Chai nosso de cada dia
Fui aproveitar o dia quente e a baixa umidade relativa do ar para fazer o que os especialistas não recomendariam: caminhar na praça.
Depois, morrendo de sede, fome e numa crise de abstinência de chocolate, parei no único local da Mooca em que podemos comer a qualquer hora. Sim, aquela padaria cujo nome não vou mencionar porque, de fato, não merece propaganda nem no meu blog xinfrim. Bem, mas é o que temos, não?
Lá fui eu pedir um suco de melancia e um sanduíche de pão integral com queijo cottage. Tudo pra fazer valer a caminhada. Eis que ali estou quando um tipo urbano (parafraseando Alberto Guzik) me chamou a atenção.
Mãe e filha. Recém-saídas do maior estereótipo possível de peruas da classe média paulistana. Daqueles tipos que, se você vê numa peça de teatro, tira sarro e depois comenta como o autor foi clichê. Pois é.
A filha sai para zanzar pela padaria quando a mãe diz para o atendente do balcão: “Eu quero um chai.”. Ahm? Ouvi bem? O que ela quer? O atendente responde: “É pra já! Ô Zé, vê aí um chai.”.
Ok. Se você é uma pessoa que transita por outras culturas, já sabe o que é um chai. Agora, se você faz parte da massa da população brasileira, você aprendeu o que é chai há alguns meses, quando a novela Caminho das Índias invadiu sua casa com um monte de palavras estranhas inseridas num contexto novelesco.
E desde quando as padarias passaram a ter o tal do chai? Por onde andei esse tempo todo?
E foi ali, saboreando o queijo cottage, mas de olho no chai alheio, que percebi que, realmente, não temos ideia da influência das novelas globais na vida do brasileiro.
Quanto tempo mais dura essa moda? A novela acabou ontem. Teve reconciliação, bebê à vista, Juliana Paes e Rodrigo Lombardi como o casal ideal. Até a menina que nem dez anos deve ter jurou amor eterno a um menininho tão pirralho quanto ela. Já não basta esse amor romântico sendo difundido aos quatro cantos? Agora estão invadindo as padarias também? Baguan Keliê!
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2 comentários


Ah, aonde fica essa padaria?! Sempre fui curiosa pra tomar esse tal chai!
Por aqui ainda não chegou essa influência da novela não… mas vai saber se amanhã a gente já não vê qualquer um de sari no meio da rua!
Um beijo grande!
Tudo bem sim, Isa. Nossa, quanta precisão hein?!!!Hehehe…Eu devia estar indo até a cabeleireira para entregar um livro para ela! =D
Ah, poderia ter interrompido, sem problemas…Nossa, muitas saudades de vocês, podíamos marcar sim…
Pois é, menina…Ando pela USP sim, na História, mas lembro de você porque estou fazendo um mini-curso de francês na Educação.
Sim, a gente fala de outro jeito, porque blog não vai dar conta!
Beijos flor! =D