Panis et circenses – o fracasso da Festa Vivo On
Segunda-feira, meia-noite. Se eu não estivesse de férias, provavelmente já estaria de pijama debaixo das cobertas. Mas não: eu estava de salto alto no lançamento do incrível novo serviço da Vivo. Na festa da Vivo On.
Aconteceu assim: na semana passada, a Vivo fechou três baladas na região central de São Paulo (Sonique, Exquisito e Kabul) para receber alguns convidados especiais para que fosse apresentada a maravilhosidade da coisa toda do novo serviço misterioso da empresa. É claro que dentre estes formadores de opinião, estava toda a blogosfera paulistana e mais metade de todas as tribos da semi-elite da cidade, na faixa dos vinte e trinta anos de idade.
Sim, era muita gente e (não) eu não sei de onde todo aquele povo saiu em plena segunda-feira. E é claro que eu, que não sou formadora de opinião, não tenho tribo definida e male má vou levando este blog, não fui convidada. Mas, sim, meu influente editor particular (e namorado nas horas vagas) foi convidado cinquenta vezes e lá fomos nós: ele, de gente importante, eu de acompanhante.
Ao chegar na região, bastava confirmar seu nome na lista e receber uma pulseira laranja VIP e fantástica que dava acesso irrestrito às três baladas do evento. Lindo, não?
Lindo, lindo, não. Lindo seria se a balada fosse na calçada. Explico: tentamos entrar na Sonique. Ao ver que a fila estava E-NOR-ME e não andava, ligamos para um amigo que estava lá dentro, que confirmou que a casa não estava lotada.
Ahá. E quem não conhece estes truques de produção de evento chinfrim? Isto provavelmente já deve ter sido comprovado por algum estudo de universidade gringa: é só ver uma fila grande que qualquer ser humano já se interessa mais pela coisa. Quanto mais gente, mais atenção de todo mundo.
Como não tínhamos o que fazer (nem o que perder), fomos atrás de respostas para nossas indagações sobre a fila enorme, as portas fechadas e a balada vazia. Depois de sermos destratados e ignorados por um segurança e por um cara que tinha um crachá enorme escrito “Produção”, um outro muito amedrontado e agressivo (a muito custo) nos apresentou à pessoa mais fantástica que eu já vi em toda minha vida: a incrível Fabiana.
Toda mansinha, ela chegou para resolver nossos problemas: “Em cinco minutos eu coloco vocês dois lá dentro, tá? Só não coloco agora porque o pessoal da fila vai me matar…”. Respiramos fundo e meu paciente namorado explicou que não queríamos passar na frente de todo mundo, estávamos (ahm, ahm) cobrindo o evento e só queríamos saber o motivo da fila. Ela explicou que a casa estava lotada e toda aquela ladainha. Após ser confrontada com os fatos reais, ela passou a não mais ser nossa amiga.
“Tudo bem!”, disse meu parceiro de confusão. “Então você coloca a gente lá dentro agora pra confirmar isso?”. E a resposta da incrível produtora Fabiana foi… Adivinham qual? “Não! Não coloco porque você duvidou de mim!”. Ah, poxa vida. Magoamos a Fabi. Desculpa, Fabi, a gente não sabia que você ia levar pro lado pessoal.
O engraçado é ver um evento tão grande, com tanta desorganização. Realmente, os convidados foram muitos, a comunicação da produção do evento não estava rolando e deu para perceber que o que eles queriam mesmo é aquele bafafá todo rolando nas redes sociais para dar uma certa divulgação no novo serviço da Vivo que é o… O… Ahm…
Agora vem a outra parte engraçada da história: em meio a tanto alvoroço, meio mundo movimentado, entradas VIP e bebidas de graça, eis que a empresa esqueceu, simplesmente, de apresentar seu novo serviço. Me senti na Roma Antiga, na política do pão e circo. Com a diferença de que substituíram o pão por qualquer bebida alcoólica e o circo por música alta tocada por subcelebridades que sabem brincar de DJ. A alienação foi a mesma e o resultado que eles queriam, talvez tenham mediocremente alcançado: um monte de gente twittando diretamente da festa, mostrando que tanto faz o fim. Festa de graça, segunda-feira. Pão, circo. Está bom demais.
É, parece que ainda somos muito parecidos com os macacos.
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11 comentários



Que droga hein…por isso que eu gosto do bom e velho boteco pra jogar conversa fora.
OBS: Descobri seu blog ontem através do Papo de Homem, achei bem legal, muito mesmo. Parabéns!
hahaha PERFEITO seu relato. Eu, nem no Sonique consegui entrar. Assim que cheguei, fui pro Kabul, que imaginei que seria o mais vazio no começo, e realmente foi. Tava tranquilo, dava pra pegar bebida calmamente.. Daí começou a ficar cheio e chato, então resolvemos ir pro Exquisito. Passamos o resto da noite lá, já que se arriscar para sair e tentar entrar no Sonique era perigoso demais (tendo em vista o que as pessoas que vinham de lá falavam)
Daí, tinha aquele boato todo de “troque sua pulseirinha pelo brinde no final”….. Alô? Onde? Como? Quando? Brinde?
No dia seguinte fiquei sabendo que algumas pessoas ganharam um chip. Esse era o brinde. E essa era a ‘comunicação’ do produto diretamente na festa. Todo mundo ja tinha ido embora. E mesmo assim ainda tinha confusão em frente ao Sonique para pegar o tal do brinde. Eu, que já tinha bebido de graça, encontrado mil amigos de todas as turmas e dançado horrores, quis nem saber de chip que nada! Fui mais é dormir.
Ainda tô nessa gama de pessoas que vc cita no final, “Festa de graça, segunda-feira. Pão, circo.”… Se os caras dão dessas, tenho mais é que aproveitar.
We´re all monkeys.
Sempre fomos.
Sempre seremos. Tlvz mais espertos e menos canibais.
cest la vie
Comentário HISTÓRICO do Guilherme.
Raramente ele fala em 3 idiomas.
Sugiro ler e reler pois quando ele alterna línguas é porque está soltando chamas de sabedoria. ;-)
Eu cheguei 1h atrasado, peguei a fila e em menos de 20 minutos estava lá dentro, acompanhado de minha digníssima noiva. Tudo tranquilíssimo.
A música tocada pelas subcelebridades era muito ruim, mas depois veio o show do D2, que foi excelente.
As pessoas que estavam perto de mim eram muito babacas, um monte de playboy bebado esbarrando e derramando bebida nas pessoas, que pena.
Saimos antes do fim do show por conta dos manés que estavam perto da gente, que estragaram o evento, mas não tenho nada a reclamar da organização ou infraestrutura do Sonique, foi tudo muito bem feito.
Mas realmente não lembro de ter visto nada sobre o novo serviço, só fui impactado pela marca da Vivo, que estava em todos os pontos do evento, não por um produto ou serviço específico.
A propósito: eu nao bebo bebida alcoólica e não gosto da maior parte das músicas que tocam em balada, então esse tipo de pão e circo não funciona pra mim, meu pão e meu circo são diferentes.
hauhuashau… no comments….. ¬¬”"” que tosco isso!
Brava Isabella!! ;D
Eu também acabei me divertindo, porque encontrei amigos e, deste jeito, até o boteco da esquina (pra quem não bebe) fica ótimo.
Mas acho engraçado a marca nos tratar como macaquinhos (que realmente somos) e pouca gente reclamar.
Afinal, que budega é o Vivo On?
Genial esse post!
Tudo o que acontece no Brasil só que em escala menor, ludibriar, dar pulseirinhas coloridas, bebida e musica…todos sendo atendidos por promoters superhiperultramega arrogantes…Affs
Parabenizo sua coragem!
À propósito, amei o blog!
Ainda somos macacos?
Isabelita, como biólogo te digo..
As vezes eu me pergunto porque descemos das árvores e paramos de andar nús.
E dependendo do dia eu me pergunto mesmo é porque que saímos da água e resolvemos invadir o “mundo seco e terrestre”.
Mas isso nos dias de mal humor.
Nos outros eu paro na parte da árvore.
Pior que isso só se vc tivesse que trabalhar na terça-feira cedinho….rs