Distrital

Ontem fui a um parque aqui da Mooca que conheço pelo nome de Distrital. O Distrital foi o parque da minha infância: lembro de freqüentá-lo, principalmente, com meu pai. Lembro do parquinho, de andar de patins com minhas primas, das brincadeiras com bola com minha irmã, das caminhadas com meu pai, de ficar de cabeça para baixo no trepa-trepa, do vô Rubens dizendo que isso não fazia bem e de acreditar nisso até pouco tempo (até me apaixonar pelo circo e adorar contrariar a gravidade).

Muito bem. Pois foi o circo que me levou de volta ao local. Fiquei sabendo que o Distrital oferece aulas de circo de graça pela manhã. Então, buscando melhorar minha performance circense e fazer aulas também no período da manhã, lá fui eu em busca da lona e sonhando com o picadeiro.

Quando cheguei no Distrital… Meu Deus! Tudo veio à tona! Lembrei do meu pai jogando bola por lá… Vi o trepa-trepa! Tantos lugares que ficaram na minha memória… Tantos outros que não me recordo…

Enfim, a experiência foi incrível. Apesar do alto teor sentimental do lugar, achei tudo com cara de abandonado. O parquinho, os jardins, os espaços, as quadras.

Quando entrei na administração, então! Pensei que tivesse voltado uns 30 anos no tempo. Atrás do balcão, uma senhora muito gorda datilografava em uma máquina de escrever antiga enquanto fumava compulsivamente. A decoração do lugar, seus arquivos com cara de poeira: tudo denunciava o abandono. Um senhor magro (bem magro) e simpático me recepcionou e melhorou minha impressão.

Mas voltei pra casa indignada: tanta coisa boa por lá, por que tudo está tão abandonado? Será que foi só impressão minha? Fiquei com vontade de ajudar, trabalhar lá (acredita?), pensar em projetos para o local…

Quanto ao circo, estou esperando as aulas de lá voltarem. Mas não vejo a hora de voltar a freqüentar meu parque da infância.
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