Dia desses fui ao supermercado e entrei na fila do caixa-rápido (uh, rápido, sim). Como nas grandes lojas, a fila é única e, lá na frente, vários caixas trabalham. No caminho, você tem que passar pelo corredor da tentação. Ou melhor, o corredor do “VOCÊ-TEM-CERTEZA-DE-QUE-NÃO-PRECISA-DE…?”.
Primeiras prateleiras. Escova de dente, absorvente, sabonete, fio dental, cotonete. Coisas que você só lembra de última hora. Na segunda, revistas semanais. Fofocas pra todos os gostos. Tratam de pessoas reais como se fossem personagens de novela e personagens de novela como se fossem pessoas reais. “Helena morre ao tentar salvar o filho”, “Dado é preso por frequentar o mesmo espaço que Luana”, “Ator global namora em praia carioca”, “Raj se emociona com gravidez de Maya”.
Se você passou por esta prateleira, a próxima é mais tentadora. Chocolates de todos os tipos, tamanhos, cores. Para todas as vontades. É a hora que eles querem que você pense: é disso que eu precisava! E, se você está de regime, eles também pensaram em você: na prateleira seguinte, barras de cereais. Muitas. Para você comprar sem sair da linha.
Agora, se você é do meu tipo e saiu ileso(a) às tentativas, a última prateleira é pra chutar o pau da barraca. Eles pensam (tudo oculto, mas pensam, eu tenho certeza): você não vai comprar nada, mas seu filho vai! Salgadinhos, doces coloridos, chocolates com brinquedos, brinquedos com chocolates… É a revolta do supermercado, o ápice das compras, o golpe baixo, a cartada final. Você não quer gastar, mas pelo seu filho, você vai.
PS: Recomendo o documentário “Criança, a alma do negócio”, de Estela Renner e Marcos Nisti. A publicidade infantil é covarde, assistam para entender o que está acontecendo com a nossa infância. O trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=rW-ii0Qh9JQ
por Isabella Ianelli em 28/03/2009 | arte e cultura, cotidiano, educação | Comente!
“A vida não suporta a fraqueza.”
Ouvi de Hitler, mas está valendo…
por Isabella Ianelli em 14/01/2009 | arte e cultura | 3 comentários
Leiga que sou, fui ao cinema ontem assistir ao filme mais mal falado do 61° Festival de Cannes. Esperava compreender os motivos que levaram os maiores entendedores da sétima arte a considerar o filme ruim.
Descobri que não devo entender nada de cinema mesmo. Achei o filme brilhante. Angustiante, dá uma vontade de sair gritando! Como somos pequenos, como nossa sociedade é frágil… A perda de apenas um dos nossos sentidos seria capaz de desmoronar toda a nossa estrutura.
O filme nos coloca de frente com a fragilidade do ser humano e da sociedade, com nossos instintos… Tive pesadelos a noite toda. Mas, adorei.
por Isabella Ianelli em 21/09/2008 | arte e cultura | 4 comentários
Na foto, o motoboy Dênis vivido pelo lindo (hehehe) João Baldasserini
É lindo, repleto de significados. Tudo muito bem pensado. Ainda não consegui assistir com a razão (só com a emoção). Então, preciso de mais algumas vezes para dizer o que penso realmente.
Direção de Walter Salles e Daniela Thomas, elenco muito talentoso e um retrato de uma realidade brasileira. Uma coisa é certa: é imperdível.
por Isabella Ianelli em 5/09/2008 | arte e cultura | Comente!

Hoje na Ilustrada saiu uma matéria sobre uma pesquisa que afirma que o espectador brasileiro prefere filmes dublados. Vi um comentário espantado num blog e pensei nisso durante o dia. Também não gosto de filmes dublados, mas me lembrei da primeira vez que assisti a um filme legendado.
Eu tinha oito anos e assisti ao filme “Minha vida”. Pelo que me recordo, conta a história de um homem que luta contra o câncer enquanto sua mulher está grávida. Temendo não conhecer o filho, ele faz um vídeo para que, um dia, mostrem a ele. Adorei o filme e me emocionei que nem gente grande, apesar da pouca idade.
Na época do VHS você escolhia alugar um filme legendado ou dublado. Este, meus pais alugaram legendado e, como eu estava na sala, eles me encorajaram a assistir e lá fui eu, morrendo de medo.
Este foi o marco, por isso me lembro até hoje. O fato é que fiquei pensando… Oito anos de idade. Algumas crianças são alfabetizadas nesta idade! Isto não diz nada, já que muitos educadores consideram importante que a criança amadureça antes de ser alfabetizada. Mas confesso que me espantei: oito anos e eu consegui entender e ler um filme, sem pausas, conciliando imagem, som e legenda? Uau. Estou orgulhosa dos meus oito anos de idade!
por Isabella Ianelli em 29/08/2008 | arte e cultura, cotidiano, educação | Comente!