Sobre músicas e incógnitas


Minhas músicas prediletas, geralmente, têm um certo mistério, algo indecifrável que eu vou descobrindo com o tempo e, assim, gostando cada vez mais da música. É quase que uma regra. Aliás, é uma regra porque tem exceções.

Assim é com Abaçaiado, d’O Teatro Mágico; Panapaná, do Galdino; Toada Velha Cansada, do Cordel do Fogo Encantado.

Sobre esta última, nunca entendi versos como “toada velha cansada/atrás do fogo encantado/nesse terreiro sem cerca”. Encontrei um sentido (meu, totalmente subjetivo e independente da vontade de Lirinha): o som, chegando e invadindo com lembranças… O resto da música é uma linda declaração de amor.


Depois, então:
“eita mulher voadeira/misterioso pavão/o riso teu tem corisco/e o peito teu tem trovão/e os meus dois olhos bandeiras/fogueiras clarão”. Voadeira, segundo o Houaiss é um regionalismo (do Norte e do Centro-Oeste do Brasil) que significa “barco veloz e com motor de popa”. Voadeira aqui adquiriu um novo sentido: ela escapa dele, ele não a decifra, ela voa. Pode ser? Misterioso pavão: o pavão é tão bonito que encanta e leva muitos mistérios naquelas penas todas: tantas cores, tantos tons… Que tal?

O riso teu tem corisco e o peito teu tem trovão: suspiros meus!

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4 comentários

  1. Ah….. esse corisco !

  2. ah, procura, né?
    pra mim, está claro!
    não se limite…

  3. Pra mim, Atemporânea é a melhor do Galdino. Mas é porque ela é em 7, meu ritmo preferido.

    Mas ok, Panapaná é mesmo deliciosa.

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