Sobre um caso na saúde pública

Não quero depender da saúde pública. Não quero mesmo. Torço para que esta melhore, mas estou desiludida. Hoje fui a um posto de saúde me vacinar contra a rubéola. Foi a saúde pública que me chamou e lá fui eu.
Quando cheguei ao posto, às 8:50, a sala de vacinação estava fechada e só havia um homem na minha frente. Logo, uma pessoa da limpeza se encarregou de limpar a sala para que as vacinas começassem a ser dadas. Esperamos. Esperamos. E nada. A fila crescia, a impaciência também.
Enquanto esperava, observava o local. A sala de vacinação fica num corredor que dá acesso à sala de espera. Neste corredor, existem mais duas salas em que médicos atendem. De uma sala, sai uma jovem “médica”. Ela diz em voz alta, mas sem se dirigir à sala de espera: “RUBENS!”. Espera alguns segundos. Nada, ninguém se manifesta. Ela entra em seu “consultório” e, em poucos segundos, sai de lá com uma bolsa, pronta para ir embora. Um funcionário do posto a encontra no corredor e diz algo a ela. Ela reclama: “Mas eu chamei várias vezes, ninguém veio!”. O funcionário vai até a sala de espera e chama um senhor, que vem devagar e é atendido um tanto a contragosto pela jovem “doutora” apressada.
Que tipo de médica é essa? Que falta de sensibilidade para entender que a sala de espera fica longe do seu consultório e que um idoso pode ter dificuldade para ouvir, para se locomover…! Que tipinho chulo! Que medo da minha saúde estar entregue a gente fria, desumana. Que medo de depender desse sistema corrupto, falho, insensível.
Às 9:25 fui atendida. A fila já virava o corredor e, após muitas reclamações, uma mulher entrou na sala de vacinação com a cara fechada para nos atender. Fui chamada e, quando cheguei, ela já estava com a seringa a postos. Não me dirigiu nenhuma palavra e me olhou com cara de poucos amigos, pronta para me furar. Perguntei:
- Esta seringa é descartável?
Ela me olhou furiosa e disse em tom de deboche:
- É claro.
Não hesitei:
- Mas eu não vi você abrindo uma seringa nova!
- E precisa?
- Claro! Quando sou atendida em hospital particular eles abrem a seringa na minha frente para eu ver que é descartável! Como vou saber se você não usou em mais ninguém?
Ela estava tão mal humorada que não duvido nada que poderia utilizar a mesma seringa só de raiva. Sou leiga nisso, mas… Vai saber! Na dúvida… Ela bufou muito, mas abriu outra seringa na minha frente e preparou tudo de novo. Direito meu, dever dela.
Saí de lá com uma sensação de impotência perante a saúde pública e agradeci por não depender da má vontade dos que trabalham por lá. No final das contas, não sei nem se ela me deu a vacina certa ou se aproveitou para me pregar uma peça e me dar uma anti-rábica. Vai saber… Você confia?
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1 comentário

  1. Nossa que situação horrivel mesmo. Mas vc fez certinho. Continue escrevendo, pois vc se expressa e assim retrarta a realidade de uma maneira muito transparente.

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