola que viraria post. Aí, não consegui desenvolver um diálogo: só pensava em onde anotar cada palavra dele para ser fiel à conversa. Na hora em que fui buscar o carro:
- Ficou cinco euros!
- Cinco euros? Cinco euros é caro demais!
- Quantos euros você tem?
- Nenhum.
- Dois milhões de euros tava bom pra você?
- Ô. Tava ótimo.
Foi buscar o carro. Chegou:
- O salário do Ronaldinho é de quinze milhões de euros, falou agora no rádio.
- Olha só…
- Imagina só se você casa com o Ronaldinho.
- É, né… Imagina só.
- Tava rica!!!
- Ah, mas dinheiro não é tudo…
- Mas você não queria ficar rica?
- É, querer eu quero, mas…
- E você não casava com o Ronaldinho?
- Não!
- Mas ele é rico!
- Eu, hein? Ele é galinha!
Nada contra o Ronaldinho. Nem sei de qual ele estava falando. Mas não sabia como terminar esse diálogo. Desculpa, Rô. Beijo, me liga.
por Isabella Ianelli em 14/05/2009 | cotidiano | 3 comentários
Eu disse adeus. Foi difícil (e quem disse que não seria?), mas depois que dei o primeiro passo, tudo fluiu naturalmente. Não havia mais motivos para continuar por lá. Exceto estas bochechas aqui do lado e outras gostosuras com cerca de cinco anos de idade.
Disse adeus assim como cheguei: discretamente. Com ajuda e coragem (em tempos de crise), decidi: vou procurar por algo que me faça mais feliz. Vou me encontrar nos próximos meses.
É claro que vou morrer de saudade de gente tipo… Tipo esta pessoa: Dudu. Meu Dudu. Como pode? Tenho quatro meses de laço com ele. Quase diário, já que ele falta muito (mas é claro, se fosse meu filho, também não ia sair de casa para mostrar as “minhas” bochechas ao mundo!).
Neste tempo nos conhecemos, ele ficou na dele (calado, observando), depois me testou e de novo, mais, de novo. De calado e observador, passou a falar e perguntar. Aos poucos. Quando notei, ele estava chorando porque queria que eu o atendesse. Eu e mais ninguém. Nem sabia meu nome ainda. Descobriu. “Ijabeella”, ele diz, articulando bem a boca e levando a língua até o lábio superior ao pronunciar o som do “L”.
Então eu (re)descobri o que significa ser fonte de confiança de uma criança. Ter um laço com ela que não passa pela aprovação dos pais (que nem conheço) ou dos parentes e que é alheia à vida da criança. Às vezes penso, se encontro ele (que ainda é tão pequeno, tem menos do que três anos) fora da escola, ele me reconhece? Digo, reconhece a mesma fonte de confiança que tem quando estamos juntos, na escola? Acho que não. Mas não me importa.
Não existe criança mais expressiva, bochechuda, danada e gostosa. Experiência própria. Por isso foi difícil olhar para ele e dizer tchau. Ele não sabe nem entenderia. E daqui a alguns meses talvez nem se lembre mais de mim. Mas no momento em que percebi que era a última vez, chorei. Ali, bem no meio do lanche do Maternal. E ele entendeu, se assustou até, então, tive que me conter. Por isso, não contei para mais nenhum deles. Não consegui. Tudo o que me sobrou de coragem na hora de partir, me faltou para a despedida.
Chorei.
por Isabella Ianelli em 7/05/2009 | cotidiano, educação | 6 comentários