No corpo
No chão, uma mulher. Jogada. Dopada com um comprimido para dormir, ela está enrolada em uma camisola, com a cabeça coberta por um tubo de crochê que a prende na parede.
No vídeo, uma dançarina de flamenco no palco, toda vestida de branco, se alfineta sem parar. O resultado, após poucos minutos, é um vestido branco, florido de sangue. Em sua face, nenhuma dor. A pose.
Outro vídeo: numa cadeira, uma mulher vestida de preto. Levanta a saia e com uma faca (e paciência) começa a se cortar. Ao fundo, notamos o pé de um homem, parado. Ela termina de escrever. A perna sangra. A palavra jorra: “perra”. Cachorra, em espanhol.
As obras são, respectivamente, de Laura Lima, Pilar Albarracín e Regina José Galindo. A exposição, intitulada Corpos Estranhos, está no MAC (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) e é um convite para refletirmos um pouco sobre o corpo na sociedade contemporânea, suas marcas e nossas máscaras.

Toilette, de Albarracín
Repugnantes e dolorosas, as obras mostram diferentes situações em que a mulher é quase um objeto. Como vítima e como cúmplice. É a mulher que veste a camisa-de-força – ela é complacente de sua situação. É ela que mutila sua perna, observada por um homem. É ela que se dopa. É ela que se alfineta. É ela que… É?
Até onde dominam? Onde começam a se deixar dominar? O dominador precisa de um dominado. E o dominado?
É certo que não podemos generalizar os muitos casos de violência contra a mulher, afirmando que elas são cúmplices desta situação (porque, conscientemente, não são). Entretanto, cabe aqui parar para pensar que talvez estas atitudes sejam apenas reflexos de uma sociedade que ainda nos trata com desigualdade.
Em 2007, o relatório social da FUVEST perguntava aos candidatos sobre o grau de instrução de seus pais. A alternativa marcava para o pai, até a pós-graduação e para a mãe, até o ensino superior. Erro grave para uma das maiores instituições da América do Sul.
Aliás, hoje, a maioria dos estudantes da pós-graduação da Universidade de São Paulo é composta por mulheres. Talvez seja uma forma de inserção das mulheres no mercado de trabalho, já que os homens continuam ganhando mais do que nós. O jeito é recorrer à especialização antes.
E entre alguns retrocessos e outras conquistas, estamos em tempos de lei Maria da Penha, que veio para nos mostrar que ainda falta muito. Se precisamos de uma lei especial para que homens violentos sejam punidos, é porque a situação é muito grave. É porque existem homens que, realmente, se sentem superiores à mera existência feminina. Mais uns oito mil anos para a humanidade evoluir a ponto de perceber que Darwin tinha razão e que todos nós viemos do macaco.
Onde? Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP)
Até quando? 4 de outubro de 2009
Visita orientada? Sim (fui com a professora Maria Angela Serri Francoio, que foi muito simpática e me instigou a pensar no tema).
Até quando? 4 de outubro de 2009
Visita orientada? Sim (fui com a professora Maria Angela Serri Francoio, que foi muito simpática e me instigou a pensar no tema).
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4 comentários


agora eu tô curiosa pra saber oq vc queria me perguntar!!!!
um beijo!!
Putz, acho que eu não teria estômago pra ver isso. Assunto importante, Isa. Gostei muito.
Tá faltando nosso bate-papo, hein?
Um grande beijo,
Bel.
Oi, menina, tenho acompanhado teu blog há algum tempo, de forma anônima. Você escreve muito bem!
Bom, olha só, moro em Embu das Artes e também sou Pedagoga ^^ Li há algumas semanas sobre o worksarau e queria perguntar como é que funciona, quando terá novamente, se eu posso pleitear um convite, essas coisas… rs
Super beijo e desculpe a invasão.
Oi Tata!
Olha só, para saber dos worksaraus, entre no blog do Galldino…
http://www.galldino.blogspot.com