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	<title>Isabellices &#187; educação</title>
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	<description>O blog que ela não queria, mas ele insistiu.</description>
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		<title>Arte-educação e formação de professores</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 05:39:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[aluno]]></category>
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		<description><![CDATA[Eis que no longínquo ano passado, após ter esperneado por aqui, concluí a pós-graduação em arte-educação que fazia. &#8220;Linguagens da Arte&#8221;, do Centro Universitário Maria Antonia da Universidade de São Paulo, coordenado por Rosa Iavelberg e pelo orientador do trabalho aqui apresentado, Marcos Garcia Neira.
Sou agora, pois, especialista em arte-educação, pós-graduada pela maior universidade pública [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que no longínquo ano passado, <a href="http://www.isabellices.com/banalizacao-da-educacao-da-creche-ao-doutorado/">após ter esperneado por aqui</a>, concluí a pós-graduação em arte-educação que fazia. &#8220;Linguagens da Arte&#8221;, do Centro Universitário Maria Antonia da Universidade de São Paulo, coordenado por Rosa Iavelberg e pelo orientador do trabalho aqui apresentado, Marcos Garcia Neira.</p>
<div id="attachment_963" class="wp-caption alignnone" style="width: 528px"><img class="size-full wp-image-963  " title="apresentacao" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2012/01/isabellamonogblu1.jpg" alt="" width="518" height="389" /><p class="wp-caption-text">Apresentação da monografia, sob o efeito de Floral</p></div>
<p>Sou agora, pois, especialista em arte-educação, pós-graduada pela maior universidade pública brasileira. E o que isso significa?</p>
<p>Foi ao longo do curso, percebendo que nem o mesmo sabia exatamente onde ia dar, que vi que não significa nada. Tive muito jogo teatral com a excelente autora Ingrid Koudela. Tive danças livres pelo espaço com Uxa Xavier. Tive aulas estritamente práticas e de cunho recreativo com os músicos da Escola de Comunicação e Artes da USP Pedro Paulo Salles e Fábio Cintra. Mas não tive teoria. Nada de livros, nada de leituras, nada de discussão, nada de arte-educação. O legal mesmo era dançar, rolar, fazer exercício teatral e depois relatar o que você sentiu.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="518" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ZBWUG36KFl0?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="518" height="315" src="http://www.youtube.com/v/ZBWUG36KFl0?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Aula prática de dança: interessante se a teoria não parasse por aí</em></p>
<p>E eu, muito cética com a vida, não sou lá de acreditar que a riqueza mora ao redor do meu umbigo. Acredito que tenho de ler quem entende (ou já entendeu) para saber das coisas. Acredito que preciso de um tutor, de um professor, de alguém competente na área que me oriente. Porque, sim, o currículo do curso é bem pensado. As referências bibliográficas são enormes e têm qualidade. Mas um curso de pós-graduação deve oferecer um mergulho na área. É necessário alguém para te levar mais fundo.</p>
<p>Por isso, para extravasar esta minha raiva desta educação equivocada, decidi fazer o trabalho final com foco na formação de arte-educadores. Olhando de dentro do curso, coloquei o que encontrei pela bibliografia acerca do tema.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="518" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rKYPaqtv-co?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="518" height="315" src="http://www.youtube.com/v/rKYPaqtv-co?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Trabalho em grupo, oficina de Stop Motion</em></p>
<p>Algumas perguntas me motivaram ao longo desta pesquisa. Como formar o arte-educador? O que é necessário? Teoria, prática pedagógica, experiência artística? E mais: que curso é este, &#8220;Linguagens da Arte&#8221;? Qual seu objetivo? Seria sua razão outra que eu não estaria vendo?</p>
<blockquote><p>&#8220;Ao longo dos semestres, pude perceber que as reflexões não ofereciam oportunidades de práticas autônomas. Se não tenho formação em teatro, música, dança ou artes visuais, se não tenho grande conhecimento sobre o tema, como poderei lecioná-lo autonomamente, sendo criadora da minha prática? Algumas vivências, jogos teatrais, danças, corais e desenhos podem embasar minha prática por si só? Ou são apenas receitas prontas para serem apresentadas em sala de aula? Podem fazer-me arte-educadora por mais que eu não saiba se canto no tom certo, quais são as referências no ensino de teatro, quais os métodos utilizados em dança e como desenvolver o desenho da criança quando ela diz que não sabe desenhar?&#8221;</p></blockquote>
<p>Defendi a monografia em novembro de 2011, num auditório do CEUMA-USP, para uma pequena plateia. A monografia foi bem vista. Apontei algumas questões que acho que devem ser aprofundadas, mas as gentis <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=C188479&amp;tipo=completo&amp;idiomaExibicao=1">Lucia Lombardi</a> e <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4229966T3&amp;idiomaExibicao=1" target="_blank">Eliana Pougy</a>, da banca examinadora, elogiaram o trabalho e o trajeto escolhido para a contação desta história.</p>
<p>E como esta dolorosa produção para ser útil deve ser espalhada, divido aqui com vocês minha monografia:</p>
<blockquote><p><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2012/01/Um-olhar-sobre-o-curso-Linguagens-da-Arte.pdf">Um olhar sobre o curso Linguagens da Arte: experiência, teoria e prática na formação do arte-educador</a></p></blockquote>
<p>É só clicar e surgirá o <em>pdf</em>. Espero críticas, comentários, sugestões. Afinal, se diz Snyders que &#8220;o saber é uma luta pelo saber&#8221;, travemos logo esta batalha.</p>
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		<title>Apenas um jovem: João Felipe Scarpelini</title>
		<link>http://www.isabellices.com/apenas-um-jovem-joao-felipe-scarpelini/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 19:42:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[problema]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[“Prezados senhores, meu nome é João Felipe, tenho treze anos e quero mudar o mundo. Você pode me ajudar?”
Foi em novembro do ano passado, num auditório flutuante de um Rio Negro quase seco, que ouvi a história de João Felipe Scarpelini. Na iminência de um país (e de um planeta) em sufoco, precisando ser mudado.

Não sou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“Prezados senhores, meu nome é João Felipe, tenho treze anos e quero mudar o mundo. Você pode me ajudar?”</p></blockquote>
<p>Foi em novembro do ano passado, num auditório flutuante de um Rio Negro quase seco, que ouvi a história de <a href="http://joaofelipescarpelini.wordpress.com/" target="_blank">João Felipe Scarpelini</a>. Na iminência de um país (e de um planeta) em sufoco, precisando ser mudado.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-844" title="5165629226_f341b62a5e_b" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2011/04/5165629226_f341b62a5e_b.jpg" alt="" width="498" height="331" /></p>
<p>Não sou emotiva o suficiente para chorar em palestras. Mas a dele foi a que mais me tocou em todo o <a href="http://www.tedxamazonia.com.br/" target="_blank">TEDxAmazonia</a>. Ele queria mudar o mundo. Ele só tinha treze anos.</p>
<p>Foi aquela frase do início o email que ele enviou para mais de cem instituições. Grandes, pequenas, todas com o discurso da importância do jovem. Alguma tinha que retorná-lo.</p>
<p>De fato, retornaram: cinco. Algumas sugerindo que ele colaborasse com dinheiro, outras dizendo que ele ainda era muito jovem para isso.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/CAmYOMNZnZU?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="350" src="http://www.youtube.com/v/CAmYOMNZnZU?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Eu tenho a mesma idade que ele. De certo modo, tivemos as mesmas inquietações. Mas para João Felipe foi diferente. Aquilo bateu nele. Ele sentiu que precisava agir. Ele sabia que podia.</p>
<p>Passou a organizar debates na escola em que estudava: chamava jovens que estavam mudando o mundo para contarem de suas experiências. Fomentava a ideia de que era possível.</p>
<p>Ele foi o aluno que toda escola quer ter: engajado, participativo, envolvido, protagonista de um projeto, de uma história. Ou deveria querer.</p>
<p>A principal dificuldade dele foi, justamente, com seus professores, que insistiam que ele deveria deixar a bagunça de lado e se focar no vestibular. No ensino formal. Tão sólido, tão careta. Tão cego, às vezes.</p>
<p>Foi isso que João Felipe fez, mas foi isso também que não durou: largou a faculdade de Relações Internacionais logo no início. E foi para a Inglaterra colocar a mão na massa: trabalhar numa organização, com jovens de diferentes lugares do mundo.</p>
<p><img class="alignnone size-large wp-image-867" title="jf1" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2011/04/jf1-603x1024.jpg" alt="" width="330" height="559" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Da noite pro dia eu deixei de ser o jovenzinho bonitinho que queria fazer alguma coisa e passei a ser tratado com um profissional especializado em juventude.&#8221;</p></blockquote>
<p>Hoje, com 25 anos, ele é consultor em questões de juventude da ONU-HABITAT (Organização das Nações Unidas para Assentamentos Humanos). Trabalha ouvindo jovens, dando voz a eles e ajudando-os a conseguirem direitos, responsabilidades e os mesmos critérios que os adultos.</p>
<blockquote><p>&#8220;A gente não quer tratamento especial, a gente quer ser igual.&#8221;</p></blockquote>
<p>Depois de já ter passado por 42 países, em mais de 400 projetos, ele diz que não luta pelo protagonismo juvenil, mas sim pelo <strong>empoderamento do jovem.</strong> Busca igualdade no tratamento de jovens e adultos, trabalho conjunto. Não pensa em baixar critérios para trabalhar com eles: sabe que são (somos) capazes de muito mais.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-848" title="5165441142_4780b9a8f1_b" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2011/04/5165441142_4780b9a8f1_b.jpg" alt="" width="498" height="307" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Somos três bilhões de jovens no mundo. Acho que fica claro que falar pro jovem que ele é muito novo para fazer a diferença, tinha que ser um crime.&#8221;</p></blockquote>
<p>Num planeta pedindo socorro, com tantos problemas e tão pouco tempo que temos por aqui, ignorar o trabalho e as ideias de tanta gente querendo ajudar é triste. E foi o que fizemos com João Felipe quando ele queria fazer a diferença.</p>
<p>É espantoso o fato de João Felipe precisar sair do país para ser reconhecido aqui, para ser valorizado. Hoje o Brasil o vê como um especialista em juventude. Mas porque ele foi validado pelo mundo.</p>
<p>Uma tristeza que nosso sistema educacional ainda esteja tão engessado. Formamos (na verdade, nem bem formamos) para o ingresso na universidade. Como se este fosse o único caminho. Como se fosse a solução.</p>
<p>Ver João Felipe fazendo a diferença é um alívio, um sopro de esperança. Uma inspiração.</p>
<p>PS: E se você também se apaixonou pela história dele, sugiro que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=y-Vw078-gzw" target="_blank">assista ao bate-papo</a> que o pessoal do <a href="http://cebb.org.br" target="_blank">CEBB</a> (Centro de Estudos Budistas Bodisatvas) fez com ele no final do ano passado. Foi lá que tive a oportunidade de dar um abraço neste cara grandão e de bom coração que poderia ser meu colega de sala. E é meu novo ídolo.</p>
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		<title>Banalização da educação: da creche ao doutorado</title>
		<link>http://www.isabellices.com/banalizacao-da-educacao-da-creche-ao-doutorado/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 02:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[problema]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Que a educação no Brasil não anda lá grandes coisas todo mundo sabe.
Não sei se é de hoje, de ontem ou um reflexo dos tempos. Há diversas teorias sobre e isso merece capítulos e capítulos de um livro que envolveria falta de estrutura nas escolas, desvalorização do trabalho docente, grande expansão do ensino sem o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que a educação no Brasil não anda lá grandes coisas todo mundo sabe.</p>
<p>Não sei se é de hoje, de ontem ou um reflexo dos tempos. Há diversas teorias sobre e isso merece capítulos e capítulos de um livro que envolveria falta de estrutura nas escolas, desvalorização do trabalho docente, grande expansão do ensino sem o investimento necessário etc.</p>
<p>Foi lá em 2004 que eu comecei a cursar Pedagogia buscando entender esta e outras questões e é agora que eu venho demonstrar aqui uma partícula disso tudo. Afinal, <a href="http://www.isabellices.com/a-escola-nova-ainda-e-velha/">se as escolas não conseguem ensinar</a>, de todos os fatores apresentados aqui em cima, preciso contar um pouco do que ando vivenciando.</p>
<div id="attachment_743" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/weapon.jpg"><img class="size-full wp-image-743 " title="weapon" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/weapon.jpg" alt="" width="400" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Educação é a mais poderosa arma&quot;</p></div>
<p>No início deste ano caiu no meu colo a pós-graduação dos sonhos: &#8220;Linguagens das Artes&#8221;. Além de ser oferecida pela USP e coordenada por Rosa Iavelberg (renomada professora da Faculdade de Educação da USP e intimamente ligada às artes), ainda encontrei o curso a tempo de me inscrever para a prova de seleção. Em cima da hora, mas a tempo.</p>
<p>Uma pós-graduação <em>lato sensu </em>na melhor universidade do país, com uma pessoa competente à frente e professores especialistas em arte e educação. O que poderia dar errado?</p>
<p>Nada. No entanto, até agora estou esperando pelo início do curso. De todos os módulos que tive durante este ano, posso dizer que aprendi alguma coisa com dois. Dois. Dois de mais de uma dezena.</p>
<p>E, ora, como eu poderia imaginar? O curso só tem indicações positivas. Professores de diversas faculdades da USP, muito experientes, plano bem estruturado, linguagens das artes contempladas no currículo. Na teoria, tudo parece correr bem. Na prática, a maioria dos professores tende a dar aulas em forma de oficina (que, sem a teoria, fica vazia e tola) ou excessivamente teóricas e sem correlação com a prática e com a proposta do curso.</p>
<p>A situação é cômoda, confesso: as aulas são ruins, a grande maioria beira o <em><a href="http://desciclo.pedia.ws/wiki/Embromation">embromation</a>. </em>Os professores alegam que são poucas aulas para um assunto tão vasto, que deste jeito não conseguem aprofundar o tema etc. E já que não conseguem aprofundar, praticamente nem nos iniciam. Nos tratam como crianças em oficinas destinadas a esse público, nos enchem de jogos teatrais, livres expressões de dança, de música&#8230; Certamente oficinas que fazem sentido e são esclarecedoras depois de um embasamento na teoria. Depois de leitura. Reflexão. Caminhos. Propostas.</p>
<p>O curso faz o que faculdades e cursos de extensão costumam fazer com profissionais da área de Humanas (especialmente com pedagogos e envolvidos na profissão tão desvalorizada de professor): misturam oficina com auto-ajuda, fingem entrar na formação cultural do professor e trabalhar muito profundamente, mas são tão rasos, tão subjetivos e tão superficiais que enganam, no máximo, Gabriel Chalita.</p>
<div id="attachment_739" class="wp-caption alignnone" style="width: 326px"><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/chalita.jpg"><img class="size-full wp-image-739" title="chalita" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/chalita.jpg" alt="" width="316" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Ei, você, venha fazer pós-graduação com a gente!&quot;</p></div>
<p>&#8220;Linguagens das artes&#8221;, esta pós-graduação tão promissora, talvez nada mais seja do que um reflexo, em outras proporções, desta educação que, como eu dizia no início do texto, já não anda grandes coisas.</p>
<p>Parece não haver por lá falta de estrutura ou de investimento, tampouco desvalorização do docente. Talvez o maior problema deste curso seja a falta de comunicação entre alunos e professores, coordenadores e professores, coordenadores e alunos, teoria e prática, currículo e vivência.</p>
<div id="attachment_745" class="wp-caption alignnone" style="width: 501px"><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/dezembro2009-029.jpg"><img class="size-large wp-image-745  " title="dezembro2009 029" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/12/dezembro2009-029-1024x768.jpg" alt="" width="491" height="369" /></a><p class="wp-caption-text">Frase adaptada de Gilberto Freyre, pichada nos muros da FEUSP</p></div>
<p>São apenas mais seis meses, uma monografia e eu posso me considerar uma arte-educadora sem nunca ter entrado em sala de aula numa discussão sobre conceito de arte. Sobre ONGs. Sobre atuação do arte-educador. Sem quase nunca ter tido discussões em cima de livros importantes, de autores de referência. Sem saber onde procurar para tratar de dança, de música, de teatro. Sem base para a prática. Para o fim social.</p>
<p>Entendo porque falamos tanto em avaliação em educação. Entendo porque tentamos seguir os passos do que deu certo, voltar a todo instante para pensar onde melhorar. Porque sem ligação, sem entendimento, sem coerência, tudo vira uma grande oficina sem propósito.</p>
<p>E talvez o grande problema disso tudo seja mesmo a falta de propósitos. Da creche ao doutorado. Pois a educação não anda grandes coisas na escola porque, anotem, a educação não anda grandes coisas para os educadores.</p>
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		<title>A escola nova ainda é velha</title>
		<link>http://www.isabellices.com/a-escola-nova-ainda-e-velha/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Oct 2010 00:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Os versos acima são de Casimiro de Abreu, do poema &#8220;Meus oito anos&#8221;, publicado em 1859.
Ouvi o poema novamente ontem, na  peça &#8220;A aurora da minha vida&#8221;, em cartaz em São Paulo no Teatro Bibi Ferreira. A peça, de Naum Alves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Oh! Que saudades que tenho<br />
Da aurora da minha vida,<br />
Da minha infância querida<br />
Que os anos não trazem mais!</p></blockquote>
<p>Os versos acima são de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_de_Abreu">Casimiro de Abreu</a>, do poema &#8220;Meus oito anos&#8221;, publicado em 1859.</p>
<p>Ouvi o poema novamente ontem, na  peça <a href="http://www.nbproducoes.com.br/em-cartaz/49-orci-augue.html">&#8220;A aurora da minha vida&#8221;</a>, em cartaz em São Paulo no Teatro Bibi Ferreira. A peça, de Naum Alves de Sousa, foi sucesso nos anos 80 ao contar das mazelas do sistema educacional na época da ditadura. E se hoje a história se perde um pouco para nós, jovens, que não vivemos estes tempos, causa uma reflexão perturbadora para os envolvidos com educação: quer dizer, então, que ainda somos os mesmos?</p>
<p>O cenário é uma sala de aula e por lá passam os anos: os alunos ora são pequenos e a &#8220;tia&#8221; controla a briga dos mais exacerbados. Depois, então, crescem, numa passagem natural do tempo: a forma de lidar com o outro muda, as relações entre os colegas, alguns acatam ordens, outros reagem.</p>
<p>No entanto, a maior reflexão que a peça me causou não foi quanto aos personagens e seus dilemas pessoais. O que mais me impressionou foi ver uma escola dos anos 70 perfeitamente atualizada com a escola de hoje. Se analisarmos escolas reais do mesmo nível econômico, veremos que a peça, infelizmente, ainda é atual.</p>
<p>O tema militar, os confrontos dos personagens e o controle da ditadura não acontecem mais. Mudamos da lousa verde escrita a giz para o quadro branco com canetinha e para a lousa digital, mas ainda nos relacionamos com os alunos como acontecia há muito tempo. Nossas escolas públicas e particulares perderam o prestígio, nossos professores talvez estejam mais desmotivados e a escola, mais perdida na relação com a família, mas, de fato, uma coisa não mudou: ainda não aprendemos a ensinar a pensar.</p>
<blockquote><p>Acho que nunca vou sentir saudades da aurora da minha vida&#8230;</p></blockquote>
<p>A frase é de uma aluna que, durante a aula, percebe a chatice de ter de se enquadrar no modelo proposto pela escola. Lá é explícito: os alunos entram diferentes e saem pensando igual. &#8220;Na escola militar é assim, é bem melhor&#8221;, sugere um dos personagens que sonha em servir o Exército. Antes da escola militar, aquela em que ele estuda já é deste jeito. E quem disse que hoje em dia é diferente?</p>
<div id="attachment_629" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/10/teacher.jpg"><img class="size-full wp-image-629" title="teacher" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/10/teacher.jpg" alt="" width="500" height="533" /></a><p class="wp-caption-text">Happy birthday, teacher. E zíper na boca.</p></div>
<p>Apesar das tentativas, das discussões, da constante busca por uma pedagogia que considere o aluno, que considere o contexto, o professor, a relação, o aprendizado, ainda somos todos massacrados. No ensino fundamental e médio, um rio de conteúdo &#8220;para o vestibular&#8221;. Não se aprende a viver. Não se aprende a conviver. Não se aprende. Aprendemos a obedecer. E assim seguimos ensinando.</p>
<p>Com um currículo antiquado, fechado há tempos para atender o ensino superior, nossa educação segue. Segue aos trancos e barrancos, sem preparar para a vida e sem preparar para o ensino superior, já que muitos mal conseguem chegar ao ensino médio.</p>
<p>Para a elite, para os que entram no sistema e conseguem seguir as normas, alcançar as metas e ter bom comportamento, ótimo. Eu fui uma dessas. E você que está me lendo agora, provavelmente também foi um desses. Mas, para a grande maioria da nossa população, só resta o abandono desta instituição que não acolhe.</p>
<p>É no fim da peça que uma senhora diz, lá no meio de todos: &#8220;Quando eu era nova, a escola já era velha&#8221;. Isso escrito para representar os anos 70. E a escola continua igual – velha. E ainda não conseguimos achar uma solução para tudo isso.</p>
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		<title>Quanto custa esta escola?</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 23:57:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>
		<category><![CDATA[web]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um dos passos mais importantes na história dos pais – e do que eles querem para o futuro de seus filhos – é a escolha da escola. Já pensou em que colégio vai colocar seus filhos? No mesmo em que você estudou? Num mais perto da sua casa? No mais caro da cidade?
Tendo filhos ou não, isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/05/lapis.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-447" title="lapis" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/05/lapis.jpg" alt="" width="266" height="400" /></a></p>
<p><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/05/lapis.jpg"></a>Um dos passos mais importantes na história dos pais – e do que eles querem para o futuro de seus filhos – é a escolha da escola. Já pensou em que colégio vai colocar seus filhos? No mesmo em que você estudou? Num mais perto da sua casa? No mais caro da cidade?</p>
<p>Tendo filhos ou não, isso certamente já passou pela sua cabeça: em que lugar eu confio a ponto de querer dividir uma parte da minha vida? Considerando a escola pública brasileira – o que se fala dela na mídia, o que se sabe observando de perto uma – todos nós pensamos em <strong>pagar </strong>um colégio para nossos futuros, presentes, inevitáveis ou ilusórios pimpolhos. Certo?</p>
<p>Sim, pagando teremos garantia de excelência – é o que passamos a vida inteira acreditando. Afinal, se o colégio te cobra mensalidades, você passa a ser mais do que o pai de um estudante de lá. Agora você é cliente. E pode reclamar se o banheiro estiver sujo, se o professor tiver faltado, se o diretor não te ouvir e, às vezes, até mesmo se seu filho for mal na prova.</p>
<p>No entanto, basta passear por algumas escolas particulares para ver que a qualidade do ensino não está diretamente associada ao preço da mensalidade. Na educação, esse clientelismo não funciona. Nem deveria funcionar, afinal, educação não se compra, é um processo. E não se adquire com a mesma lógica com que compramos sapatos.</p>
<p>Pensando sobre isso, dia desses encontrei o <a href="http://escolapublica.zip.net/">blog de uma mãe</a>, jornalista, esclarecida, bem sucedida e questionadora que optou por colocar seus dois filhos numa escola pública. Não, a escolha não aconteceu por falta de dinheiro. Entre o Rio de Janeiro e São Paulo, onde ela já morou, seus filhos estudaram nas ditas &#8220;melhores&#8221; escolas, dividindo espaço com filhos de estrelas da televisão brasileira, artistas e gente <em>cult</em>.</p>
<p>Acontece que principalmente por não concordar com a proposta pedagógica destas escolas (e por ainda ter que arcar com suas mensalidades caras), ela saiu em busca de outras. E visitou uma pública. Ao ver a abertura do diretor, a acessibilidade dos professores e a vontade de progredir da escola, não teve dúvidas: matriculou seus filhos lá.</p>
<p>A localização desta escola pública, numa área nobre da cidade, conta muito, claro. E no blog ela conta tudo com detalhes. E ainda fala sobre a transição dos filhos, as dificuldades da escola, os problemas do relacionamento entre as crianças e sobre a coragem que teve que ter para manter sua escolha.</p>
<p>Embutido nos discursos que ela narra dos parentes e amigos desesperados pela escolha dela, vemos muito o preconceito que temos com a escola pública. E, mais do que isso, como acreditamos que qualquer escola particular é melhor do que uma pública. A relação não é tão simples assim. O preço que se paga não garante nada. Ou garante que façam tudo um pouco mais escondido.</p>
<p>O fato desta mãe confiar a educação de seus filhos a uma escola pública – e ainda escrever sobre – é muito bom. Como ela mesma cita, é importante que a classe média entre em serviços públicos e cobre por um atendimento decente. É o início de um novo pensamento. Afinal, a escola pública não é de graça.</p>
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		<title>Imaginação ou educação?</title>
		<link>http://www.isabellices.com/imaginacao-ou-educacao/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 00:04:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela é um símbolo. Milhares de crianças lêem a Mônica. E o que estão aprendendo?
1) as coisas se resolvem na porrada;
2) a regra é olho por olho, dente por dente;
3) o bulling deve ser praticado;
3) a inteligência ou a sensibilidade não devem ser usados para resolver conflitos.
(Dioclécio Luz, &#8220;Violência na Turma da Mônica&#8220;)
Eu nunca tinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Ela é um símbolo. Milhares de crianças lêem a Mônica. E o que estão aprendendo?</p>
<p>1) as coisas se resolvem na porrada;</p>
<p>2) a regra é olho por olho, dente por dente;</p>
<p>3) o bulling deve ser praticado;</p>
<p>3) a inteligência ou a sensibilidade não devem ser usados para resolver conflitos.</p>
<p>(Dioclécio Luz, <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=CONF&amp;cod=578JDB009" target="_blank">&#8220;Violência na <em>Turma da Mônica</em>&#8220;</a>)</p></blockquote>
<p>Eu nunca tinha lido nada de Dioclécio Luz até ver o burburinho que ele causou no Twitter. Tudo porque este jornalista e pesquisador ficou famoso por lá depois que resolveu escrever para o site <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/">Observatório da Imprensa</a> criticando a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.</p>
<p>No artigo, ele afirma que as histórias da famosa turminha são violentas e nada educativas. Isto porque Mônica, a personagem principal, sofre com as agressões verbais do colegas —  o tal do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying">bullying</a> — e resolve tudo na base da coelhada. Além disso, afirma que os personagens são rasos, estereotipados e ainda cai de cabeça na onda do <em>politicamente correto</em> ao afirmar que a gulosa Magali, por exemplo, tem obsessão por comida — um desvio que precisa ser tratado e é negligenciado.</p>
<p>Eu poderia escrever aqui por horas sobre as delícias da Turma da Mônica e poderia também entrar nesta guerra para defender as histórias em quadrinho. No entanto, outras pessoas já fizeram isto muito bem, como é o caso do <a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/2010/03/carta-aberta-ao-sr-dioclecio-luz.html">Rob Gordon</a>.</p>
<div id="attachment_326" class="wp-caption alignnone" style="width: 497px"><a href="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/03/cebolinha1.jpg"><img class="size-large wp-image-326" title="cebolinha" src="http://www.isabellices.com/wp-content/uploads/2010/03/cebolinha1-1024x865.jpg" alt="" width="487" height="369" /></a><p class="wp-caption-text">Cebolinha por Arthur, 4 anos de idade</p></div>
<p>O que me incomoda de fato no texto dele é o discurso politicamente correto. Esta neurose de achar que tudo deve ser educativo. De achar que tudo é exemplo e que toda história tem que ter uma moral. Não tem.</p>
<p>Parte desta visão vem do fato de que ainda consideramos a criança como um serzinho inocente, ingênuo, sem maldades. Errado. A criança é exatamente o que somos. É boa, má, ciumenta, alegre, estranha, amorosa,  irritada e mil coisas mais. Com uma simples diferença: ela ainda não domina tão bem suas linguagens para expressar o que sente. Por isso, às vezes grita, morde, se joga no chão, chora, xinga o amigo e dá uma coelhada nele.</p>
<p>É para aprender a jogar neste mundo maluco que chamamos de vida real, que a fantasia é uma grande aliada no desenvolvimento da criança e, consequentemente, em sua educação.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tQac-eVCGLY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/tQac-eVCGLY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>Cooperação Criativa, o projeto mais bacana que já vi em arte-educação: respeito ao direito de imaginar<br />
</em></p>
<p>Gibi não precisa ser educativo, a música <em>Atirei o pau no gato</em> não precisa ser trocada por aquela versão careta e ecologicamente correta e as histórias precisam sim ter bruxa, Lobo Mau que come a Chapeuzinho e medo. Afinal, a criança precisa do mundo da fantasia, precisa testar suas emoções e ouvir histórias de uma menina que é todo dia chamada de dentuça, baixinha e gorducha.</p>
<p>Se fizermos com que todas as histórias e todas as músicas infantis tenham uma moral, privamos a criança de um mundo de outras histórias e músicas. Um mundo de cultura que sobreviveu anos e anos até chegar aqui. São anos de história, de cultura; anos que não precisam ser trocados por versões &#8220;menos cruéis&#8221;.</p>
<p>Nunca vi uma criança batendo em alguém porque viu no gibi. Nem ninguém parar de tomar banho porque o Cascão não toma ou falar errado porque se espelhou no Cebolinha. A criança é o Cascão, o Cebolinha, o Lobo Mau e a Chapeuzinho Vermelho. Ao mesmo tempo, pois testa todas as emoções: ela é todas estas tentativas.</p>
<p>As histórias têm que ter o objetivo de despertar a imaginação: uma criança acostumada com o mundo da fantasia é criativa e se interessará por outras tantas histórias — as contadas e, em pouco tempo, as lidas. E é esta a valiosa parte educativa desta história.</p>
<p>PS: Este texto todo tem como inspiração e embasamento teórico a obra de <a href="http://www.ilan.com.br/">Ilan Brenman</a>, excelente doutor em Educação e contador de histórias que estuda, justamente, o politicamente correto nas histórias infantis.</p>
<p>PS2: Cooperação Criativa é um projeto que mistura contação de história, circo e teatro para crianças de quatro a nove anos. Seu criador, Francisco Igliori Gonsales, doutorando em Psicologia, ator, circense e contador de histórias é um dos mais incríveis artistas-pesquisadores que já conheci. Seu projeto é um dos meus sonhos de trabalho. A equipe da Cooperação está no <a href="http://www.galpaodocirco.com.br/">Galpão do Circo</a> e o curso se chama <em>Aventuras Acrobáticas</em>. Vale a pena conhecer.</p>
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		<title>Falta de educação</title>
		<link>http://www.isabellices.com/falta-de-educacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 21:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo virtual em peso fala sobre o caso Geisy e UNIBAN. Blogueiros, twitteiros e afins dão seus pitacos no famoso vestido rosa, na sua dona, nos alunos e na universidade. Cansei de contar as vezes em que li Taliban, turba e nazismo em textos sobre o caso. Aliás, neste vídeo ótimo, o blogueiro Cardoso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo virtual em peso fala sobre o caso Geisy e UNIBAN. Blogueiros, twitteiros e afins dão seus pitacos no famoso vestido rosa, na sua dona, nos alunos e na universidade. Cansei de contar as vezes em que li Taliban, turba e nazismo em textos sobre o caso. Aliás, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=snjPDpDg2Pk">neste vídeo ótimo</a>, o blogueiro Cardoso mostra o que Hitler acharia de ser comparado com a UNIBAN.</p>
<p>No último sábado, a UNIBAN expulsou a aluna do corpo discente. E ontem pela manhã, a decisão foi anunciada no <a href="http://twitter.com/uniban_brasil/">Twitter</a> da instituição. Na <a href="http://twitter.com/uniban_brasil/status/5556307345">nota</a> divulgada, a universidade cita que a aluna desrespeitou<strong> os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade </strong>da instituição.</p>
<p>Aproveito a situação para lançar um olhar sobre o papel da universidade.</p>
<p>É fato que a moça foi desrespeitada pelos alunos, sendo &#8220;culpada&#8221; ou &#8220;inocente&#8221;. E depois foi hostilizada pela universidade, que só confirmou o quanto está alienada ao autorizar e praticamente validar a atitude de alunos moralistas e levados pela multidão.</p>
<p>Neste caso, o único papel que cabia à UNIBAN era se colocar à frente da discussão e ouvir alunos, professores e a vítima da situação. Sem moralismo. Ao agir de forma precipitada e preconceituosa, a universidade só demonstrou seu despreparo.</p>
<p>No livro <em>10 Novas Competências para Ensinar, <span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">o s</span><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">ociólogo suíço Philippe Perrenoud cita alguns itens essenciais para, justamente, educar. O item nove diz respeito a <strong>enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão</strong>, que, entre outras coisas, fala sobre: prevenir a violência na escola e fora dela, lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais e desenvolver o senso de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.<br />
</span></em></p>
<p><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">Não é de hoje que sabemos que o ensino está sucateado. Creches, escolas de educação infantil, fundamental e ensino médio, nos setores público ou privado. O caso UNIBAN veio para mostrar mais: o ensino superior, que deveria ser exemplo e sinônimo de credibilidade, reflexão, embasamento, pesquisa e ação também está despreparado.<br />
</span></em></p>
<p><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">A decisão já foi revogada &#8211; a reitoria deve ter visto a notícia repercutir e, cá entre nós, quem quer ser vilão nessa história? Ir contra os alunos, a UNIBAN não pode &#8211; afinal, quem pagará as mensalidades? Refletir sobre o caso, entender o motivo da perseguição a uma garota de pouca roupa, o motivo dos alunos terem abandonado as aulas e rever os próprios conceitos? Trabalhoso demais.<br />
</span></em></p>
<p><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">A UNIBAN <a href="http://twitter.com/uniban_brasil/status/5556322623">completou</a> o caso dizendo que &#8220;reafirma o seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior&#8221;. Quem acredita?</span></em></p>
<p><em><span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;">Eu sugiro que a UNIBAN inteira se debruce, pelo menos, sobre a obra de Philipe Perrenoud.</span></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Na cabeça ou na mochila</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 04:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando você para de conviver diariamente com crianças, passa a ter menos coisas engraçadas para contar. Mas de uma história eu não me esqueço.



No ano passado, dei aula para crianças de quatro anos de idade. Metade do ano fui estagiotária professora auxiliar e na outra metade peguei a bomba assumi a sala.


Todos os dias, as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Quando você para de conviver diariamente com crianças, passa a ter menos coisas engraçadas para contar. Mas de uma história eu não me esqueço.</span></span></div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">No ano passado, dei aula para crianças de quatro anos de idade. Metade do ano fui </span></span><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">estagiotária</span></span><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"> professora auxiliar e na outra metade </span></span><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">peguei a bomba</span></span><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"> assumi a sala.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Todos os dias, as crianças chegavam na sala de aula e tiravam da mala a agenda, o copo (com a escova de dente dentro) e penduravam a lancheira.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Em um dia frio, um dos meus alunos, Arthur, chegou todo encapotado e com um gorro na cabeça. Arrumou seus pertences e, no meio da brincadeira com os amigos, tirou o gorro e o colocou na mesa, ao lado do seu copo com sua escova de dente.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387875372336650546" style="text-align: justify; display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Zxn2RgYh55U/SsWUGt4zmTI/AAAAAAAAAKg/UtVZZsjW50I/s320/NovasDesenho+001.jpg" border="0" alt="" /></p>
</div>
<div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: small;"><em>Arthur e o Bidu de massinha</em></span></div>
<div style="text-align: center;"><em><br />
</em></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Caro leitor, aqui faço uma pausa para um comentário: se você nunca viveu um dia na educação infantil, não sabe o que é administrar uma sala com 17 crianças de quatro anos de idade. Não imagina o que é rezar diariamente para uma convivência pacífica. Para ninguém chutar, morder, bater, arranhar e para ninguém retrucar. E também nunca se viu pedindo aos céus para que todos consigam controlar seus esfincteres até a chegada ao banheiro. Se você tem filhos, sabe do que estou falando. Agora multiplique por 17. Tranque numa sala. E jogue uma louca dentro. Por isso e por <em>otras cositas</em> <em>más</em> eu passei o ano passado inteiro descabelada.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Georgia, serif; font-size: 130%;"><span style="font-size: 16px;"><br />
</span></span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Pois bem, tudo isto para dizer que, muitas vezes, no calor da coisa, esquecemos que são crianças. E que sempre têm uma visão peculiar. E que são criativas, inocentes e obedientes até. Teoricamente, nós, pedagogos, estudamos para (entre muitas outras coisas) aprender a lidar com as peculiaridades do ensino. Mas é que com dois pendurados no lustre, três correndo ao seu redor, um com febre, uma puxando o cabelo da outra e cinco formando uma quadrilha de tráfico de batom da Xuxa, fica realmente muito difícil. Você esquece até que é gente.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Então, ali estava eu, jogada no meio da muvuca, quando a professora que trabalhava comigo, ao sair da sala, viu o gorro do Arthur ao lado do copo da escova de dente dele. Apontando para a mesa, disse: &#8220;Arthur, coloca na cabeça ou guarda na mochila!&#8221;. Saiu da sala e eu fiquei por lá, tentando administrar a galera.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">Depois de alguns minutos, olho para o lado e vejo o Arthur segurando o copo (com a escova de dente dentro) em cima da cabeça. </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387873642317227938" style="text-align: justify; display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Zxn2RgYh55U/SsWSiBECJ6I/AAAAAAAAAKY/KkWHRnrNLhU/s320/africana.jpg" border="0" alt="" /></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><em><br />
</em></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">- Arthur, o que foi?</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">- A professora disse pra eu colocar na cabeça ou guardar na mochila, mas eu ainda não escovei os dentes&#8230;</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">- O gorro, Arthur!</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">- Ah&#8230;</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'trebuchet ms';"><span style="font-size: small;">E ele fez a cara que eu mais queria ter registrado na minha vida. Uma mistura de &#8220;entendi&#8221; com &#8220;envergonhei&#8221;. Arthur um menino tão carinhoso e tão esperto, me mostrou que, realmente, é tão simples e tão complexa essa terra de gigantes.</span></span></div>
</div>
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		<title>O caso da sexta-feira</title>
		<link>http://www.isabellices.com/o-caso-da-sexta-feira/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 20:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de uma semana de quatro horas de sono por noite, idas e vindas Uspianas, leituras, notebook quebrado e grandes olheiras, decidi gastar minha sexta-feira com uma oficina de ciranda, na USP. Isso. Oficina de ciranda, você leu bem. Quem no mundo vai numa coisa dessas? Prazer, Isabella.


Às cinco e meia da manhã estou de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Depois de uma semana de quatro horas de sono por noite, idas e vindas Uspianas, leituras, notebook quebrado e grandes olheiras, decidi gastar minha sexta-feira com uma oficina de ciranda, na USP. Isso. Oficina de ciranda, você leu bem. Quem no mundo vai numa coisa dessas? Prazer, Isabella.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Às cinco e meia da manhã estou de pé, pronta para o </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">combate</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> trânsito, chego às sete e pouco, capuccino, broa de milho e corro para a sala de aula.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">É claro que, </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">nerd</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> pontual que sou, passei os oficineiros e cheguei antes na sala. Oito e meia eles chegam. Só eu. Mais duas gatas pingadas.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Após a resolução de inúmeros problemas e a chegada dos alunos, a oficina começou (em dicas da Usp, esqueci de uma valiosa da Feusp: a vida só começa por lá à partir das nove da manhã, acredite). </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O projeto é muito legal. A criadora contou sobre. Musicalmente, teatralmente, enfim, artisticamente falando, eles são muito ruins. Muito. Mas a parte social que eles desenvolvem é, sem dúvidas, muito bacana. </span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O problema de quem faz trabalho legal com crianças, é que eles querem reproduzir o que fazem com elas com os adultos. Sim, comigozinha. Que tive que entrar em 156 tipos diferentes de ciranda e ver três montagens toscas de teatro improvisado.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">O que valeu da oficina foi ver um trecho de um dvd que contava sobre o trabalho do projeto. Depois que assisti, pensei: &#8220;Ah bom, é isso que vcs fazem? Trabalho social! Era só explicar!&#8221;.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Enfim. Depois do almoço, mais um percurso de oficina. Tudo bem, né? &#8211; pensei. Nada bem quando vi que eles queriam me colocar em mais 140 cirandas. Tipo, gente: ok, já entendi que é maravilhoso ensinar cirandas, que as crianças amam. Já sei disso.</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Além disso, muito me estressou o fato da criadora desmerecer o estudo acadêmico. Claro que não assim, diretamente. Mas, enfim. Me estressou. Fora aquele bando de professora pela sala exaltando o trabalho dos oficineiros. E achando que relatório de prestação de contas para o governo é a mesma coisa que pesquisa, estudo, reflexão e dissertação de mestrado. Aham.</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Enquanto os oficineiros convidavam todos para uma nova ciranda, eu olhava os dez reais de texto que eu havia acabado de pegar no xerox. Dez reais. Dez. Reais. Tudo para ser lido, devorado, entendido e gerador de um novo texto até quarta-feira.</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Num impulso, peguei minhas trouxas e me mandei de mansinho, enquanto todo mundo formava mais uma roda. Aliviada, fui para a sala de estudos </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">fazer alguma coisa útil</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> ler meus textos em paz.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Uma hora depois, o senhor que estava sentado na mesa ao lado, chega na minha mesa com um caderno nas mãos e diz:</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Vo&#8217;ê &#8216;abe corri&#8217;ir portu&#8217;ês?</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Lembrei do </span></span><a href="http://www.champ-vinyl.blogspot.com/"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Rob Gordon</span></span></a><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> imediatamente. Jurei pra mim mesma nunca mais rir de um </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">causo</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> dele.</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Oi?</span></span></div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Repetiu. E eu, por alguma obra do destino, consegui entender a questão. Pensando que ele queria saber a grafia correta de </span></span><span style="font-style: italic;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">exceção</span></span></span><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">, </span></span><span style="font-style: italic;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">gorjeta</span></span></span><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">, </span></span><span style="font-style: italic;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">vernissagem</span></span></span><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">, </span></span><span style="font-style: italic;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">concessão</span></span></span><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">, ingenuamente respondi:</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Sim. Por quê?</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Vo&#8217;ê corri&#8217;e daqui até aqui? &#8211; apontou para duas folhas de um caderno com letra de criança de doze anos.</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Mas o que você quer saber?</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Por &#8216;avor! Eu &#8216;ô &#8216;heio de traba&#8217;o pra entre&#8217;ar ho&#8217;e!</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Não me contive, comecei a rir impiedosamente. Como uma figura desse tipo pode dar aula em algum lugar do mundo e eu estar desempregada? Devo ser muito estranha mesmo, pensei. Foi quando ele deu a cartada de mestre. Fanho safado:</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Vo&#8217;ê é árabe?</span></span></div>
</div>
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<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Não!</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Vo&#8217;ê é linda!</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Ri mais um pouco e tentei compreender o árabe na história. Ele roubou meu raciocíno quando começou a me cobrar a correção voluntária. Só faltava esfregar o caderno no meu nariz </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">árabe</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">, como se fosse uma obrigação </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">minha </span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">fazer o trabalho </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">dele</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Disse que não </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">obrigada</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> apontei para os meus textos, mas ele insistiu:</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- &#8216;e cada um da &#8216;ala de e&#8217;tudos corri&#8217;ir um caderno, eu con&#8217;igo termina&#8217; todo o trabalho. </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Você não, né, meu bem? Nós.</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> Encarnei meu melhor personagem de estudante ferrada e contei uma coisa mais triste ainda: daqui a pouco começa minha aula, tenho que ler todos estes textos.</span></span></div>
</div>
<div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">A figura ficou um tanto quanto chocada. Folheou meus texto (fiquei com medo, confesso) e disse que eu seria diretora de escola. Pensou melhor e concluiu que o rock era o meu destino. Gostei mais.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
</div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Melhorei minha cara de </span></span><s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">cadela</span></span></s><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"> cão sem dono e ele passou pra próxima vítima: a menina da mesa ao lado.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Juntei novamente minhas trouxas e saí de fininho. Não antes de levar uma bronca do senhor fanho preguiçoso e safado:</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Ei! Vo&#8217;ê não di&#8217;se que ia e&#8217;tudar? </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Ui, e agora? Disse que minha aula já ia começar. Ele caiu: </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">- Ah! Me pa&#8217;sa seu telefone, então&#8230;</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Cara burro, que aula na USP começa às 17:30h? Meu telefone? Respondi que não. Já era demais. Meu dia já havia superado as expectativas. Tchau.</span></span></div>
</div>
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		<title>O teatro e eu</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 22:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isabella Ianelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte e cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde os quinze anos eu brinco de teatro. Começou de leve, aos catorze anos, no colégio de freiras em que estudei, do qual guardo muitas boas lembranças. No último ano, a professora de Educação Artística propôs que montássemos uma peça, numa atividade extra-curricular. E lá fui eu. Nenhuma grande montagem, nenhum personagem relevante. Éramos todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Desde os quinze anos eu brinco de teatro. Começou de leve, aos catorze anos, no colégio de freiras em que estudei, do qual guardo muitas boas lembranças. No último ano, a professora de Educação Artística propôs que montássemos uma peça, numa atividade extra-curricular. E lá fui eu. Nenhuma grande montagem, nenhum personagem relevante. Éramos todos figurantes. O teor? Ah, sim: alguma coisa religiosa (era a condição imposta pelas freirinhas). E eu bem que gostava, viu? Era uma espécie de musical mal entendido , mal interpretado e mal cantado, mas eu me esbaldava na música da cena dois: </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">&#8220;Misericórdia, Senhor, Misericórdia! Misericóoooooordia!&#8221;</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">. Tenho um gosto estranho por músicas de igreja até hoje.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Muito bem. Foi nesta &#8220;peça&#8221; que eu aprendi que não se deseja boa sorte antes do espetáculo. Se diz MERDA. E não se agradece. Mas, como éramos de um colégio de freiras e a professora era doida mas nem tanto, ela nos dizia: </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">&#8220;Ême!&#8221;</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">. Ême. E era ÊME pra tudo quanto é lado. Bom pras freirinhas que não sabiam o significado, bom pros alunos que se deliciavam e bom pra professora que fez sua parte. Com uma espécie de transposição didática, digamos &#8211; mas fez.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Como neste colégio não tinha ensino médio, mudei de escola. Ah, mas qual não foi minha alegria ao descobrir (na verdade, eu já sabia, tô floreando só) que o grupo de teatro deste colégio era sensacional? Para quem se contentava em decorar meia dúzia de frases para dizer num salão caidinho, eu estava na Broadway brasileira. Palco italiano, coxia, cortina, camarim e o melhor: um diretor sisudo.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Penamos (eu e Gabi, minha companheira teatral desde os primórdios) para conseguir entrar no grupo. Na primeira semana de aula, chegou a ficha de inscrição dos cursos extra-curriculares oferecidos e, por engano, o teatro não estava lá. Gabriela e eu fomos até a sala do diretor do teatro, Eduardo Hajjar. Na sala dele, uma reação exacerbada da Gabi enquanto eu sorria, apavorada, querendo dizer: </span></span><i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">&#8220;Deixa a gente entrar?&#8221;</span></span></i><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">. Deixou, claro. </span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">E desde 2001 estou lá pelos palcos. De sisudo, o diretor passou a ser amigo. E hoje fazemos teatro de brincadeirinha como se a gente fosse gente grande. A gente, digo, eu e Gabi &#8211; porque o diretor é dos grandes. Escolhemos o texto, pesquisamos, dividimos personagens, buscamos por exercícios, sacrificamos manhãs, tardes, noites, nos maquiamos, emprestamos nossas casas para os cenários e nossas almas para as peças.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Tudo isso para contar que, nesta semana, especialmente, voltei a criar borboletas no estômago. Minha estreia será sexta-feira, numa cidade do interior. E é nessas horas que dá pra ver que faço teatro amador mesmo. Com medo de errar, cheia de inseguranças nas mãos, nos gestos, nos tipos. Mas vou. Com amor.</span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';color:#663366;"><span class="Apple-style-span"  style="color:#000000;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';color:#663366;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><b><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">&#8220;Quarta-feira, sem falta, lá em casa&#8221;</span></span></b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Texto: Mario Brasini</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Direção: Eduardo Hajjar</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Maquiagem: Natália Tomaz Vianna</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Elenco: Gabriela Ravanhani e Isabella Ianelli</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"><br /></span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Quando? Dia 31 de julho, às 21 horas</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Onde? Em Bragança Paulista: NAPA &#8211; Núcleo de Apoio ao Professor e ao Aluno (Rua São Bento, Vila Aparecida)</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"><span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"><span class="Apple-style-span" style="font-size: small;">Quanto? De graça</span></span></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms';color:#663366;"><br /></span></div>
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