Por que assistir a Up, Altas Aventuras?

Eu sei, você não tem mais dez anos de idade e não vê desenhos animados desde Shrek – que te insistiram pra assistir. Mas Up, Altas Aventuras quase que não é um desenho animado. Quase que é vida real.

Dirigido por Pete Docter, Up foge do que costumamos ver em desenhos animados. Em primeiro lugar, esqueça aquele ritmo frenético de filmes que não querem perder a atenção dos pequerruchos. Importante, claro. Mas muito melhor é oferecer a crianças, adultos e idosos uma outra forma de narrativa. Ora calma, ora agitada. Cenas sem falas, nas entrelinhas. Tempo para a tristeza, tempo para o sofrimento. Simplesmente: tempo.

Os personagens centrais não são, digamos, mocinhos. Tudo bem que esta fórmula já foi repensada há um tempo nos desenhos. Mas cabe ressaltar: no centro da trama estão um senhor e um menino. Duas gerações separadas e agora unidas.

Carl, Russel e um GPS

Duas pontas da sociedade: criança e idoso tratados com respeito. Não são passivos, dependentes ou infantilizados. Mas também não são heróis disfarçados. O filme se preocupa em manter o idoso como idoso, a criança como criança e até o animal como animal (cena rara nessas áreas). O idoso apegado às suas coisas, sua casa, seu passado. A criança que dá chilique porque quer ir ao banheiro. O animal que não se mete no meio da briga para ajudar seu defensor porque, ora, é um animal.

E como todo bom desenho, Up toca no tema do amor. No amor romântico, sim, mas vai além: o amor nasce entre os protagonistas com a aventura. Uma nova amizade, um novo sentido para viver. Uma cena em especial representa o rompimento de Carl com seu passado. Sua nova missão.

Só pelos motivos citados, eu já assistiria ao filme mais umas três vezes. Mas tem mais: Up toca em um tema delicado para um filme infantil e em que poucos se arriscam a entrar, a morte. Sem religiosidade ou misticismo, as decepções e a morte são tratadas, simplesmente, como parte da vida.

Agora se você já está achando Up, Altas Aventuras um desenho racional demais, não acredite em nada do que eu escrevi aqui em cima. Imagine um sonho, uma casa, balões e a cena que toda criança já quis viver na vida.

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8 comentários

  1. aah que lindinho!!
    o Wall-e também me tocou mt qt à essas questões mais importantes da vida, mesmo sendo um desenho.
    Qd sair nas locadoras eu vou ver!! #ficaadica hehehe

    beijosss!

  2. Concordo com você, UP é um filme muito mais denso – e lindo – do que eu poderia imaginar, à primeira vista. Trata da morte, da amizade… e – mais que tudo – da solidão.

    O velho e o menino são solitários, sozinhos num mundo que, para o velho, não lhe pertence mais (se é que um dia pertenceu); e para o menino ainda não lhe pertence (se é que algum dia pertencerá).

    Mexeu muito comigo, fui salvo pelos óculos 3D.

  3. Amei o filme também. Principalmente no que trata sobre a morte como parte da vida. Surpreendente para um desenho…

  4. Primeira visita. Adorei seus textos. E sua paixão por Teatro Mágico (também amo). Parabéns!!!

  5. Cristiano Contreiras |

    Este foi um dos melhores do ano!

  6. Eu vii, é lindo demais esse filme!
    Chorei, ainda bem que estava de óculos! ( 3D)
    Adorei seu blog Isa!
    Beeeijos!

  7. eu tenho 35 anos e adoro curto pra caramba desenho e aproveito quando levo meus filhos ao cinema ,a gente sempre escolhe os desenhos .

    ci

  8. Poxa, a Pixar é outro nível…

    Nesse ponto, eu acho legal eles usarem o poder da animação por computador. Dá para eles explorarem com muito mais capricho “de artesão” o enredo.

    Quem é que consegue não se emocionar só com a introdução do filme, mostrando o velhinho e sua velhinha?

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