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Quiet nights of quiet stars
“Da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo…”
Eu tinha catorze anos e assisti à novela desde o primeiro capítulo. Aquela coisa mpb, bossa nova, livraria, praia, vida calma, voz da Bebel na abertura, poesia recitada,
Lembro pouco do que fiz naqueles meses. Vivi para a novela, tenho a impressão. Comprei a piranha que a personagem da Carolina Dieckmann (que eu odiava, por sinal) usava no cabelo. Já que não conseguia ter os cabelos louros e lisos dela, recorri à outra personagem (bem feinha, por sinal, coitada), que tinha os cabelos enrolados e empastados de creme. Eu fazia igual. Pelo menos alguém daquela novela eu tinha que ser.
É, não vai pensando que é fácil ter cabelo enrolado. A pior parte está aí, aos catorze anos. Até então meus cabelos eram lisos e, de repente, eles resolveram se rebelar.
Como assiiiim, não façam isso comigo, pelamordedeus, não agora que tá passando essa novela em que todo mundo que é bonitinho tem cabelo liso – implorei. Nada. O jeito era assumir. Passava creme, muito creme, quanto mais, melhor. Não dava certo. Também, enquantoVoltando, eu queria mesmo era ser a Vera Fischer. Bonitona, bem-sucedida, loira, linda, numa vida meio bossa nova e
E, então, toda vez que ouço essa música, lembro deste universo todo. O Leblon em que eu nunca estive, mas sou íntima, meus catorze anos, os dilemas da novela, meu cabelo empastado de creme, o Gianecchini cantando apaixonado e de braços abertos na sua mansão: “Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama…”. Quem aguenta?
PS: Preciso escrever a parte mais bonita da música. Sério, não vou conseguir dormir sem isso: “E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade, meu amor…”. Ai.
Para trocar
No mural “Quem tem alma se expressa”, foto de Vinny Campos
Neste sábado aconteceu o terceiro worksarau. Ou melhor, worksarau versão 2.5, como Galdino preferiu denominar. Mais íntimo, mais acolhedor e no mesmo clima do primeiro: amigos, risadas, novas amizades.
Você vê através da lente de Vinny Campos e se pergunta por onde andaram seus olhos neste momento. E o mesmo serve para vida: onde você esteve que não percebeu tudo isto acontecendo ao seu redor? A voz da moça que cantou, o momento do fotógrafo, a dança da bailarina, a habilidade dele na Taketina. Lá a gente troca. O mais importante, o mais especial, o que mais me atrai. Trocar.
Canção da Isabella


Aqui estamos para lhe ver sorrir
Agradecemos e seremos seus cantores
Todas as vezes que você nos pedir
Agora chegou a hora
Precisamos nos despedir
Mas antes vamos revelar
O que acabamos de descobrir
Um passarinho nos contou
Que você gosta de ler
E detesta ciúmes e intrigas
Não sabe mentir
Torce pela felicidade dos outros
Tem mania de estalar os dedos do pé
É fã do Teatro Mágico e da Renata Rosa
Não come carne
Mas devora chocolate
Adora ouvir poesias
Tem medo da violência
Sonha com um grande amor
E a sua mãe Cristina
É o passarinho que contou
Mais uma serenata que termina
Nesta data muito mais que especial
Se foi bom pra vocês ninguém imagina
Que pra nós foi sensacional
Esta foi a surpresa (e o presente) que meu pai me deu de aniversário: uma serenata com os Trovadores Urbanos. Foi tão bonito – mas tão bonito! – que eu não conseguia nem chorar! Eu tenho muitos motivos para sorrir!
Sobre músicas e incógnitas
Minhas músicas prediletas, geralmente, têm um certo mistério, algo indecifrável que eu vou descobrindo com o tempo e, assim, gostando cada vez mais da música. É quase que uma regra. Aliás, é uma regra porque tem exceções.
Assim é com
Abaçaiado, d’O Teatro Mágico; Panapaná, do Galdino; Toada Velha Cansada, do Cordel do Fogo Encantado.Sobre esta última, nunca entendi versos como
“toada velha cansada/atrás do fogo encantado/nesse terreiro sem cerca”. Encontrei um sentido (meu, totalmente subjetivo e independente da vontade de Lirinha): o som, chegando e invadindo com lembranças… O resto da música é uma linda declaração de amor.Depois, então: “eita mulher voadeira/misterioso pavão/o riso teu tem corisco/e o peito teu tem trovão/e os meus dois olhos bandeiras/fogueiras clarão”. Voadeira, segundo o Houaiss é um regionalismo (do Norte e do Centro-Oeste do Brasil) que significa “barco veloz e com motor de popa”. Voadeira aqui adquiriu um novo sentido: ela escapa dele, ele não a decifra, ela voa. Pode ser? Misterioso pavão: o pavão é tão bonito que encanta e leva muitos mistérios naquelas penas todas: tantas cores, tantos tons… Que tal? O riso teu tem corisco e o peito teu tem trovão: suspiros meus!
Precisa entender mais?
Piau
Amando e querendo bem,
Mandava tirar-lhe a vida:
Nem pra mim, nem pra ninguém.”




