Economia leiga
Do pouco que sei sobre economia, algo entre o nada e o menos ainda, ando preocupada com a própria.
Imaginem que dia desses parei em um estacionamento que custava 17 reais. E não era pela semana toda: o preço era por algumas horas com o carro estacionado ao lado do restaurante. Tudo bem que o endereço era um dos mais caros da cidade, mas mesmo assim, fiquei pensando: onde foram parar os estacionamentos de 5 reais?
Sim, onde foram parar as horas por 3, 4, 5 reais? Antes, me parece que estacionar o carro era sinônimo de deixar alguns trocados. Não era necessário ter dinheiro, mas sim ter disponibilidade para achar algumas moedas perdidas pela bolsa.
Em São Paulo, nada mais escapa: até os flanelinhas cobram caro. Uma vez, tentei ir à Pinacoteca e, sutilmente, o dono da rua me cobrou 10 reais para deixar o carro ali. Na Vila Madalena também não sai por menos ─ e sempre com pagamento adiantado, claro!
Na mesma semana em que comecei a pensar com meus borbotões sobre o assunto, a revista Veja SP trouxe uma reportagem sobre o alto custo dos estacionamentos de São Paulo. Toda a pesquisa que eu precisava para fazer minha análise econômica estava logo ali:
Analisei a pesquisa e levei em conta também o fato de eu, que sou super pão-dura, nunca ter encontrado um estacionamento de 6 reais na Alameda Santos. Assim, minha média foi baseada ora na pesquisa, ora no meu instinto de motorista pão-dura. Então, concluí que duas horas com o carro estacionado na região da Avenida Paulista equivalem a 14 reais, em média.
Muito bem. Duas horas na Rua da Mooca devem sair por volta de 6 reais. Duas horas na Avenida Paulista, 14 reais. E duas horas na Rua Doutor Mário Ferraz, no Itaim Bibi, 17 reais.
Assim, fiquei pensando no dia em que teremos que ter mais de três notas de 10 reais apenas para estacionar o carro. Pode parecer exagero, mas economica e praticamente falando, nunca vi um estacionamento baixar o preço. A tendência é piorar. A tendência é que, um dia, a Rua da Mooca passe a cobrar 17 reais.
Sim, porque teremos mais carros nas ruas, o aluguel subirá, assim como o preço da água e da luz, o salário do manobrista aumentará, o preço do seguro também etc. E isso me faz crer que estes preços não vão estacionar como nossos carros.
Será que daqui a algum tempo estaremos deixando 50 reais sem nem perceber? E o que acontece quando tantos reais valem apenas algumas horas no estacionamento? A moeda desvaloriza? Como isto funciona?
E agora é que vem a parte que eu entro em pânico: eu, sinceramente, não sei o que acontece. Sim, economia foge do meu controle de uma tal forma que eu não sei se este movimento é natural, se sou eu que estou pirando com pouco, se a nossa moeda vai mudar em três anos e se tudo bem se 100 reais virarem gorjeta.
Qual é o rumo disto tudo? Algum economista de plantão?
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7 comentários




Não sabia que era tão caro assim em São Paulo!
Aqui em Belém você paga 1 real, sem problemas. :)
O rumo disso tudo é andar de metrô, ônibus e TAXI! Sim, dependendo de onde vamos, sai mais barato fazer a combinação transporte público + taxi. Fora a contribuição para o meio ambiente… Não sou nenhuma eco-chata, mas tenho pensado muito em aposentar meu carro. =/
Amanda, você é de SP??
Eu adoraria concordar contigo, mas já tentou pegar um metrô na Sé às 6 da tarde? Já tentou andar de taxi às 7 da noite? Onibus em horário do Rush?
Eu tenho carro e tenho uma dó do valor que pago nele, mais IPVA, seguro, seguro obrigatório, gasolina, manutenção e etc, porém o sistema de transporte em São Paulo NÃO FUNCIONA.
Eu imagina o quão duro (sem trocadilhos) é para uma mulher estar no metrô as 6 da tarde, com homens sem respeito. Ou para uma pessoa que tem problema de pressão, presa em um lugar quente, abafado, com 300 pessoas esmagando-a.
Eu concordo que estacionamento é um ROUBO (já cheguei a pagar 17 realetas na Oscar Freire por 15 minutos de estacionada para trocar um presente, saiu mais caro que o presente o estacionamento!!!), porém o conforto que o carro te oferece em hora de rush é incomparavel no trânsito de SP hoje em dia, é uma pena, pois nunca tive vergonha de pegar onibus ou trem, mas cada vez mais se torna impossível depender destes transportes.
Oi Alexandre!
Então, sou de SP sim e dei essa opinião pela minha experiência que NÃO inclui ter pego metrô na Sé, às 18h! rs
Sei de quanto é difícil horários de pico e etc., mas quando preciso chegar em endereços que não conheço muito ou que sei dos preços absurdos de estacionamento, opto por metrô e taxi. Menos dor de cabeça! Não digo enfrentar trânsito de taxi, isso é burrice total, mas pequenas distância, é bem valido!
Por isso que eu não dirijo.
(Claro, só por isso. Não tem nada a ver com a minha falta de habilidade motora, nem com o fato de eu não ter conseguido nem LIGAR o carro no meu teste da auto escola. É só pelo preço do estacionamento, mesmo.)
Isso é simples Isa…
No momento em que se compra um carro popular(?) por no mínimo 25 mil reais (a vista), as ruas e avenidas, não só de sp, mas de qualquer cidade do país, inclusive as pequenas, estão lotadas de carro, a gasolina subindo e as pessoas tendo um poder de compra maior, é natural que o preço de um estacionamento seja esse mesmo… aliás quando se tem um monte de lata que vale muito dinheiro nada mais justo que se pague caro pra guarda-lo. Em cidades como Londres e NY o estacionamento é muito mais caro do que SP. Agora é muito mais fácil e cômodo comprar um carro a andar de metro, ônibus e trens no brasil, já que estes são insuficientes para atender a população
Pra economia em si, o preço alto desses estacionamentos não afeta em nada. E quanto mais esses estacionamentos puderem aumentar, eles irão aumentar, porque eles descobriram que estacionamento é um bem INELÁSTICO, ou seja, o preço pode aumentar o quanto for, o consumo por este serviço não cairá. Isso, claro, considerando que São Paulo é um caos quando se fala de transportes públicos. Então, ai entra o tal do tradeoff que chamamos em economia, grosseiramente falando, é quando optamos por uma coisa ao invés da outra. Você ao querer sair de casa seja para tomar uma breja com seu namo ou ir trabalhar, enfrenta um tradeoff entre ir de busão/ônibus ou ir de carro. E o preço disso? No carro você tem conforto e todo aquele blablabla mas tem que pagar o bendito estacionamento. Em contrapartida, têm o transporte público horrível que estamos cansados de ver nesse Brasilzão! Daí entra o famoso custo-beneficio. Para você, pode até ser que o custo-benefício de ir de ônibus pode ser maior.. mas lembre-se do que eu disse no começo do post, neste caso, a elasticidade desse serviço é inexistente.. portanto, sempre terá alguém para pagar essa facada no peito (ou no bolso, tanto faz). Isso só vai acabar quando for bom para todos usar o sistema público.. e tendo em vista que estamos no Brasil, é melhor esperar sentado, no carro ou no metrô.. se bem que no metrô a gente vai em pé né. Por que o preço disso não vai abaixar tão cedo!
(fiz uma análise bem raza economicamente falando, só estou no 3 semestre de economia :) é isso ai! abraços!)