Compre-compre-compre
Primeiras prateleiras. Escova de dente, absorvente, sabonete, fio dental, cotonete. Coisas que você só lembra de última hora. Na segunda, revistas semanais. Fofocas pra todos os gostos. Tratam de pessoas reais como se fossem personagens de novela e personagens de novela como se fossem pessoas reais. “Helena morre ao tentar salvar o filho”, “Dado é preso por frequentar o mesmo espaço que Luana”, “Ator global namora em praia carioca”, “Raj se emociona com gravidez de Maya”.
Se você passou por esta prateleira, a próxima é mais tentadora. Chocolates de todos os tipos, tamanhos, cores. Para todas as vontades. É a hora que eles querem que você pense: é disso que eu precisava! E, se você está de regime, eles também pensaram em você: na prateleira seguinte, barras de cereais. Muitas. Para você comprar sem sair da linha.
Agora, se você é do meu tipo e saiu ileso(a) às tentativas, a última prateleira é pra chutar o pau da barraca. Eles pensam (tudo oculto, mas pensam, eu tenho certeza): você não vai comprar nada, mas seu filho vai! Salgadinhos, doces coloridos, chocolates com brinquedos, brinquedos com chocolates… É a revolta do supermercado, o ápice das compras, o golpe baixo, a cartada final. Você não quer gastar, mas pelo seu filho, você vai.
PS: Recomendo o documentário “Criança, a alma do negócio”, de Estela Renner e Marcos Nisti. A publicidade infantil é covarde, assistam para entender o que está acontecendo com a nossa infância. O trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=rW-ii0Qh9JQ
