Eu não sei escrever
Todo fim de texto é uma delícia. Checo tudo, coloco a imagem, releio e pronto. Hora de apertar o botão mais esperado da semana: publicar.
Aí é como terminar de fazer as provas semestrais e emendar as férias de julho. Sem nem saber o resultado, já me sinto de férias. A diferença é que esta sensação de alívio, de trabalho cumprido e de tempo para viver dura apenas cinco dias.
E não é porque tenho muitos leitores, porque ganho dinheiro com este pobre blog (aliás, ei, mídias sociais, me deem uma chance!), porque me cobram, porque me mandam e-mail dizendo que sentem minha falta, porque tenho que inaugurar a cara nova do blog. Não. É pelo mesmo motivo que sinto culpa toda tarde que saio do colégio no meu intervalo e vou tomar um café digno na mesma rua, com um super bolo de chocolate ou alguma coisa doce que seja super.
Por alguma razão desconhecida, meu inconsciente associou que toda vez que saio para tomar café (aliás, um super café), eu boicoto corpo e alma com cafeína, açúcar, gordura e conservantes. É, eu sei, seria mais fácil e saudável comer uma manga na sala dos professores, mas eu não consigo. E isso complica ainda mais o caso, porque além de culpada, me sinto incapaz de reverter a situação.
Assim, além de que não necessito de cafeína, açúcar e gordura (o que é uma tremenda mentira), meu inconsciente decidiu também que eu tenho que escrever um post por semana. Acontece que tem dias (e tem semanas também) que as ideias surgem e somem, que nada se conecta, que textos começam e nunca terminam, que as palavras parecem fazer complô contra as minhas ideias. Nada sai de dentro da minha mente. Aliás, sai sim e, na tela do computador, fica sofrível.
É por isso que, às vezes, eu não posto. Não, não é porque eu estou fechando negócios milionários, nem porque as dezenove crianças durante a tarde andam consumindo boa parte da minha energia (bem, neste caso, é…). Enfim, também não é porque estou bolando um texto incrível e muito menos porque não quero cansar meus três leitores assíduos (pai, mãe e namorado – ooooi, gente! Namorado? NAMORADO?).
Não. Saibam que é, simplesmente, porque eu não sei escrever. E durante este tempo, a ausência de um texto neste blog toma conta da minha mente. Penso em ouvir conversas alheias e nada de interessante sai, tento ver um filme e ele até é ótimo, mas as palavras fogem assim que tento formalizar qualquer pensamento.
Aí, uma novela mexicana se instaura em minha mente e eu começo a pensar em como vou explicar para as pessoas o abandono do blog. Meu próprio inconsciente (canalha!) sugere desculpas: diga que está focando em outras coisas, fale que o design era muito infantil, diga que a onda agora é Twitter, fale que você não é deste tipo de gente que se expõe na Internet.
A boa notícia é que, geralmente, a crise passa e eu volto a escrever – mediocremente. Mas volto.
PS: Agradecimentos eternos ao Gustavo Gitti, vulgo meu namorado, que arduamente trabalhou como web designer deste blog e terminou colocando lá em cima uma das fontes do projeto Unique Types, que apoia a AACD. As fontes são grátis e, utilizando-as, você ajuda a divulgar a instituição!
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12 comentários



Aaaaaaaaaaaaah….. eu gosto dos seus textos e embora não comente, estou sempre aqui lendo!!
Essas coisas são complicadas mesmo… às vezes não brota inspiração de nada, mas ah nem sempre inspiração quer dizer textos bons ;p
Fique sussa que vou cotninuar lendo!!!!
Beijos queriiida!
Olá! Pelo pouquinho que vi do seu blog, gostei muito! Gostei bastante mesmo e me identifiquei com esse. É assim mesmo, diversas vezes as ideias não se conectam na minha mente, fica tudo confuso e embaralhado, mas com o tempo a inspiração volta, todo blogueiro passa por esses bloqueios. Beijos, vou vir sempre visitar!
Oi Isa!
Eu entendo o sofrimentozinho que vc descreve quando fica sem escrever… Toda vez que eu me cobro de algo (não, nunca é alguém que me cobra porque, antes de tudo, EU me cobro!), minha tendência é travar, paralisar.
Eu sempre volto a fazer o que eu me propus a fazer. Mas geralmente envolve um esforço maior do que deveria existir! Como o tempo, deixei de me cobrar. Deixei de me cobrar a comer menos doce, menos porcaria. Deixei de me cobrar a fazer exercícios físicos religiosamente. Deixei de me cobrar a escrever, a estudar a sei lá o que for… Na maioria dos casos funcionou mais. Comecei a comer menos, me permitindo umas escapadinhas… Os textos vinham mais fáceis, o exercício voltou a ser prazeiroso! As vezes eu preciso de um chacoalhão, fato! Mas briguei feito com o meu inconsciente canalha que me cobrava as tripas e resolvi só viver! :)
Adoro seus textos! Estou sempre por aqui! Sorry pelo comentário gigante, :D
Um beijo estalado!
Mari
Hey, Isabella
Te enviamos um convite para a inauguração da loja Sample Central há uns dias.
Gostariamos de saber se você recebeu e reforçar nosso interesse na sua presença! :)
Obrigada e beijos! :*
Crise existencial, falta de inspiração, dificuldade em transcrever a inspiração… Enfim. Sentimentos que quem volta e meia escreve, conhece. Não se sinta só nesse mundo, Isabella.
Sabe o que realmente importa? Que quando se escreva, dê prazer – eis o objetivo em (quase?) todas as nossas ações, afinal. E esse texto não fez por menos, está incrível. Teus textos são ótimos.
E tri legal o template, by the way.
Já passei por isso… Até que passei a deixar sempre uns textos já preparados, mas sem publicá-los. Isso me deixou mais tranquilo com o blog e facilitou a escrita na maioria dos casos. Sei lá se ajuda… só relatozinho pessoal.
Se ajudar em algo, nem que seja aumentar a pressão semanal, tens mais um leitor regular :-)
Dois leitores regulares.
E eu também não sei escrever(não que eu ache que você saiba)..mas escrevo mesmo assim e amo!
Isa,
liga não…isso acontece nas melhores familias.Mas, aproveitando o ensejo, ta faltando post aqui!hahahha
bejos
Te entendo, agora mesmo escrevi várias coisas e apaguei. Ideias interessantes, escrita medíocre.
+ 1
Eu entendo perfeitamente o que é isso! As vezes eu tenho um tema legal, mas quando vou escrever sobre ele rola uma confusão na minha mente e acabo desistindo! kkkk