Posts com a tag "poesia"
Onde está o menino que eu fui?
Está dentro de mim ou se foi?
Sabe que jamais o quis
e que tampouco me queria?
Por que andamos tanto tempo
crescendo para nos separarmos?
Por que não morremos os dois
quando minha infância morreu?
E se minha alma se foi
por que me segue o esqueleto?
Livro das perguntas
Pablo Neruda
Sobre músicas e incógnitas
Minhas músicas prediletas, geralmente, têm um certo mistério, algo indecifrável que eu vou descobrindo com o tempo e, assim, gostando cada vez mais da música. É quase que uma regra. Aliás, é uma regra porque tem exceções.
Assim é com
Abaçaiado, d’O Teatro Mágico; Panapaná, do Galdino; Toada Velha Cansada, do Cordel do Fogo Encantado.Sobre esta última, nunca entendi versos como
“toada velha cansada/atrás do fogo encantado/nesse terreiro sem cerca”. Encontrei um sentido (meu, totalmente subjetivo e independente da vontade de Lirinha): o som, chegando e invadindo com lembranças… O resto da música é uma linda declaração de amor.Depois, então: “eita mulher voadeira/misterioso pavão/o riso teu tem corisco/e o peito teu tem trovão/e os meus dois olhos bandeiras/fogueiras clarão”. Voadeira, segundo o Houaiss é um regionalismo (do Norte e do Centro-Oeste do Brasil) que significa “barco veloz e com motor de popa”. Voadeira aqui adquiriu um novo sentido: ela escapa dele, ele não a decifra, ela voa. Pode ser? Misterioso pavão: o pavão é tão bonito que encanta e leva muitos mistérios naquelas penas todas: tantas cores, tantos tons… Que tal? O riso teu tem corisco e o peito teu tem trovão: suspiros meus!
Precisa entender mais?
"Eu tava triste, tristinha…"
depois, um delicioso jantar (com opções vegetarianas!) foi servido e, em seguida, paramos para ouvir algumas pérolas de Willians Marques. Seria impossível descrevê-las aqui porque pareceriam absurdas. Só cito que ele já ficou muitos dias com as axilas irritadas e, então, descobriu que estava passando Bom Ar ao invés de desodorante. Confundiu os frascos. Bom Ar Pinho Campestre. Pode?!EUSINTOCSEICSOUMTANTOBEMAIOR

Alguém acha um pedaço meu?
Dicas:
1) Estou de branco;
2) Perto do palco;
3) Olhando para o Galdino.
Show na Praça do Relógio, USP, início de 2007.
Uma pausa; uma pergunta; uma poetisa
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles


