Segundo turno e flanelinha
Fui votar na Soninha no segundo turno. É, ela não está mais concorrendo, mas eu votei no 23. Já que vou anular, vou me expressar pela última vez (nessas eleições) votando em quem eu acho que me representaria no poder.
Muito bem. Fui votar de carro, já que mudei de casa e não transferi meu voto para uma zona eleitoral mais próxima da minha residência. Quando cheguei na escola em que voto, parei o carro na rua. Um homem magro, de camisa preta de mangas curtas observava o movimento da rua enquanto fumava um cigarro. No seu antebraço direito, uma tatuagem: “BRANCA”.
Estranhei o fato dele estar parado por lá, mas fui em direção à escola. Me chamou de alguma coisa que não lembro. “Linda”, “querida” ou algo do tipo. “Posso dar uma olhadinha…?”. Pensei em fechar a cara. Foi quase mais forte do que eu, mas lembrei do meu carro… Tão indefeso… Ali, parado na rua. Balancei a cabeça positivamente, muito mais por medo do que por consentimento.
Lembrei da minha “candidata”. Ela disse, certa vez, em seu blog, que não costuma dar dinheiro aos flanelinhas porque acha que carro não precisa de babá. Realmente! Mas em São Paulo isso é um pouco difícil de ser seguido. Os flanelinhas são tão incisivos, chegam como se fossem realmente os donos da rua e como se fosse óbvio pagar 10 reais para estacionar num local público.
Certa vez, fiquei muito irritada com um flanelinha que me abordou na porta de um museu. Ele tirou um bolo enorme de dinheiro do bolso. Só notas de 10 e 20 e começou a contar na minha frente. “Então, a gente tá pedindo uma colaboração…”. Fiquei muito nervosa, tirei o carro dali. Fui até uma base da polícia do outro lado da rua, a menos de 50 metros do local. Falei com o polícial, expliquei a situação. Sem olhar para o meu rosto ele disse: “É assim mesmo, a gente tira eles daí, no outro dia eles voltam…”. “Então não tem nada que eu possa fazer?”. “Você quer ir até a delegacia? Vai…”. Que enguiçado esse sistema…
Pois bem. Mas o flanelinha de hoje não era incisivo. Tímido, muito tímido, inseguro. Arrisco-me a dizer que era sua primeira vez no “ofício”. Depois que votei, fiquei com medo dele me abordar no carro. Mas não aconteceu. Tímido, ele ajudava uma outra pessoa a estacionar. Me viu, mas fingiu que não. Como eu fiz. Talvez estivesse precisando de um emprego. Talvez estivesse precisando de dinheiro. Talvez… E foi tentar.
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- Economia leiga | Isabellices - [...] até os flanelinhas cobram caro. Uma vez, tentei ir à Pinacoteca e, sutilmente, o dono da rua me cobrou ...
- Sobre flanelinhas e o que (não) podemos fazer a respeito deles | Papo de Homem – Lifestyle Magazine - [...] do Estado de carro e fui abordada por um flanelinha de esquema profissional. Narrei o episódio neste texto. Ele ...
- Parasitas do espaço público | O Lado Oculto da Lua - [...] do Estado de carro e fui abordada por um flanelinha de esquema profissional. Narrei o episódio neste texto. Ele ...


Que estranho esse flanelinha. Ele era tão timido assim mesmo como vc diz? Pois na hora de falar: “linda! querida!” creio que naquele momento ele perdeu a timides né? kkkkkkkkk
querido …………..,
não preciso ser desinibida para te chamar de querido(a)!
a timidez está nas sutilezas. se engana quem acha que tímido é tudo igual…
Ainda bem que esse não ficou te enchendo o saco, ou falando qualquer idiotice… infelizmente, na região do Ibirapuera a conversa é outra.
E infelizmente, assim como frente a outros ‘delitos diários’, ficamos de mãos e pés atados, enquanto a polícia finge seguir de olhos vendados.
Abraços, Isabella!