Falta de educação

O mundo virtual em peso fala sobre o caso Geisy e UNIBAN. Blogueiros, twitteiros e afins dão seus pitacos no famoso vestido rosa, na sua dona, nos alunos e na universidade. Cansei de contar as vezes em que li Taliban, turba e nazismo em textos sobre o caso. Aliás, neste vídeo ótimo, o blogueiro Cardoso mostra o que Hitler acharia de ser comparado com a UNIBAN.

No último sábado, a UNIBAN expulsou a aluna do corpo discente. E ontem pela manhã, a decisão foi anunciada no Twitter da instituição. Na nota divulgada, a universidade cita que a aluna desrespeitou os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade da instituição.

Aproveito a situação para lançar um olhar sobre o papel da universidade.

É fato que a moça foi desrespeitada pelos alunos, sendo “culpada” ou “inocente”. E depois foi hostilizada pela universidade, que só confirmou o quanto está alienada ao autorizar e praticamente validar a atitude de alunos moralistas e levados pela multidão.

Neste caso, o único papel que cabia à UNIBAN era se colocar à frente da discussão e ouvir alunos, professores e a vítima da situação. Sem moralismo. Ao agir de forma precipitada e preconceituosa, a universidade só demonstrou seu despreparo.

No livro 10 Novas Competências para Ensinar, o sociólogo suíço Philippe Perrenoud cita alguns itens essenciais para, justamente, educar. O item nove diz respeito a enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão, que, entre outras coisas, fala sobre: prevenir a violência na escola e fora dela, lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais e desenvolver o senso de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.

Não é de hoje que sabemos que o ensino está sucateado. Creches, escolas de educação infantil, fundamental e ensino médio, nos setores público ou privado. O caso UNIBAN veio para mostrar mais: o ensino superior, que deveria ser exemplo e sinônimo de credibilidade, reflexão, embasamento, pesquisa e ação também está despreparado.

A decisão já foi revogada – a reitoria deve ter visto a notícia repercutir e, cá entre nós, quem quer ser vilão nessa história? Ir contra os alunos, a UNIBAN não pode – afinal, quem pagará as mensalidades? Refletir sobre o caso, entender o motivo da perseguição a uma garota de pouca roupa, o motivo dos alunos terem abandonado as aulas e rever os próprios conceitos? Trabalhoso demais.

A UNIBAN completou o caso dizendo que “reafirma o seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior”. Quem acredita?

Eu sugiro que a UNIBAN inteira se debruce, pelo menos, sobre a obra de Philipe Perrenoud.

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4 comentários

  1. Oi Isa!

    Óbvio que eu lembro né? rsrs
    Seu blog é ótimo, vou passar aqui sempre!

    Meu, a UNIBAN consegue se afundar mais a cada nota que sai sobre o assunto. Mas aquilo é outra realidade. Um professor meu comentou em off, que, quando ele dava aula lá, os alunos chegaram a fazer "corredor polonês" pra dar tapinhas na cabeça dos professores mais carrascos assim… triste né?

    Beijos!

  2. Cuidado com aquelas suas saias curtas! ~~
    Hoje sonhei com você !
    Beijos!

  3. Eu sugiro que UNIBAN leia apenas a wikipedia os seguintes termos: Ética, Justiça e dignidade humana hauiehoeuihoieuheoiueh

    Não é preciso saber muito para saber que o que foi feito foi uma cagada….

  4. vi a foto da Geisa essa semana na google, ela é outra pessoa ,nem a reconheci de tão diferente que ficou .
    não podemos dizer que a polemica saia curta não fez bem a ela…

    cintia

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