Posts com a tag "teatro"

Para trocar

No mural “Quem tem alma se expressa”, foto de Vinny Campos


Os worksaraus do Galdino sempre me fazem bem. O primeiro foi libertador. Foi lá que meu ano começou. Workshop sobre fotografia, depois história da música. Jantar, clima amigo, risadas, piadas, pocket show. Minha música. Depois de tudo isso e de conversar por, sei lá, mil horas com o anfitrião, começou meu 2009. E começou de verdade porque, na mesma semana, comecei a me abrir e a me sentir e a encontrar. Me encontrar. Em mim e em outras coisas e pessoa(s). Enfim.


O segundo worksarau (na foto) foi mais bagunçado. Também, tendo eu como co-produtora, vegetarianismo em pauta, mural “Quem tem alma se expressa”, minha apresentação com Galdino do texto “A Feira da Escassez” e mais de setenta pessoas zanzando pelo casarão de Embu das Artes, podia ser diferente?

Neste sábado aconteceu o terceiro worksarau. Ou melhor, worksarau versão 2.5, como Galdino preferiu denominar. Mais íntimo, mais acolhedor e no mesmo clima do primeiro: amigos, risadas, novas amizades.


Primeiro, um sarau com poesias selecionadas de Fernando Pessoa. Li esta: linda. Foi sem querer e virou minha predileta da noite. Pausa para um lanche e retornamos no salão da casa, para um workshop sobre Taketina, com Gustavo Gitti. Incrível! Todos lá, embasbacados com a técnica, o método, a coisa. O fluir da música, do ritmo, das vocalizações, das pulsações e dessa energia toda no corpo. Não sei explicar, mas se informem. Taketina é uma delícia!


Em seguida, Galdino leu alguns textos que inspiraram suas músicas ou que foram inspirados nelas. Todos de autoria dele, todos interpretados muito bem por ele. Depois, o show: Galdino Octopus. Suas músicas e minhas prediletas (entre tantas): Panapaná e Cirandeiro.


O worksarau é uma grande necessidade minha. Não temos espaços para trocas assim. Estar por lá me faz lembrar de que, não só eu, mas todo mundo, todos nós: nós somos NADA! Você ouve Galdino tocando suas músicas e pensa que não há NADA mais sublime, você participa de uma roda, vê como funciona a Taketina e sente que te falta muito para entender. Você lê Fernando Pessoa, se apaixona, quer mais e sente como seu blog é insignificante. Seus escritos, suas tentativas todas.

Você vê através da lente de
Vinny Campos e se pergunta por onde andaram seus olhos neste momento. E o mesmo serve para vida: onde você esteve que não percebeu tudo isto acontecendo ao seu redor? A voz da moça que cantou, o momento do fotógrafo, a dança da bailarina, a habilidade dele na Taketina. Lá a gente troca. O mais importante, o mais especial, o que mais me atrai. Trocar.




PS: O vídeo linkado em Cirandeiro eu fiz em novembro do ano passado, com meus alunos. Ensinei a música para eles no meio do ano, inventamos uma coreografia e eles amavam dançar e cantar esta música do Gadino. No final do semestre, tive que registrar a felicidade deles na roda, a disciplina, o entendimento e o girar do Arthur (o loirinho que se atrapalha na música mas continua, girando com a espontaneidade e a leveza que dançarinos levam anos para conseguir). Para vocês, a minha parte nesta troca.

Dois incidentes

Hoje fui assistir novamente à belíssima montagem d’Os Satyros, Liz. E, incrível, deu pane na iluminação! Na hora me arrependi de ter ido: não estou dando muita sorte para o grupo. Já relatei aqui que a energia falhou no dia em que fui ver a peça do Guzik, Monólogo da velha apresentadora, no Espaço dos Satyros Um.


Só que hoje o problema foi mais sério. Não foi um simples apagão e ninguém sabia o que tinha, de fato, ocorrido. Fora que não dava pra Liz continuar seu texto lá no palco (ou improvisar, como fez a velha), iluminada por um canhão e rezando para que a luz voltasse.


No fim, tudo deu certo. Ivam, querido Ivam, contou para a plateia do problema, disse que estavam procurando uma solução e encontraram. Ufa. Adorei rever a peça. Ivam ótimo, Penna arrasando e ainda ter o prazer de ver de pertinho a linda (lindíssima) e musa de voz, talento, nariz, cabelos loiros e olhos azuis, Cléo de Páris. Tão talentosa! E um encanto. Como pode ser tão doce?


Acabou que não dei um abracinho em nenhum deles. Mas voltei feliz porque gosto muito do que fazem.

Boa noite

Hoje, pensando em algo que estou resolvendo em minha vida, lembrei do texto teatral “Boa noite, mãe”, de Marsha Norman. A peça é sobre a noite em que Jéssie, uma mulher de 40 anos, conta para sua mãe a decisão que tomou: vai se suicidar. A mãe de Jéssie, com quem ela vive desde que seu casamento teve um fim, tenta convencê-la durante toda a noite, tentando resgatar esperanças para que a filha decida viver.
Num determinado momento, em meio a tantas revelações e agonias, a mãe promete para Jéssie que tudo vai ser diferente: das banalidades do dia-a-dia às grandes decisões. Como convencer Jéssie? A mãe garante que tudo pode ser melhor. Lembra como está sendo boa a conversa sincera delas. Conta que todas as noites podem ser assim: sinceras, emocionantes, intensas.

Mãe: (…) Experimenta só mais quinze dias. Podíamos ter mais conversas feito esta.
Jéssie: Não, mãe.
Mãe: Eu dou mais atenção a você. Digo a verdade quando você me perguntar alguma coisa. Respeito a tua opinião.
Jéssie: Não, mãe! Não podemos ter mais conversas como esta porque é o próximo capítulo que fez este tão bom, mãe. (…)

É o próximo capítulo que fez desta minha semana libertadora, sincera, emocionante e intensa. Não posso esquecer das palavras de Jéssie.

Um incidente


Ontem assisti à peça
“O Monólogo da Velha Apresentadora” e um incidente aconteceu. Acabou a luz no meio do espetáculo. As luzes de emergência do Satyros Um acenderam e a velha Febe Camacho ficou lá na nossa frente, também espantada com tudo.

Alberto Guzik se saiu tão bem que tinha gente (eu) se perguntando se a falta de energia não tinha sido uma pegadinha bem ensaiada deles. O outro ator, Chico Ribas, que faz um garoto da produção do programa, arrasou no improviso: teve uma ótima sacada no meio do ocorrido.


Adorei a peça. Além disso, adorei o incidente, claro. Até comentei no blog do Guzik. Como somos cruéis, não? Gostamos de colocar o ator em cena num momento de desespero, vê-lo reagir aí, então. Pois não façam isso comigo quando eu estrear.

Façam com Guzik que ele sabe o que faz (e faz bem).

Para você, o que significa liberdade?


Dia desses, uma amiga me disse: “… te contei isso porque você é a maior apreciadora da liberdade que eu conheço!“. Não, ela não estava falando sobre o bairro paulistano. Mas eu pensei, pensei… Será que sou?

Ela disse isso porque já me conheceu num relacionamento. E sabe também que sou de ficar sozinha, de andar sozinha, de gostar disso tudo. Mas será que é isto liberdade?

Hoje tive que escrever o que, para mim, significa liberdade. Agir de acordo com minhas convicções, “ser essência“, poder sonhar. Pensar, agir e sonhar. Divaguei em algumas linhas.

Ainda não sei o que é. Nem se tenho.

Página 3 de 41234