Oitenta e cinco

O que dizer de alguém que detalhou passo a passo o processo de impeachment do então presidente para a neta? Para a neta de seis anos de idade. O que falar de quem me colocava no carrinho de feira para me levar para a escola? Que me ensinou a gostar de Vargem, de política, de conversar e de ficar quieta? O que dizer de um avô ranzinza o suficiente para fechar a cara quando alguma coisa sai do seu controle e molenga o bastante para chorar por qualquer coisa?

Francisco Tacito. Ele que colocou na minha cabeça que eu seria médica. Ele que nem se importa mais com isso. E que formou uma ranzinzinha no mundo (além da minha mãe): eu. Eu que, quando pequena, saía apagando as luzes da casa. Eu que conto moedinha por moedinha. Que tenho dinheiro guardado, que não gasto com besteira. Que gosto de Demônios da Garoa e de música italiana. Que, às vezes, podo as plantas da casa dele. Não ficam boas, eu sei, mas ele diz que sim. Pega a tesoura e conserta tudo.

Ele que compra berinjela toda semana para mim. Que acorda antes das galinhas. Que adora doces. Que cochila sentado depois do almoço. Que mexe nas sobrancelhas. Que sai espantando os cachorros de dentro de casa. Que ensinou a todos os netos o mesmo batuque: “quem-qué-pão, quem-qué-pão”. Que senta com os joelhos para cima. E que, sem saber, me ensinou a sentar assim também.

Feliz aniversário para o dono do controle remoto! Parabéns, vô Chico!



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1 comentário

  1. wanlima.blog.terra.com.br |

    parabéns ao seu avô e a você por poder tê-lo por perto… infelizmente não conheci meu avô materno que me contem ter sido um homem que gostava muito de crianças e de conversar com os jovens, mas que infelizmente não chegou a conhecer os netos.

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