Isabellices no PapodeHomem

Sim, nesta semana, eu apareci no PapodeHomem para dar pitaco em como você tempera sua Guacamole.

A minha Guacamole

Não, eu não entendo muito do assunto, mas já andei amassando muito abacate na vida e aprendi alguns truques básicos e uma receita ótima. Aí, meu namorado, que é editor daquele blog repleto de homens esfomeados, sugeriu a pauta, tirou foto e me convenceu a fazer um texto animadinho.

Isabella escolhe: abacate comum ou avocado?

O resultado da receita eu garanto que é muito bom. Tanto que minhas próximas ambições na cozinha são aprender a fazer um ótimo Frijoles e, finalmente, começar a produzir meus próprios Nachos. Uma mexicanazinha, praticamente.

No elevador

De onde você não pode sair quando bem entende

Dia desses, trabalhei até mais tarde. Eu e minha colega colocamos em ordem tudo o que não conseguíamos organizar há tempos. Era um tal de colocar caixa acima, caixa abaixo, separar uma coisa, organizar outra etc e tal.

Lá pelas oito e meia da noite, já era de se esperar que tanto eu quanto ela não estávamos as mais belas criaturas deste mundo, não é mesmo? Pois bem, famintas e acabadas, juntamos nossas trouxinhas e nos despedimos de nossa sala. Rumo ao elevador, a filha dela de três anos de idade (que estava com a gente) iniciou um pequeno escândalo.

Um show particular que estava até mesmo engraçado para nós duas: aquele pequeno ser gritava porque não queria ir embora. Sim, a criança estava caindo de sono e continuava insistindo: quero ficar aqui, quero chocolate, quero brincar. Nós três ali, em frente ao elevador, no fundo sabíamos que o que ela queria mesmo era dormir. Mas criança é uma coisa tão engraçada – quase tanto quanto mulher: nunca diz exatamente o que quer. Nem sequer sabe, acredito.

Enquanto eu via a criança se contorcendo nos braços da minha colega, pensei em quantas vezes passamos por isso. Tarefa rotineira para a gente: lidar com birra de criança. No entanto, aquela era uma birra diferente, era muito mais poderosa. Afinal, o pequeno ser ali sabia com quem estava lidando: sua mãe, no ambiente de trabalho e em frente a uma colega.

Muito bem, o elevador chegou e o que mais pode acontecer num dia destes, não é? Quem mais está no prédio a esta hora? Nossa coordenadora já tinha ido embora, assim como nossa diretora. Ninguém mais no andar e era de se esperar que ninguém mais também no elevador, certo?

Errado. Quando você está descabelada, com olheiras, faminta e com uma criança ao seu lado que intercala birras para a mãe e para você, Murphy faz questão de oferecer ao universo duas opções: mande até lá o único sujeito altamente interessante do pedaço ou…

Ou mande imediatamente o chefe dela. Sim, não era minha coordenadora ou minha diretora: quem estava no elevador era o chefe da minha chefe, o diretor, o big boss, o mais mais mais, que eu só vi algumas vezes na vida e que ainda nem sabe meu nome.

Sim, no único dia do ano em que meu crachá já estava na bolsa, bato o olho no crachá dele e confirmo: “É ele!”. Claro que é ele, Isabella! E logo depois concluo: “Se ele está com o crachá até agora, quem soy yo para estar com o meu na bolsa?”.

Sorrimos, “Boa noite!” e ele, muito simpático e atencioso, tentou brincar com a birra dela. Mas é claro que ela, como boa criança que é, demonstrou mais insatisfação ainda, ignorando as palavras dele e não deixando espaço para a mãe completar: “Ela está cansada…”.

Nunca dois andares demoraram tanto para passar. Nunca uma criança gritou tanto neste breve intervalo. Chegamos na garagem e nos despedimos dele. Fechamos a porta do elevador e minha amiga colocou a filha no chão e simulou um carinhoso chute em seu pequeno traseiro.

E saímos morrendo de rir, com a missão de levar a lição para casa: dentro daquele elevador, a hierarquia estacionou. Por alguns segundos, a criança foi mais importante que o diretor e ele entendeu o direito dela. E quem disse que não entenderia?

Inteligência, bom senso e carisma para lidar com estas situações. Os dois estavam à vontade. Quem sobrou patinando no sabão por lá fomos só eu e minha colega. Patéticas.

Economia leiga

Do pouco que sei sobre economia, algo entre o nada e o menos ainda, ando preocupada com a própria.

Imaginem que dia desses parei em um estacionamento que custava 17 reais. E não era pela semana toda: o preço era por algumas horas com o carro estacionado ao lado do restaurante. Tudo bem que o endereço era um dos mais caros da cidade, mas mesmo assim, fiquei pensando: onde foram parar os estacionamentos de 5 reais?

Isto, definitivamente, não é em São Paulo

Sim, onde foram parar as horas por 3, 4, 5 reais? Antes, me parece que estacionar o carro era sinônimo de deixar alguns trocados. Não era necessário ter dinheiro, mas sim ter disponibilidade para achar algumas moedas perdidas pela bolsa.

Em São Paulo, nada mais escapa: até os flanelinhas cobram caro. Uma vez, tentei ir à Pinacoteca e, sutilmente, o dono da rua me cobrou 10 reais para deixar o carro ali. Na Vila Madalena também não sai por menos ─ e sempre com pagamento adiantado, claro!

Na mesma semana em que comecei a pensar com meus borbotões sobre o assunto, a revista Veja SP trouxe uma reportagem sobre o alto custo dos estacionamentos de São Paulo. Toda a pesquisa que eu precisava para fazer minha análise econômica estava logo ali:

Parte do levantamento feito pela reportagem

Analisei a pesquisa e levei em conta também o fato de eu, que sou super pão-dura, nunca ter encontrado um estacionamento de 6 reais na Alameda Santos. Assim, minha média foi baseada ora na pesquisa, ora no meu instinto de motorista pão-dura. Então, concluí que duas horas com o carro estacionado na região da Avenida Paulista equivalem a 14 reais, em média.

Muito bem. Duas horas na Rua da Mooca devem sair por volta de 6 reais. Duas horas na Avenida Paulista, 14 reais. E duas horas na Rua Doutor Mário Ferraz, no Itaim Bibi, 17 reais.

Assim, fiquei pensando no dia em que teremos que ter mais de três notas de 10 reais apenas para estacionar o carro. Pode parecer exagero, mas economica e praticamente falando, nunca vi um estacionamento baixar o preço. A tendência é piorar. A tendência é que, um dia, a Rua da Mooca passe a cobrar 17 reais.

Sim, porque teremos mais carros nas ruas, o aluguel subirá, assim como o preço da água e da luz, o salário do manobrista aumentará, o preço do seguro também etc. E isso me faz crer que estes preços não vão estacionar como nossos carros.

Será que daqui a algum tempo estaremos deixando 50 reais sem nem perceber? E o que acontece quando tantos reais valem apenas algumas horas no estacionamento? A moeda desvaloriza? Como isto funciona?

E agora é que vem a parte que eu entro em pânico: eu, sinceramente, não sei o que acontece. Sim, economia foge do meu controle de uma tal forma que eu não sei se este movimento é natural, se sou eu que estou pirando com pouco, se a nossa moeda vai mudar em três anos e se tudo bem se 100 reais virarem gorjeta.

Qual é o rumo disto tudo? Algum economista de plantão?

Imaginação ou educação?

Ela é um símbolo. Milhares de crianças lêem a Mônica. E o que estão aprendendo?

1) as coisas se resolvem na porrada;

2) a regra é olho por olho, dente por dente;

3) o bulling deve ser praticado;

3) a inteligência ou a sensibilidade não devem ser usados para resolver conflitos.

(Dioclécio Luz, “Violência na Turma da Mônica)

Eu nunca tinha lido nada de Dioclécio Luz até ver o burburinho que ele causou no Twitter. Tudo porque este jornalista e pesquisador ficou famoso por lá depois que resolveu escrever para o site Observatório da Imprensa criticando a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

No artigo, ele afirma que as histórias da famosa turminha são violentas e nada educativas. Isto porque Mônica, a personagem principal, sofre com as agressões verbais do colegas —  o tal do bullying — e resolve tudo na base da coelhada. Além disso, afirma que os personagens são rasos, estereotipados e ainda cai de cabeça na onda do politicamente correto ao afirmar que a gulosa Magali, por exemplo, tem obsessão por comida — um desvio que precisa ser tratado e é negligenciado.

Eu poderia escrever aqui por horas sobre as delícias da Turma da Mônica e poderia também entrar nesta guerra para defender as histórias em quadrinho. No entanto, outras pessoas já fizeram isto muito bem, como é o caso do Rob Gordon.

Cebolinha por Arthur, 4 anos de idade

O que me incomoda de fato no texto dele é o discurso politicamente correto. Esta neurose de achar que tudo deve ser educativo. De achar que tudo é exemplo e que toda história tem que ter uma moral. Não tem.

Parte desta visão vem do fato de que ainda consideramos a criança como um serzinho inocente, ingênuo, sem maldades. Errado. A criança é exatamente o que somos. É boa, má, ciumenta, alegre, estranha, amorosa,  irritada e mil coisas mais. Com uma simples diferença: ela ainda não domina tão bem suas linguagens para expressar o que sente. Por isso, às vezes grita, morde, se joga no chão, chora, xinga o amigo e dá uma coelhada nele.

É para aprender a jogar neste mundo maluco que chamamos de vida real, que a fantasia é uma grande aliada no desenvolvimento da criança e, consequentemente, em sua educação.

Cooperação Criativa, o projeto mais bacana que já vi em arte-educação: respeito ao direito de imaginar

Gibi não precisa ser educativo, a música Atirei o pau no gato não precisa ser trocada por aquela versão careta e ecologicamente correta e as histórias precisam sim ter bruxa, Lobo Mau que come a Chapeuzinho e medo. Afinal, a criança precisa do mundo da fantasia, precisa testar suas emoções e ouvir histórias de uma menina que é todo dia chamada de dentuça, baixinha e gorducha.

Se fizermos com que todas as histórias e todas as músicas infantis tenham uma moral, privamos a criança de um mundo de outras histórias e músicas. Um mundo de cultura que sobreviveu anos e anos até chegar aqui. São anos de história, de cultura; anos que não precisam ser trocados por versões “menos cruéis”.

Nunca vi uma criança batendo em alguém porque viu no gibi. Nem ninguém parar de tomar banho porque o Cascão não toma ou falar errado porque se espelhou no Cebolinha. A criança é o Cascão, o Cebolinha, o Lobo Mau e a Chapeuzinho Vermelho. Ao mesmo tempo, pois testa todas as emoções: ela é todas estas tentativas.

As histórias têm que ter o objetivo de despertar a imaginação: uma criança acostumada com o mundo da fantasia é criativa e se interessará por outras tantas histórias — as contadas e, em pouco tempo, as lidas. E é esta a valiosa parte educativa desta história.

PS: Este texto todo tem como inspiração e embasamento teórico a obra de Ilan Brenman, excelente doutor em Educação e contador de histórias que estuda, justamente, o politicamente correto nas histórias infantis.

PS2: Cooperação Criativa é um projeto que mistura contação de história, circo e teatro para crianças de quatro a nove anos. Seu criador, Francisco Igliori Gonsales, doutorando em Psicologia, ator, circense e contador de histórias é um dos mais incríveis artistas-pesquisadores que já conheci. Seu projeto é um dos meus sonhos de trabalho. A equipe da Cooperação está no Galpão do Circo e o curso se chama Aventuras Acrobáticas. Vale a pena conhecer.