O trágico da existência estudantil

Ando ocupada com os afazeres da minha monografia. Não que eu esteja muito atarefada. Ou estou? De fato, estou, mas escrevi muito pouco ainda. O que acontece é que quando não estou escrevendo para a monografia, penso que deveria estar escrevendo para a monografia, aí não consigo escrever nada, porque, ora, se for para escrever, Isabella, que seja para a monografia.

Não que eu esteja estagnada. Até me surpreendi com o quanto consegui evoluir dia desses. Depois de ler umas mil páginas, consegui elaborar um raciocínio: primeiro falo disso, depois disso, depois daquilo. Vocês sabem, esta é a maior dificuldade: reconhecer que há algo a escrever sobre o tema – as pessoas escrevem muito, escrevem difícil, já escreveram tudo!

Outro ponto é conseguir se liberar do certo e do errado. Estou aqui escrevendo o que acho que Snyders quis dizer da felicidade na universidade, o que entendi que Schön falou sobre o que é ser um professor reflexivo, o que compreendi do que Iavelberg disse da importância de simular a prática na formação do arte-educador.

Meu medo é estabelecer verdades, verdades, verdades e de repente pensar que… Não era nada disso. Ela quis dizer justamente o contrário, Snyders foi irônico quando disse aquilo e Schön, ahhh, Schön é um bocó (vai me dizer que você não sabia?).

Pelo direito de estamparmos esta frase nos nossos trabalhos acadêmicos

É claro que é mentira: Schön não é considerado um bocó (muito pelo contrário, me parece, hein?), Iavelberg quis dizer aquilo mesmo e Snyders não foi irônico nada. Eu acho.

Aliás, é de Snyders a melhor definição desta angústia estudantil que nos assola. Este sentimento que nos atordoa, este não saber se conseguiremos chegar ao saber, se um dia estaremos perto de contribuir minimamente como contribuíram os grandes pensadores que admiramos. Esta incerteza do sentido dos estudos, este limbo entre me achar com uma pretensa sabedoria e me resignar como medíocre.

Essas dúvidas todas que nos afligem, são parte desta angústia, do que Georges Snyders chama de o trágico da existência estudantil.

Ou você ainda acha que terá tempo de ler todos os livros que queria?

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10 comentários

  1. O que sugere? Morte a todos os escritores? Eu já pensei nisso. Uma coisa do tipo: pare de escrever, porque eu quero ler!!

    Mas enfim, você conhece GTD? Acho legal usar para ter ideias e fazer o texto. Fiz uma mistureira aqui http://concursoriopreto.blogspot.com/2011/07/metodo-natural-de-planejamento.html, se já tiver a pergunta de pesquisa, dá para usar isso aí. Só para sugerir algo. Hehe

  2. Nossa, apesar das ideias estarem bem embaralhadas na minha cabeça, creio que o que você escreveu é algo que de um modo ou de outro me assola constantemente… rs

    Eu geralmente penso que jamais conseguirei “tirar da cartola” conslusões, evidências ou simplesmente reflexões tão dignas como outros já fizeram.

    Enfim, gostei muito do seu blog, inclusive! =D
    Estou estudando Pedagogia na USP e gostei muito de saber que você passou por lá e tudo mais. Visitarei você mais vezes. :)

  3. É sempre bom descobrir que certas sensações são clássicos e que não somos apenas nós que sentimos, ajuda a se sentir menos maluco (escrever uma monografia quase sempre é parecido com namorar uma guria que antes de te conhecer saía com, sei lá, o Javier Bardem. você fica ali se questionando o que vai acrescentar, qual a relevância do que você tá fazendo e porque aquilo é importante se galerinha já fez bem melhor antes de você)

  4. Pare de bater papo no chat que sobra tempo !

  5. Estou nessa fase de monografia também, as citações por obrigação de todo trabalho científico devem ser contempladas. O que não gosto é de perder o estado da arte tendo que ler inúmeros artigos para ter que definir uma verdade, estou baseando minha pesquisa em torno das minhas experiências tentando não afetar o que a massa acredita que seja verdade ou mentira, porém colocando um foco que me deixa confortável para escrever porque realmente vivi. Um dos livros que gostei durante a graduação foi; Um toc na cuca e Mapas Mentais para organização de idéias, fica a dica e sucesso neste término de jornada. ,o/

  6. Luiz Fernando |

    Como sugerido no PdH, cá estou eu Isabella!
    :P

    Eu ainda não me eduquei a ler quando posso, a selecionar os textos. Quero ler tudo, estar por dentro de tudo, não perder nada. Devo ter uns 30 livros não lidos ainda e uma fatura do cartão de crédito vitalícia. Já deixei de sair com amigos para ficar em casa, ler um pouco os jornais (inclusive os antigos, de até 4 dias atrás), ler os textos em blogs e sites por aí (PdH não me deixa mentir, to por lá todo dia! E agora aqui, será!? hehe).

    Também to no grupo “Parem de escrever, eu quero ler!”.
    hehehe

    E também senti essa sensação de contribuir algo para a humanidade como os grandes pensadores e me senti muito frustrado de que preciso de muito mais para tal. Hehe

    E Monografia? Adoroo!!! Hehe

  7. Meniiina, me encontrei nesse texto!
    Costumo dizer que estou de TPM (Tensão Pré MONOGRAFIA!)
    O que a gente faz? Surta de vez ou chuta o balde? Ou para de ler e espera baixar uma luz divina? haha
    Tenho que entregar o Referencial Teórico mês que vem… Então, boa sorte pra nós!
    Adorei o blog ;)
    Beijos

  8. Olá, parabéns pelo blog. Gostei muito do jeito que você escreve, sucesso!
    Beijoos

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