Finalmente voltei a frequentar a Cidade Universitária. E reparei que muita coisa continua igual por lá. Por isso, elaborei uma pequena lista de dicas aleatórias e preciosas para você que passa por lá.
1) Se quiser almoçar bem, vá ao Sweden, ao lado da FEA. Você vai pagar um pouco mais caro (algo em torno de R$30,00 o quilo), mas vai comer saladas deliciosinhas, ter boas opções e vai almoçar com um público mais cara de shopping center do que de universidade pública. Aproveite e sente nas mesinhas de fora. Leve uns amigos para conversar enquanto estiver na fila. Ou vá sozinha e, enquanto tempera a salada, seja paquerada por um cara que parece o Raj.
2) Combine com uma turma e faça uma visita monitorada ao MAC. Vale a pena. Fique de olho no Paço das Artes, coisas maravilhosas acontecem por lá. Se tem estômago, vá ao Museu do Crime. Se o que tem é paciência, vá ao MAE.
3) Cuidado em dias chuvosos. Dizem as línguas mais cautelosas, que é em dias assim que os criminosos atuam por lá. Como os guardas ficam nas cabines ou fazendo rondas de carro (já que chove e ninguém quer se molhar), fica mais fácil roubar sem ser incomodado. Por isso, pare o carro em lugares mais movimentados.
4) Não perca, por nada, a feira de livros que acontece anualmente na FFLCH. Por mais que você não queira comprar livros, vá. Os preços são absurdamente baratos. Há alguns anos, achei um lançamento por menos da metade do preço. Livro da Gloria Kalil, badaladíssimo! Comprei dois: um pra mim, outro pra tia Sônia.
Glorinha informa: não é chic[érrimo] informar que o presente da sua tia custou uma bagatela.
5) Frequente os sites das faculdades. Cursos de extensão, idiomas, palestras, encontros e coisas muito interessantes não são amplamente divulgadas. Na verdade, algumas até são, mas devido ao tamanho da Cidade Universitária e à distância entre uma faculdade e outra, confiar no boca-a-boca não é o meio mais eficaz de se informar de tudo o que acontece e te agrada.
6) Se é aluno regularmente matriculado na USP, conheça o CEPEUSP. Se não é, chore por não poder fazer yoga, fitness ou alongamento pelo preço de R$5,00 semestrais.
Estou chorando também, caro leitor.
7) Andar de ônibus é o meio mais eficaz de fazer amizade com alguém da USP. Na verdade, é o segundo meio. O primeiro é entrar no mesmo seminário que a pessoa (levando em conta, claro, que existem grandes possibilidades disto virar briga). Se você for de ônibus, vez ou outra aposente o fone de ouvido e o texto da próxima aula e encontrará pessoas estranhíssimas. Tipo:
- Alguém que te vê com umas partituras do coral que você começou há dois meses, engata um super papo sobre música e te adiciona no orkut;
- O cara que fazia teatro com você, foi rei e seu pai numa peça e é a pessoa de quem você não consegue lembrar o nome, apesar de ele insistir em te chamar pelo seu de dois em dois minutos;
- Um cara que dá aula de filosofia e marketing (ahm?) para amigos seus em outra faculdade e sabe mais de astrologia do que qualquer revista de começo de ano;
- E mais todas as pessoas da sua sala. Amizade simples que começará no: “Onde você mora?” e terminará com uma carona diária em alguns anos.
Gostou? Tem mais dicas sobre a USP? Manda pra cá que eu estou precisando!
por Isabella Ianelli em 22/08/2009 | cotidiano | 9 comentários
Eis que eu estava, na semana passada, olhando os acessos das pessoas a este humilde blog, quando noto um endereço de entrada estranho. Aliás, antes fosse estranho. Tremendamente conhecido: webmail.nomedaempresa. A empresa em que meu pai trabalha.
A pessoa passou vinte e sete minutos futricando por aqui. Que coisa, não, gente? Alguém que trabalha com meu pai e utiliza o e-mail da empresa recebeu o endereço do meu blog por e-mail e passou um tempo lendo meus escritos ou… Ou… Ou…
Obrigada pela interpretação, Raul.
Sim, meu pai leu este blog. Mas, calma, tudo bem. Ele gostou. Entrou no dia seguinte e passou mais sete minutos por aqui. Comentou na hora do jantar que adorou, que eu escrevo bem e indicou a leitura para o meu primo, que respondeu prontamente: “Ah, eu já dei uma olhadinha. A tia me mandou também”. Ah, claro, como não? Minha mãe passou este blog para toda a lista de contatos dela.
Se você achou isso engraçado, é porque não conhece o caso da eleição para a escolha da Miss Usp. Minha mãe só não comprou o jurado porque não tinha. Era uma votação virtual. Então, ela mobilizou a família toda, os amigos, os conhecidos. E deve ter pedido aos inimigos também. Foi uma grande eleição, do tipo: 100 votos para Isabella e 3 para a concorrente.
Eu fui Miss Usp Outubro de 2005. E, por isso, fui reconhecida na Festa de San Gennaro.
Caros leitores, o Sarney só continua no Senado porque minha mãe ainda não decidiu se mobilizar. Se ela entrasse no twitter e levasse a campanha #forasarney tão a sério quanto levou a da Miss Usp, faria Marcos Mion, Junior Lima e companhia morrerem de inveja. E convenceria fácil o Ashton Kutcher.
Que meus pais são cidadãos virtuais não é uma má notícia. Agora, há poucos dias da descoberta do meu blog, a grande questão, a pergunta que não quer calar, o cerne deste post é: sobreviverá minha criatividade às visitas diárias de pais e convidados?
Sim, pois já ouvi uma piadinha em casa que podou minha capacidade criativa. Ao ver que Ágatha Christie e Bombom Cherry Brand não tinham água em seus respectivos potes e transferindo a culpa para mim, meu pai disse, em tom de deboche: “Por que você não escreve no seu blog assim: ‘Sabe, hoje eu descobri que minhas cadelinhas não são virtuais, elas bebem água…’?”.
Aguardem pelos próximos capítulos.
por Isabella Ianelli em 18/08/2009 | cotidiano | 3 comentários
… quando tiver um bebê.
- Colocar um adesivo no carro do tipo: “Cuidado, bebê a bordo” (e variantes piores: “Princesa Genoveva a bordo!”, “Vitória Régia e Carlos Damião no carro” etc).
Você acha mesmo que eu vou imaginar uma ultrapassagem, mas retomar meu juízo, pensando: “Pô. Vou fazer isso não. O Pedro Guilherme tá no carro.”. Sério, desista. Nem vou lembrar do seu filho na hora de meter a mão na buzina. Toma que o filho é teu.
- Dar de mamar na frente da galera.
Mamãe, não é porque você pariu que seus seios viraram outras coisas que não… seios. Continuam seios, entende? Tenho um misto de repugnância e curiosidade com as mamães que não se importam e levantam (ou abaixam) a blusa na frente da galera, em nome do filhinho. Seguem um instinto natural (?) mostrando uma coisa que até poucos meses atrás escondiam com veemência. Sim, ele tem que se alimentar, mas não precisa ser no meio da muvuca.
- Insistir que ele, aos quatro meses, é uma sumidade de inteligência.
E ressaltar como o pediatra, a diretora da creche e o vizinho do segundo andar ficaram impressionados com tanta esperteza. Terminar com um: “Você também não acha?”.
por Isabella Ianelli em 11/08/2009 | cotidiano | 4 comentários
Despertador programado para tocar às nove da manhã em Vargem. Casa dos avós, interior, cidade pacata. Longe da loucura da cidade grande. Da maldade alheia. Não? Não.
Seis horas da manhã, acordo com a campainha tocando. Muitas e muitas vezes. Saí na janela para ver o que queriam. Vargem, que é pacata até mesmo às duas da tarde, às seis da manhã ainda dorme. Não entendia o que o homem queria. Ele gritava e gesticulava, mas eu não conseguia decifrar o que ele dizia. Quando decidi pegar o interfone, vi meu avô por lá, foi mais rápido.
Colocaram fogo no cedrinho da casa dos meus avós.
Antes de continuar, esta é uma cerca viva igualzinha: de cedrinho
Sim, o sistema de “cerca viva” não é dos mais seguros, já que o cedrinho envelhece, fica com galhinhos secos e qualquer fogo se alastra. Mas, em tantos anos, nunca houve um incêndio por lá. Até o último ano. Porque desde o último ano, já colocaram fogo no cedrinho três vezes.
Nas outras vezes, colocaram em horário comercial. Desta vez, aproveitaram a rua vazia, o sono dos moradores e… Riscaram um fósforo por lá.
Não, não há a possibilidade de ter ocorrido um acidente. Uma bituca de cigarro não faz tamanho estrago nas condições da manhã de hoje: fria, resultado de uma noite de sereno e com as plantas úmidas. Fora que eu, claro, investiguei o local e não achei resquício de cigarro ou qualquer outra coisa que pudesse ter causado um incidente.
Pois é. Não é só na cidade grande que se trapaceia. E não é só com motivos que fazem isso. Tem gente que faz por pura maldade mesmo. Mas também tem gente bondosa. A vizinha da frente, com quem não temos contato nenhum, viu as chamas da janela do quarto dela e foi lá, de pijama, apagar o fogo, antes mesmo de meu avô, a mangueira e eu chegarmos até o local.
Tem quem faça maldade gratuita. Mas também tem quem faça o bem sem olhar a quem.
por Isabella Ianelli em 3/08/2009 | cotidiano | 3 comentários