O caso de Monte Verde
Minha família decidiu passar o feriado em Monte Verde. Muito bem. Eu conheci a cidade quando, em 2005, fomos todos (pai, mãe e irmã) e passamos alguns dias comendo, comprando, comendo e comprando. Não sou muito chegada a compras, mas, sim, sou bem chegada a comidas, então, resolvi ir de novo. Só que desta vez com pai, mãe, primos e respectivas. Ou seja: a vela do grupo.
Em 2005, malandrona no teco-teco e…
…neste feriado: me sobrou um anão.
Logo nos primeiros dias me fiz esta questão: por que é que eu inventei de vir? Sim, a turma é bem animada. Sim, comer é uma delícia. Chocolates aos montes, centrinho lindo, pousada bonitinha, wireless etc. Mas eu odeio frio. Odeio! Meu nariz escorre, não consigo sair da cama nem passear pela cidade sem repetir irritantemente a insuportável frase no mesmo tom: “Ai, que friiiio!” (para mim mesma, claro, já que os casais não me ouviam).
Está certo que fui para Monte Verde com a certeza de que iria conhecer todas as trilhas da região. Assim como os montes, as montanhas, os vales, os rios… Queria estar bem cansada para ir para a cama às 22 horas, felicíssima. Só não pensei que poderia chover durante (quase) o feriado inteiro e isto impossibilitar (quase) todos os meus planos.
Com as trilhas fora da agenda (só fiz uma!), o que nos resta é passear pelo centrinho. Passear e comprar. Eu não tenho muita paciência para compras e sempre acho que posso achar tudo pela metade do preço no Brás. Aí, decido ficar no hotel lendo e sou taxada de antissocial pelo grupo. Pode?
Minha gente, não nasci para fazer excursão. Odeio essa de: vem comprar gorros com a gente, depois compramos luvas para ela, depois meias para ele e blusas pro outro e, então, vamos tomar chocolate com você. Ahhh, não mexam com meu chocolatinho. Gosto assim: galera, cada um
Como se não bastasse, em meio a uma crise de o que é que eu vou ser quando crescer e estando numa fase de férias e balanço de lucros e expectativas, não é que eu encontro, na menor loja da minúscula cidade, minha ex-chefe? Olhando nas prateleiras luvas e cachecóis e roçando (sem querer, hein?) o bumbum com ela, ouço um “Iiiisa?“, com aquela voz que eu bem conheço. Virei já preparada para o golpe.
Ok, absolutamente nada contra a pessoa, muito simpática, educada e tal. Mas eu pedi demissão e ver seu antigo emprego sendo esfregado na sua cara durante a viagem ociosa não é uma coisa muito agradável. É mais ou menos assim: “Saí de lá faz um mês para pensar na vida, você já ganhou mais um salário e eu continuo pensando…”.
Apesar de tudo, Monte Verde é uma graça. Não coma fondue (os dois que já comi por lá são péssimos), escolha bem uma pousada, cuidado para não atolar o carro quando chover (meus dois primos tiveram a proeza de atolar dois carros), não vá sem um par (essa é pra eu não esquecer), leve um livro bom, umas botas para sujar, muita roupa de frio e uma família animada. No fim das contas, posso dizer que foi bom. Nada paga diversão em família. Valeu a pena o fondue ruim, o frio exagerado, a dona da pousada, a estrada horrível, as irritações que os grupos causam etc e tal. Mas, por favor, me lembrem de não querer voltar para lá tão cedo.
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2 comentários



Nem se for acompanhada ??? ~~
Bom, aí… Se for acompanhada, eu tiver uns 70 anos e nada pra fazer da vida, vamae, mano…